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Porto Alegre, sexta-feira, 20 de Julho de 2018

  • 12/04/2018
  • 18:37
  • Atualização: 18:45

Dólar volta a subir e retoma patamar de R$ 3,40

Alta coincidiu com resultado da votação no STF contra habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci

Dólar volta a subir e retoma patamar de R$ 3,40 | Foto: Karen Bleier / AFP / CP

Dólar volta a subir e retoma patamar de R$ 3,40 | Foto: Karen Bleier / AFP / CP

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O dólar à vista voltou à casa dos R$ 3,40 nesta quinta-feira e encerrou o dia em alta de 0,70% a R$ 3,4096 _ quase na máxima do dia, que foi de R$ 3,4101 (+0,71%). O dólar futuro para maio subia 1,07%, para R$ 3,4156. Apesar do respiro do mercado nessa quarta-feira, com as declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, de que tem reservas e pode fazer swaps para conter a volatilidade da moeda, a avaliação é que o estresse vai permanecer no mercado, com as incertezas do cenário interno, em particular com as eleições, e externo, com os conflitos geopolíticos.

Para alguns operadores, o câmbio agora está à procura de um novo patamar, que poderá ser nessa faixa de R$ 3,40. Depois que Ilan Goldfajn sinalizou que pode intervir para conter a volatilidade, já há quem no mercado se arrisque a prever qual será o patamar que chamará o BC. "Aparentemente, não será na casa dos R$ 3,40", afirma um operador.

Por essa avaliação, qualquer notícia mais negativa em particular no campo político, pode fazer o câmbio rapidamente estressar e aguardar novamente uma sinalização do Banco Central. Um gestor doméstico vê também um problema que descreve como "falta de notícias positivas no cenário brasileiro", diferente do que se via meses atrás. "No começo do ano ainda havia alguma notícia positiva no front, como as reformas, em particular da Previdência, e a expectativa de que a economia apresentasse um crescimento mais relevante.

Nas últimas semanas está ficando cada vez mais claro que a economia vai crescer, mas não com tanta força, as reformas ficaram para trás e o governo está cada vez mais esvaziado e o espaço para novas quedas dos juros já está muito pequeno", diz. Dessa forma, o estresse com a volatilidade ainda deve permanecer no mercado, enquanto nenhuma novidade favorecer o otimismo com as cotações.

Bovespa

Sem tração, a bolsa brasileira operou nesta quinta-feira ao redor da estabilidade em um movimento que passou ao largo da trajetória positiva registrada nos mercados acionários no exterior. Apenas perto do final do pregão, o Ibovespa ganhou leve fôlego o que ajudou a fechar com ganho de 0,23%, aos 85.443,53 pontos.

A alta coincidiu com o resultado de sete votos a quatro do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o pedido de liberdade do ex-ministro Antonio Palocci. "O mercado ainda vai patinar pela instabilidade política. Enquanto as candidaturas não forem definidas, o mercado deve seguir andando de lado, sem seguir o otimismo visto lá fora", disse Louise Barsi, analista da Elite Corretora, citando o baixo giro financeiro, que hoje foi de R$ 8,7 bilhões.

Enquanto isso, disseram analistas, o índice à vista hoje foi reagindo a questões pontuais corporativas. Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe Nova Futura CTVM, o resultado de vendas no varejo, divulgados na parte da manhã, frustrou, pois veio fraco e mostrando lateralidade muito grande.

A contração de 0,2% em fevereiro ante janeiro consolidou a avaliação de que a recuperação da atividade perdeu fôlego no início deste ano, tornando cada vez mais difícil que o País alcance crescimento de 3% em 2018. "Isso pode ser um sinal importante, pois reflete condições de crédito e de mercado ainda muito ruins", disse Silveira.

Apesar disso, o que se viu foi que os papéis das empresas de varejo tiveram alta na sessão de negócios de hoje, pautados pelas perspectivas futuras da manutenção da taxa de juros básica por mais tempo. As ações do Bradesco passaram o dia em queda em meio à negociação de Palocci com a Polícia Federal para uma delação premiada.

Segundo analistas, como a instituição já foi citada na Operação Zelotes, investidores se mostram ressabiados e se desfazem dos papéis. Assim, Bradesco ON recuou 2,05% e PN caiu 1,81%. Ainda entre as blue chips, após passar o dia em alta, Petrobras encerrou o pregão em queda e na contramão das cotações do petróleo no mercado internacional, que subiram levemente.

Taxas de juros

Os juros futuros descolaram da dinâmica do câmbio nesta tarde de quinta-feira, 12, e encerraram a sessão regular em baixa. Apesar de o dólar marcar máximas ante o real e voltar a valer mais de R$ 3,41 no mercado futuro (contrato para maio) na segunda etapa dos negócios, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) mantiveram o movimento observado na parte da manhã.

Entre os principais vencimentos, o contrato com maior volume negociado hoje, no caso, o DI com vencimento em janeiro de 2020, encerrou com recuo de 0,08 ponto porcentual. Operadores e analistas afirmaram que a fraqueza da atividade econômica, novamente evidenciada pelo resultado do comércio em fevereiro divulgado hoje pelo IBGE, fundamenta a baixa nas taxas futuras. "Os juros continuam ancorados na conjuntura de inflação baixa e atividade crescendo vagarosamente", diz um operador.

Apesar de o dólar oscilar em novo patamar (perto dos R$ 3,40), o fortalecimento da moeda ainda não surte grandes preocupações sobre a inflação. "A alta do dólar desde a último reunião do Copom foi de, aproximadamente, 4,3%. Ainda não é o suficiente para gerar sustos na inflação", afirmou o estrategista em renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. Assim, o DI para janeiro de 2019 encerra sessão regular a 6,225% ante 6,259% no ajuste de ontem.

O DI para janeiro de 2020 fechou a 6,98% ante 7,062% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2021 fechou a 8,01% ante 8,092% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2023 fechou a 9,12% ante 9,162% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2025 fechou a 9,64% ante 9,672% no ajuste de ontem.


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