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Porto Alegre, sábado, 23 de Junho de 2018

  • 08/03/2018
  • 18:32
  • Atualização: 21:38

Trump confirma sobretaxa de 25% ao aço importado e 10% ao alumínio

Brasil é o segundo maior fornecedor de aço em volume

Trump disse que os países podem solicitar por isenções | Foto: AFP / CP

Trump disse que os países podem solicitar por isenções | Foto: AFP / CP

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* Com informações da AFP

O presidente americano, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira, a criação de novas taxas empregadas para a importação de aço e alumínio para os Estados Unidos. As tarifas entrarão formalmente em vigor no prazo de quinze dias, informou um funcionário da Casa Branca, destacando que o governo americano está aberto a conversar "país por país" para negociar eventuais isenções.

Ao lado do vice-presidente, Mike Pence; do secretário de Comércio, Wilbur Ross; do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin e de trabalhadores metalúrgicos, Trump disse que a medida está sendo tomada para proteger a indústria americana. "Hoje eu estou defendendo a segurança nacional ao impor tarifas sobre aço e alumínio", disse. "A indústria de aço é vital para a economia; se você não tem aço, você não tem um país", acrescentou.

O presidente observou que "os países que nos tratam bem serão tratados com justiça", sugerindo que negociações poderão ser feitas caso a caso. Ele citou a competição injusta da indústria metalúrgica da China, da Índia e do Japão, que tarifam produtos americanos e fabricam automóveis baratos que prejudicam montadoras americanas, aproveitando-se de vantagens injustas. Como sempre, o líder americano reclamou dos déficits comerciais que seu país amarga com outras nações e disse que essa situação terá um fim. "Nós só queremos justiça". "Queremos acordos que sejam justos e recíprocos", afirmou.

As importações americanas de aço em 2017 representaram 33,460 bilhões de dólares contra 24,28 bilhões em 2016, um aumento de 37,8%. Enquanto isso, os Estados Unidos compraram alumínio, no exterior, pelo valor de 17,310 bilhões em 2017 contra 13,140 no ano anterior, um aumento de 31,7%. Veja a seguir a relação dos 10 países que lideram as importações americanas, tanto em porcentagem como em valor absoluto, segundo dados do Departamento de Comércio.

Como já havia adiantado, a nova tarifa é de 25% ao aço importado e de 10% ao alumínio. Em seu discurso, Trump citou a competição "injusta" da China no mercado de metais. Por outro lado, Trump afirmou que fechou acordo sobre a Nafta, o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, que isenta México e Canadá das tarifas.

Ao aprovar a criação das tarifas, Trump afirmou que as indústrias americanas do aço e do alumínio foram "devastadas por agressivas práticas comerciais estrangeiras". "Realmente é um ataque ao nosso país", continuou. "Eu venho falando disto há muito tempo, muito antes de minha carreira política".

Com o ato, Trump deixou de lado os alertas de uma guerra comercial global e protestos de aliados na Europa e nos Estados Unidos. Ao tomar conhecimento da medida, o republicano Paul Ryan criticou a decisão de Trump por medo das "consequências". "Estou em desacordo com esta ação e temo suas consequências não intencionais", expressou Ryan em nota oficial, onde também defendeu que a medida seja modificada para "se concentrar apenas naqueles países e práticas que violam a lei do comércio".

Na visão de Ryan, existem "inquestionavelmente más práticas de comércio entre nações como a China, e a melhor abordagem seria aplicar a lei contra essas práticas". O líder republicano disse que a economia e a segurança nacional americanas "se fortalecem com o livre comércio com nossos aliados e a promoção do império da lei".

Os detalhes sobre o plano foram divulgados em uma coletiva de imprensa realizada na Casa Branca. O presidente Donald Trump disse que os países podem solicitar por isenções, que serão avaliadas caso a caso pela equipe econômica de Trump.

Brasil

A medida de Trump de sobretaxar em 25% suas importações de aço é uma promessa de campanha do presidente para a indústria siderúrgica local. A decisão prejudica fortemente as exportações do Brasil, que é o segundo maior fornecedor em volume daquele mercado. O principal argumento de integrantes do governo brasileiro e da indústria siderúrgica nacional para tentar livrar o produto nacional da limitação é que 80% do que o Brasil exporta para o mercado americano são produtos semiacabados de aço. Ou seja, são insumos para a própria indústria siderúrgica local, que Trump quer proteger.

Além disso, dada a complementaridade das cadeias produtivas, o produto brasileiro não representa risco à indústria local, nem à segurança dos Estados Unidos. Outro ponto levantado pelos brasileiros é que a indústria siderúrgica nacional utiliza carvão americano na sua produção. Ou seja, a restrição prejudicaria os dois lados do comércio.