Correio do Povo | Notícias | BNDES publica estudo para mostrar que não teve culpa na greve dos caminhoneiros

Porto Alegre

29ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, terça-feira, 13 de Novembro de 2018

  • 15/06/2018
  • 13:17
  • Atualização: 13:30

BNDES publica estudo para mostrar que não teve culpa na greve dos caminhoneiros

Acusações surgiram após início dos protestos, que impactaram economia

Acusações surgiram após início dos protestos, que impactaram economia | Foto: Vanderlei Almeida / AFP / CP Memória

Acusações surgiram após início dos protestos, que impactaram economia | Foto: Vanderlei Almeida / AFP / CP Memória

  • Comentários
  • AE

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) publicou em seu site um estudo mostrando que não há evidência suficiente para a acusação de que teria sido um dos estopins para a greve dos caminhoneiros, que durou dez dias e teve impactos graves na economia. Alguns economistas apontaram como a origem da greve a expansão da frota de caminhões ocorrida no período entre 2009 e 2015, quando vigorava o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que teria tido impacto no preço do frete para baixo, não deixando espaço para aumento de custos.

O frete, no entanto, segundo dados fornecidos ao BNDES pela Agência Nacional de Transportes (ANTT), entre 2011 e 2016 tinha preço médio de R$ 150,1 para distâncias médias de 800 quilômetros, valor superior aos R$ 140 em 2016. "Qualquer excesso de oferta deveria, a rigor, reduzir o preço relativo do produto. No entanto, nota-se que o preço relativo do frete não teve o esperado movimento baixista", explica o banco. "Não há evidência suficiente que ampare a existência de um significativo excesso de oferta de caminhões no Brasil", diz o estudo, informando que no período 2011-2017, a frota nacional de caminhões teve um incremento modesto, de 2,8% ao ano.

O PSI, criado em 2009 para estimular a produção após a crise de 2008, que reduziu em cerca de 20% os investimentos no Brasil, praticava taxas de juros variáveis, sendo a mais baixa verificada entre setembro e dezembro de 2012, de 2,5% ao ano, a mais criticada por economistas. A taxa porém foi sendo elevada gradativamente, até chegar em 2015 com 8% ao ano. Mesmo com a taxa baixa houve uma retração de 38% em 2012 na produção de ônibus e caminhões no País e os licenciamentos caíram 19%, informa o banco. O estudo cita um artigo do economista-sênior da LCA Consultores e pesquisador associado do Ibre/FGV, Bráulio Borges, que lembra um evento na passagem de 2011 para 2012 que provocou a antecipação da produção de caminhões.

Na época foi anunciada a transição obrigatória da tecnologia de motores a diesel por modelos menos poluentes, o que elevaria o custo de produção entre 15% e 20%. "Dessa maneira, houve forte antecipação da produção nos meses finais de 2011, com consequente queda a partir de 2012", explica o BNDES, afirmando que para compensar essa queda, a taxa de juros foi ajustada para 2,5% ao ano no quarto trimestre, contra 5,5% praticada no trimestre anterior. O banco admite porém que o BNDES elevou sua importância no escoamento da produção de ônibus e caminhões durante o PSI. Entre 2009 e 2015, o BNDES respondeu por pouco mais de 70% dos fluxos de financiamento para vendas de caminhões e ônibus. Com o fim do PSI e, posteriormente, a introdução da TLP, a participação do BNDES caiu para 58% no segmento.

O estudo ainda ressalta que o aumento de custos para os caminhoneiros, na verdade, ocorreu em 2018, com os sucessivos aumentos dos diesel. Desde julho de 2017 a Petrobras, dona de 98% do mercado de refino no Brasil, ajusta o preço do diesel e da gasolina em paridade com o mercado internacional. No caso do diesel a alta, antes da greve dos caminhoneiros, girava em torno dos 56%. "Os preços dos fretes não tiveram queda significativa, mas sim oscilaram em torno de uma média", afirma o estudo. "O desempenho frustrante da atividade, associado ao aumento dos custos de ocorridos recentemente, parecem hipóteses mais promissoras na explicação do fenômeno ocorrido nos últimos dias de maio", conclui o banco.