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Porto Alegre, terça-feira, 22 de Maio de 2018

  • 16/05/2018
  • 18:23
  • Atualização: 18:28

Dólar fecha com leve alta cotado a R$ 3,67 e Bolsa sobe 1,65%

Moeda americana manteve-se em alta em relação ao real hoje, com expectativas para a decisão do Copom

Dólar fecha em leve alta cotado a R$ 3,68 e bolsa sobe 1,65%  | Foto: Paul J. Richards / AFP / CP Memória

Dólar fecha em leve alta cotado a R$ 3,68 e bolsa sobe 1,65% | Foto: Paul J. Richards / AFP / CP Memória

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A combinação entre a valorização das commodities e o câmbio atrativo deu impulso à compra de ações no mercado brasileiro e o Índice Bovespa recuperou nesta quarta-feira o patamar dos 86 mil pontos, revertendo as perdas que vinha acumulando em maio. Em alta durante praticamente todo o pregão, o índice terminou o dia aos 86.536,96 pontos, com ganho de 1,65%. No mês, o índice passou a acumular ganho de 0,49%. Os negócios somaram R$ 11,9 bilhões, pouco abaixo da média de maio (R$ 12,6 bilhões).

O dólar manteve-se em alta em relação ao real hoje, na contramão do movimento ante outras moedas emergentes, em função das expectativas para a decisão do Copom sobre os juros brasileiros. O dólar à vista fechou em alta de 0,35%, a R$ 3,6755, mantendo-se no maior valor desde 7 de abril de 2016, quando encerrou o dia a R$ 3,6855.

O comportamento dos juros futuros, e a própria sinalização do presidente do Banco central, Ilan Goldfajn, apontam para um novo corte, de 0,25 ponto porcentual da Selic. No mercado de câmbio, a avaliação é que essa redução poderá até mesmo gerar mais pressão para o real, já que vai diminuir ainda mais a já estreita diferença entre os juros no Brasil e Estados Unidos. Mesmo com o Banco Central realizando leilões de swap cambial, a volatilidade do câmbio por aqui não diminuiu.

Após o fechamento do mercado, a Fitch divulgou relatório afirmando que política monetária no Brasil está demasiadamente frouxa diante das condições econômicas, e que a normalização monetária global pode elevar juros de emergentes mais do que o mercado prevê.

Durante o pregão, a divisa americana oscilou entre a mínima de R$ 3,6628, estável, e a máxima de R$ 3,6960, alta de 0,9%. O giro ficou em US$ 766 milhões. O dia foi de queda da moeda americana em relação às de outros emergentes: rublo (-0,91%); rand (-0,80%); peso mexicano (-0,35%); peso chileno (-0,16%). O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, afirmou que o recente ciclo de depreciação do real ante o dólar afeta o País e não só a companhia. "Eu creio que o Banco Central tem os instrumentos necessários. Certamente o Banco Central tem não apenas a competência reconhecida, mas também os meios para lidar com a excessiva volatilidade do mercado de câmbio", destacou.

Bolsa

Ações de empresas ligadas a commodities, como Petrobrás e Vale, voltaram a ser destaque de alta, acompanhando o avanço dos insumos no mercado internacional. A novidade neste pregão foi a recuperação das ações do setor financeiro, grupo de maior peso na composição da carteira do Ibovespa, que voltou a subir depois de uma expressiva correção nos últimos dias.

Por trás desse maior apetite por ações está o restabelecimento do fluxo de recursos estrangeiros na Bolsa, dizem operadores e analistas. Mas esse fluxo, alertam, é frágil, de fácil retirada. Segundo os dados divulgados diariamente pela B3, já são cinco dias consecutivos de ingresso líquido de recursos externos à Bolsa. Com isso, o saldo negativo acumulado em maio, que chegou a ultrapassar os R$ 2 bilhões, agora está reduzido a R$ 253,9 milhões.

No acumulado do ano, o saldo líquido é positivo em R$ 4,1 bilhões. "O fluxo de R$ 4 bilhões acumulado no ano é um ponto importante na sustentação do Ibovespa e recentemente está bastante ligado ao câmbio atrativo, que deixa o mercado brasileiro interessante aos olhos do investidor estrangeiro. Mas é um dinheiro de especulação", disse Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

O chefe de análises da Planner Corretora, Mário Mariante, observa que os ingressos de recursos externos estão concentrados basicamente nas blue chips, ações de maior liquidez, que facilitam a saída de recursos conforme o cenário se modifica. "A bolsa está em alta hoje, mas com o mercado tateando algumas coisas preocupantes, como as tensões no mercado internacional e a questão política doméstica. Agora que os balanços corporativos se encerraram, devemos cair num vazio de notícias, que levará as atenções de volta às eleições", disse.

No noticiário macro doméstico, o destaque do dia foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que recuou 0,74% em março ante fevereiro. O índice de atividade do Banco Central se soma a outros indicadores econômicos que vêm sinalizando para um aquecimento econômico mais lento que o esperado no início do ano. Com o resultado do IBC-Br, o Bank of America Merrill Lynch revisou para baixo a projeção de crescimento da economia do Brasil em 2018, de alta de 3% para expansão de 2,1%.

Internacional

Mais cedo, a cautela com o risco de medidas extremas da Itália pressionou a Bolsa de Milão, que recuou 2,32%. Já Londres, Frankfurt e Paris subiram 0,15%, 0,20% e 0,26%, respectivamente, com empresas exportadoras beneficiadas diante do euro e da libra mais fracos. No câmbio, o euro ficou mais pressionado pela manhã, também por causa dos sinais da política italiana, mas a pressão diminuiu após os partidos negarem que tivessem tal plataforma em vista e ao anunciarem um acordo para o plano de governo.

Em Wall Street, o índice Dow Jones subiu 0,25%, a 24.769,07 pontos, o Nasdaq avançou 0,63%, a 7.398,30 pontos, e o S&P 500 teve alta de 0,41%, a 2.722,47 pontos. O balanço forte da Macy's impulsionou o setor de varejo, com a ação da empresa em alta de 10,81%. Alguns papéis do setor de tecnologia também se saíram bem. As bolsas de Nova York ainda monitoraram os passos de EUA e China na questão comercial.

A notícia de que o assessor Peter Navarro, da Casa Branca, não deve participar dessas conversas pode ter ajudado o humor, diante da retórica claramente protecionista dele. Já Liu He, negociador-chefe da China em Washington nesta semana, mostrou-se otimista sobre as chances de um acordo. Após oscilar mais cedo, o petróleo fechou em alta, de olho nos sinais de oferta e demanda e também nos estoques dos EUA, que recuaram acima do previsto.