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  • 30/08/2018
  • 10:56
  • Atualização: 11:21

Brasil pede mais "movimentos" da UE nas negociações com o Mercosul

Acordo de livre comércio entre os dois blocos é discutido há quase 20 anos

Chanceler Alysio Nunes reiterou que avanços do Brasil na negociação andam lado a lado com os interesses da UE | Foto: Fethi Belaid / AFP / CP

Chanceler Alysio Nunes reiterou que avanços do Brasil na negociação andam lado a lado com os interesses da UE | Foto: Fethi Belaid / AFP / CP

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O Brasil espera mais "movimentos" do que os feitos até agora por parte da União Europeia nas longas negociações para um acordo de livre comércio com o Mercosul. "Esperamos um pouco mais, alguns movimentos além do que tem sido oferecido pela União Europeia até agora, especialmente no setor de bens agrícolas, acesso ao mercado", disse o chanceler Aloysio Nunes. "Da parte do Mercosul, a disposição é total. Nós temos feito avanços nessa negociação, nos aproximando muito dos interesses manifestados pela União Europeia", acrescentou.

Os dois blocos negociam o acordo há quase 20 anos e, apesar de ambos os lados do Atlântico manifestarem interesse em fechá-lo em breve, questões relacionadas ao acesso de produtos como carne e açúcar aos 28 países da UE ou acesso a carros europeus ainda precisam ser resolvidas para os mercados do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Os quatro países do Mercosul são potências de produção e exportação de alimentos e batem de frente com os interesses dos produtores agrícolas europeus, bem como dos defensores do meio ambiente. Nunes explicou que a cota oferecida pelo bloco europeu para a importação de 99 mil toneladas de carne e 150 mil de açúcar por ano do Mercosul "é bastante limitada" e pediu que "nenhuma tarifa seja aplicada dentro dessa cota". "Porque se não, é como se a cota não existisse", enfatizou.

Uma nova reunião dos blocos está prevista para setembro em Montevidéu, em nível técnico, na qual serão acrescentados os comissários de comércio europeus, Cecilia Malmström, e de Agricultura, Phil Hogan. O chefe da diplomacia brasileira, também responsável pelas negociações comerciais, manifestou a esperança de que o acordo possa ser concretizado dada a importância que tem para o Mercosul, a União Europeia e para o ambiente internacional, em tempos de crescente retórica protecionista e ameaças de guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

"Seria um acordo que vai afirmar os princípios de intercâmbio, do comércio internacional, vai na contracorrente do protecionismo que está ganhando terreno em muitos países da Europa", explicou. Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai iniciaram suas negociações com a UE em 1999 para conseguir um acordo de livre comércio, que, depois de ficar estagnado entre 2004 e 2010, recuperou o ímpeto com a chegada, em 2017, de Donald Trump à Casa Branca, com seus questionamentos aos processos de livre comércio existentes ou em processo de negociação.

Nova Unasul

O chanceler brasileiro também se posicionou sobre o futuro da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), depois que a Colômbia anunciou sua saída devido à sua "cumplicidade" com o governo venezuelano, segundo o grupo. "Nós somos a favor da manutenção da Unasul com um novo formato. Mais focada, 'des-ideologizada' e com métodos de gestão e de decisão que sejam mais eficazes", garantiu.

O Brasil, junto com Argentina, Colômbia, Chile, Peru e Paraguai, já havia decidido em abril suspender sua participação na Unasul, até que um novo secretário-geral fosse nomeado, substituindo o colombiano Ernesto Samper, que deixou o cargo em janeiro de 2017.

O bloco regional foi fundado em 2008, promovido pelos então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela.