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  • 27/05/2017
  • 16:07
  • Atualização: 14:59

Instituições de ensino buscam caminhos e investem na melhoria da qualidade de vida

Iniciativas evidenciam preocupação com cidades onde estão inseridas

Instituições de ensino buscam caminhos e investem na melhoria da qualidade de vida  | Foto: Manoela Andrade / Colégio Farroupilha / Divulgação / CP

Instituições de ensino buscam caminhos e investem na melhoria da qualidade de vida | Foto: Manoela Andrade / Colégio Farroupilha / Divulgação / CP

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A atuação das instituições de ensino está cada vez menos restrita a seus muros. De placas de ruas coloridas por crianças à participação no Plano Diretor do município, iniciativas em todo o Estado evidenciam a preocupação de escolas e de universidades com a melhoria da qualidade de vida das cidades onde estão inseridas.

#DAESCOLAPRAVIDA

Desde a Educação Infantil, os alunos já podem ser incentivados a atuar na mobilidade urbana. É o que mostra o movimento #daescolapravida do Colégio Farroupilha, da Capital, em que estudantes de todos os níveis participam de ações que visam à conscientização e à mudança de atitude dos alunos e de suas famílias. No projeto “Se essa rua fosse minha”, realizado em 2016, por exemplo, alunos do quarto ano do Ensino Fundamental confeccionaram placas coloridas para sinalizar alguns bairros de Porto Alegre. Em outro projeto, Curativos Urbanos, as crianças colaram curativos gigantes nas calçadas para chamar a atenção para desníveis, acúmulo de lixo e entulhos que atrapalham os pedestres.

“Nossa maior dificuldade hoje é a conscientização de toda a comunidade”, destacou a diretora pedagógica da escola, Marícia Ferri. Ela explica que o colégio trabalha, atualmente, com atividades de conscientização sobre segurança no trânsito para a Educação Infantil, que envolvem projetos de todas as disciplinas. Por meio dos alunos, as ações também afetam as suas famílias. Nesse sentido, o colégio também conta com oficinas de trânsito livre, nas quais o auditório é decorado para simular uma cidade, onde os alunos das séries iniciais, juntamente com seus familiares, assumem o papel de pedestres e de motoristas. “A gente identifica que muitas crianças sinalizam para os pais o que é certo e o que não é certo no trânsito”, afirmou Marícia. Para a diretora, a fiscalização no trânsito deve partir, primeiramente, dos próprios usuários, e é isso que busca com os projetos.

Redução no uso de carros

Localizada no município de Lajeado, a Univates investe em programas que objetivam diminuir o deslocamento de carro pelos alunos. Uma das iniciativas é o Bicivates, que completou três anos no dia 21 de maio. O projeto disponibiliza gratuitamente 120 bicicletas aos mais de três mil usuários cadastrados. A partir da média do uso pelos estudantes - 23 utilizações por dia -, estima-se que já foram percorridos 32 mil quilômetros. De acordo com a universidade, se essa quilometragem fosse por um carro a gasolina, seriam necessárias 225 árvores para neutralizar a emissão de gás carbônico, um total de 2.700 mil quilogramas por ano.

Além disso, com oito anos de atividades, outra proposta realizada pela Univates é o Projeto Carona. Por meio do site da instituição, alunos, professores e funcionários podem buscar colegas cadastrados com horários e trajetos compatíveis para dividir o carro. O sistema visa a diminuir a poluição causada pelos veículos na cidade, além de permitir aos usuários conhecerem novas pessoas e economizar nos gastos com deslocamento.

Em outro projeto na área, sete estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo participam como voluntários da elaboração de um novo Plano Diretor do município, já que o plano vigente é de 2006. “Os alunos poderão participar das etapas de análises e diagnósticos da cidade e também auxiliar na organização das reuniões comunitárias e das audiências públicas, que ocorrerão nos próximos meses”, afirma a coordenadora do projeto na universidade, Luciana Fauri Cartano.

Universidade educadora

Com um projeto vinculado ao movimento internacional Cidades Educadoras, a Universidade de Passo Fundo (UPF) celebrou em maio o primeiro ano das atividades sobre mobilidade urbana. O programa é focado na ampliação da participação social, na revitalização dos espaços públicos e no impacto das ações em crianças e em idosos, como explica o coordenador da iniciativa, professor Marcio Tascheto, coordenador da Divisão de Extensão da universidade.

“O Programa UniverCidade Educadora surgiu de uma provocação de pensar a mobilidade urbana de forma coletiva, de várias intuições e cidadãos interessados no tema”, relata Tascheto, acrescentando que em 2011 a universidade realizou o primeiro Fórum de Mobilidade Urbana e Educação, que reuniu profissionais, entidades e cidadãos para discutir políticas públicas para a cidade.

Atualmente, três projetos integram a iniciativa. O Circulando Cidadania envolve três diferentes ações: divulgação sobre diferentes formas de deslocamento na cidade, mobilidade em relação às escolas e qualificação de instrutores de trânsito. As iniciativas incluem a produção do programa Vidas em Movimento (em convênio com a UPFTV), as Rotas Literárias, vinculadas à Jornada Literária, e a formação e atualização dos instrutores, em parceria com o Detran.

O projeto Descaminhos da Escola, juntamente com Faculdade de Engenharia e Arquitetura, objetiva motivar mais pessoas a se deslocarem a pé, a partir da criação de rotas escolares. O projeto está dialogando com duas escolas parceiras para que seja desenvolvida uma metodologia que cria um “ônibus humano”, uma organização que cria alternativas ao uso do carro individual. E o terceiro projeto é o Cidades Inteligentes busca melhorar a qualidade de vida, aproveitando os recursos e serviços de que a cidade dispõe a partir do uso da tecnologia da informação.

Para Tascheto, a vinculação das instituições de Ensino com suas cidades vai além do territorial e ele destaca a necessidade da formação de alunos mais conectados ao local onde vivem. “Cidades educadoras são cidades que intencionalmente pensam em atividades educacionais com o pressuposto de que o território urbano é um território pedagógico”, define.

Para este segundo semestre, a universidade já prepara o I Encontro das Cidades Educadoras e Inteligentes no Planalto Médio. O evento irá contar com a presença da coordenadora latino-americana da Associação Internacional das Cidades Educadoras, Laura Afonso, e dos representantes da Rede Brasileira das Cidades Inteligentes, do Canal Futura e da ONG Portal Aprendiz, de São Paulo. O encontro vai acontecer nos dias 13 e 14 de setembro.

Movimento internacional

O programa internacional Cidades Educadoras teve início na década de 1990 a partir da publicação de uma carta que definiu os princípios e os compromissos do movimento. O principal objetivo é auxiliar os governos a implementarem medidas ligadas à educação, à equidade e aos direitos humanos. Atualmente, mais de 480 cidades em 36 países do mundo inteiro - sendo dezesseis delas no Brasil - aderem à causa e formam a Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE).