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  • 26/07/2018
  • 18:58
  • Atualização: 19:07

Pior fase da turbulência financeira já passou, diz Guardia

Ministro da Fazenda ressaltou importância de reformas para manter estabilidade de mercados internacionais

Ministro ressaltou papel das reformas para estabilidade de mercados internacionais | Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / CP Memória

Ministro ressaltou papel das reformas para estabilidade de mercados internacionais | Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / CP Memória

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  • Agência Brasil

A pior fase da turbulência financeira brasileira já passou, disse nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que está em viagem à África do Sul. Em áudio divulgado pela assessoria da pasta, ele declarou que os mercados internacionais se ajustaram depois de várias semanas de instabilidade e ressaltou que o governo deixou de intervir no câmbio.

“Vivemos um momento de alta volatilidade no câmbio e nos juros. Nas últimas quatro semanas, não teve nenhuma intervenção no mercado de juros e de câmbio (oferta de novos contratos de venda de dólares no mercado futuro, swap cambial) e voltamos à normalidade. O CDS (risco país) está em baixa, os juros futuros caíram, o câmbio se estabilizou”, declarou o ministro, que participa da reunião de cúpula do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – em Joanesburgo.

Segundo Guardia, a atuação da equipe econômica teve caráter excepcional, e o governo não pretende fixar um valor para o câmbio nem para os juros. “O Banco Central e o Ministério da Fazenda não definem nível de preço. A atuação só ocorre quando alguma disfuncionalidade no mercado”, acrescentou. Para o ministro, o caminho para manter a estabilidade no mercado consiste em prosseguir com as reformas estruturais.

O ministro da Fazenda ressaltou que o comunicado final do encontro representa um comprometimento com o equilíbrio fiscal para diminuir a vulnerabilidade das economias emergentes em meio a um cenário externo mais adverso. “No momento em que o mundo está indo para uma situação mais difícil, é muito importante reforçar as linhas de defesa. É fundamental que os países avancem nas reformas para ampliarem a capacidade de resistir a um cenário mais adverso. A gente conserta o telhado enquanto ainda está fazendo sol”, disse.

Para Guardia, no caso do Brasil, o principal problema da economia é o desequilíbrio fiscal, num país com os juros nos níveis mais baixos da história, inflação baixa e elevadas reservas internacionais. “Ninguém está falando em estímulo fiscal para crescimento econômico. Você precisa ter a situação fiscal sólida, arrumada para que possa enfrentar momentos de maior adversidade. Há momentos em que o mundo vai crescer mais, em que o mundo vai crescer menos. O Brasil precisa estar preparado para qualquer cenário”, ressaltou.

Leilão

O ministro classificou como bem sucedido o leilão de privatização da Cepisa, distribuidora da Eletrobras no Piauí. Segundo ele, o processo foi bem sucedido ao garantir a menor tarifa possível para o consumidor com compromisso de investimento. “O que eu quero chamar a atenção é: compromisso de investimento de mais de R$ 700 milhões numa empresa que precisa de investimento e o consumidor, na largada, vai pagar 8,5% a menos de preço de energia. Não é pouca coisa. Isso é extremamente importante”, ressaltou.

Em relação à privatização das outras cinco distribuidoras, Guardia disse que está aguardando o desbloqueio da liminar que impede o leilão da Ceal, distribuidora de energia da Eletrobras em Alagoas, para definir uma data para a venda. Ele disse que a data do leilão das outras quatro distribuidoras da estatal – que atendem Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia – só será definida depois que o Senado aprovar projeto de lei que saneia financeiramente essas empresas.

Eleições

Guardia confirmou que tem conversado com assessores econômicos dos candidatos e pré-candidatos à Presidência da República. Ele não quis revelar o conteúdo das conversas, mas disse que o governo está repassando dados e explicando as ações desenvolvidas nos últimos dois anos. “Queremos estar abertos para dialogar com os economistas para que eles possam ter o melhor debate possível. A gente acha que, quanto mais informação, melhor a qualidade do debate. Depois das eleições, teremos trabalho de transição que faremos da melhor maneira possível”, concluiu.