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Porto Alegre, sábado, 17 de Novembro de 2018

  • 05/07/2018
  • 18:27
  • Atualização: 18:37

Dólar atinge maior cotação desde 1º de março de 2016

Moeda norte-americana fechou pregão sendo vendida a R$ 3,93

Moeda norte-americana fechou pregão sendo vendida a R$ 3,93 | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

Moeda norte-americana fechou pregão sendo vendida a R$ 3,93 | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

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O dólar teve novo dia de valorização nesta quinta-feira e fechou cotado a R$ 3,9304 (+0,44%), o maior valor desde 1º de março de 2016 (R$ 3,9442), período em que a moeda subia em meio às expectativas pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A divisa norte-americana abriu a quinta-feira em baixa, mas engatou alta ainda pela manhã e renovou máximas após a publicação da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

A sinalização de que os juros vão seguir em elevação na maior economia do mundo manteve o dólar valorizado também frente a outras moedas globais. No mercado local, o Banco Central optou por novamente não fazer leilão extraordinário de contratos de swap, marcando o nono dia seguido sem esse tipo de operação. A falta de ação do BC tem gerando desconforto em alguns profissionais do mercado.

Assim como nos últimos dias, o BC fez apenas leilão de rolagem de contratos de swap que vencem em 1º de agosto, movimentando US$ 700 milhões. A própria ata do Fed citou a valorização do dólar ante o real, destacando que a moeda norte-americana vem se fortalecendo na economia mundial, notadamente ante países como Brasil, México, Argentina e Turquia. Este movimento, combinado com desdobramentos no cenário político, aumenta as preocupações com as "vulnerabilidades financeiras", segundo o documento.

Para o economista sênior do banco canadense TD Bank, James Marple, a ata do Fed reforça que os juros vão seguir em alta, de forma gradual, apesar de o BC americano ter alertado para riscos que podem vir da ampliação da tensão comercial na economia mundial. Essas incertezas, ressalta Marple, ainda não são suficientes para atrapalhar o plano de voo do Fed. Com a divulgação da ata, o dólar à vista bateu máximas e chegou a superar os R$ 3,94.

Na avaliação do gerente de câmbio do Ourinvest, Bruno Foresti, a tendência é que a moeda dos EUA siga se apreciando aqui, refletindo, entre outros fatores, o cenário externo e a expectativa de alta de juros pelo Fed. Ele destaca que tanto os dados recentes do BC sobre o fluxo cambial quanto a avaliação das taxas do cupom cambial (juro em dólar) sinalizam que não está faltando liquidez no mercado à vista para investidores que queiram sair do Brasil.

Pela manhã, profissionais de câmbio mencionaram que alguns estrangeiros estavam procurando dólar para sair do País. Com isso, a taxa do cupom subiu para 3,15% hoje ante 3,05% da última quarta-feira. Foresti ressalta, porém, que o movimento não é preocupante por enquanto.Nesta sexta-feira, a expectativa é de novo pregão de poucos negócios, por conta do jogo do Brasil contra a Bélgica, às 15h. "Na prática, o mercado vai ter negócios até umas 14h", disse um operador.

Bovespa

A cautela diante das incertezas dos cenários interno e externo levou o investidor do mercado brasileiro de ações a optar por recolher os lucros obtidos recentemente, interrompendo uma sequência de altas do Índice Bovespa que se estendeu por cinco pregões consecutivos. O índice chegou a subir moderadamente pela manhã, ainda sob o efeito do noticiário corporativo positivo da véspera, mas cedeu a uma discreta correção. Ao final dos negócios, marcou 74.553,06 pontos, em baixa de 0,25%.

Embraer, Petrobras e Eletrobras foram os principais destaques de baixa, um dia depois de terem sido impulsionadas por eventos específicos que melhoraram o humor do investidor. No cenário internacional, a alta das bolsas na Europa e nos Estados Unidos foi influência positiva, mas não o suficiente para incentivar novas compras. Internamente, a questão eleitoral permaneceu como um pano de fundo desconfortável, principalmente depois da sinalização de maior apoio de partidos de centro à candidatura de Ciro Gomes (PDT).

O principal destaque do dia foi Embraer, que pela manhã confirmou as expectativas da véspera e divulgou o memorando de entendimentos firmado com Boeing para a criação de uma joint venture para atuar no segmento de aviação comercial. Na formação da nova empresa, a Boeing terá 80% e a empresa brasileira responderá por 20%. O negócio tem valor de US$ 4,75 bilhões e a Embraer deverá receber US$ 3,8 bilhões da companhia americana.

A ação da companhia de aviação brasileira, que havia subido mais de 3% na quarta-feira, já na expectativa pela concretização do negócio, nesta quinta-feira despencou 14,29% e respondeu pelo segundo maior volume de negócios da B3 (R$ 531,6 milhões). Analistas atribuíram as perdas das ações a um movimento essencialmente de realização de lucros, embora justificado por dúvidas reais quanto aos detalhes do negócio.

"Ainda pairam incertezas no ar, uma vez que os investidores não tiveram uma visão muito clara do acordo. Uma das questões importantes é a necessidade de aprovação por parte dos órgãos reguladores no Brasil e nos Estados Unidos. O Cade nem sempre tem sido "friendly" com as empresas em suas decisões", disse Shin Lai, estrategista e analista da Upside Investor.

Com oscilações não tão expressivas quanto as da Embraer, mas com peso maior na composição do Ibovespa, as ações da Petrobras recuaram 2,99% (ON) e 3,20% (PN) e exerceram influência importante na queda do Ibovespa. As ações haviam subido entre 4% e 5% na véspera, embaladas pela notícia do destravamento do leilão do excedente da cessão onerosa. Hoje, segundo operadores, pegaram carona na queda dos preços do petróleo e passaram por realização de lucros. Por fim, Eletrobras ON e PNB cederam 8,60% e 6,15%, devolvendo apenas parte dos ganhos da véspera, em reflexo do avanço do processo legislativo para permitir a venda das distribuidoras da companhia ainda este mês.

Taxa de juros

Os juros futuros fecharam a sessão regular desta quinta-feira, 5, em alta, pressionados principalmente pelo desconforto com o patamar do câmbio, num dia em que o principal evento da agenda foi externo, a ata do Federal Reserve, mas que não teve muito efeito direto sobre as taxas. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 terminou em 6,910%, de 6,849% na quarta=feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2020 subiu de 8,37% para 8,44%. A taxa do DI para janeiro de 2021 encerrou a 9,41%, de 9,32% no ajuste de quarta, e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 10,77%, de 10,64%.

Pela manhã, fatores técnicos relacionados ao leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) já puxavam as taxas para cima, mas, mesmo depois da operação, os juros mantiveram-se em alta. Segundo profissionais da renda fixa, na semana passada o Tesouro havia sinalizado que poderia fazer o leilão tradicional a depender das condições do mercado, mas só confirmou a operação nesta manhã, após a pesquisa de demanda nas mesas. "Essa indefinição trouxe um pouco de estresse ao mercado", afirma um broker. O Tesouro vendeu integralmente o lote de 3,5 milhões de títulos.

Além disso, com o dólar já instalado acima dos R$ 3,90, o mercado retoma as preocupações com a política monetária, acentuadas pelo fato de que o Banco Central não tem atuado com leilões extraordinários no câmbio. Na curva a termo, a precificação para a Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto já aponta 100% de chance de aumento de 0,25 ponto porcentual, ante 70% na quarta-feira.