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  • 21/12/2018
  • 22:33
  • Atualização: 22:37

Desempenho dos alunos da rede pública melhora, mas segue baixo no RS

Menos de um terço tem proficiência em Português e 13,3%, em Matemática

Menos de um terço tem proficiência em Português e 13,3%, em Matemática | Foto: Guilherme Testa / CP Memória

Menos de um terço tem proficiência em Português e 13,3%, em Matemática | Foto: Guilherme Testa / CP Memória

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O baixo desempenho dos alunos da rede pública estadual em Língua Portuguesa e Matemática será um desafio para a próxima gestão do Rio Grande do Sul. O resultado do Sistema de Avaliação Escolar (Saers) de 2018, divulgado nesta sexta-feira pela Secretaria Estadual da Educação (SEC), mostra que menos de um terço dos alunos do 1º ano do Ensino Médio têm proficiência adequada em Língua Portuguesa; e, em Matemática, são apenas 13,3%.

Aplicado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Saers avaliou, em 2018, mais de 244 mil estudantes no RS, no 3º e no 6º ano do Ensino Fundamental; e no 1º ano do Ensino Médio.  “Quando entrei na gestão, em 2017, fiquei chateado com os resultados de 2016; e, agora, fico feliz com a melhoria nestes dois anos. Como cidadão, não estou satisfeito com os resultados de 2018, mas já começamos a ver um caminho a ser seguido”, considerou o secretário Ronald Krummenauer.

No 3º ano do Ensino Fundamental, a média obtida foi de 624,4 pontos, em Língua Portuguesa; e de 518,6, em Matemática, em uma escala que vai até 800. Porém, não há dados relativos ao 3º ano em 2016, pois, na época, avaliava-se o 2º. Já no 6º ano, os estudantes passaram, em Língua Portuguesa, de 212,7 pontos, em 2016, para 219,7, em 2018; e, em Matemática, de 217,2, para 223,0, em uma escala que vai até 500. Neste ano, 14,5% dos estudantes ficaram abaixo do básico em Língua Portuguesa, enquanto 7,8% tiveram proficiência avançada. E em Matemática, foram 25,7% no nível mais baixo; e 7,1%, no mais alto.

Em relação ao Ensino Médio, cuja escala também vai até 500, houve um avanço mais significativo na média, passando de 237,8, para 255,9, em Língua Portuguesa; e de 246,4, para 258,8, em Matemática. Porém, 19% dos estudantes tiveram desempenho abaixo do básico em Língua Portuguesa; e mais de um terço (35,4%), em Matemática. E o nível mais alto foi alcançado por apenas 4,4% e 1,5%, respectivamente.

Na avaliação do secretário, o baixo desempenho na rede é influenciado, sobretudo no Ensino Médio, por vários fatores externos, como a situação econômica do Estado, a renda familiar, a distorção idade-série e a evasão escolar, causada, por exemplo, pela gravidez na adolescência ou por envolvimento com drogas. Além disso, o secretário considera que a educação, no Brasil, foi “abandonada por décadas”; e que, embora muitos governos apontem o ensino como prioridade, alguns não sabem, de fato, como lidar com os problemas.

Apesar das dificuldades, o secretário Ronald destaca iniciativas da Secretaria da Educação para melhorar os resultados, como intervenções pedagógicas realizadas nas escolas que tiveram os piores resultados em 2016. A diretora do Departamento Pedagógico da SEC, Sônia Rosa, explica que essas ações foram realizadas junto às Coordenadorias Regionais, desenvolvendo um plano de ação para cada escola, a partir de quatro focos: gestão pedagógica, aprendizagem, metodologia e avaliação.

Em seus últimos dias no cargo, o secretário considera que, em 2019, um dos principais desafios para a próxima gestão será a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Referencial Curricular Gaú-cho, uma vez que a construção dos currículos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental acontecerá ao mesmo tempo em que será elaborado o Referencial para o Ensino Médio.