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  • 01/02/2012
  • 09:35
  • Atualização: 23:50

Expedição chega à Terra do Fogo, no extremo Sul da América

Correio do Povo acompanha viagem à Patagônia Chilena

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  • Danton Júnior / Correio do Povo

Ao atravessar o estreito que mais tarde seria batizado com seu nome, Fernão de Magalhães avistou, em 1520, uma ilha onde ardiam muitas fogueiras. As chamas eram produzidas pelo índios Selknam, também conhecidos como Onas. Por esse motivo, o pedaço de terra no extremo Sul da América recebeu o nome de Terra do Fogo. Um dos principais destinos turísticos do continente, esse território situado entre Chile e Argentina oferece uma paisagem composta por bosques, lagos, rios e geleiras, com alguns pontos quase inexplorados pelo homem.

"Naquela época, quando as cartas náuticas eram feitas, se tratava de colocar nomes que inspiravam medo. Fizeram o mesmo com o Cabo das Tormentas, por exemplo", explica o guia de expedição Enrique Seoane. "Portugal pensaria duas vezes antes de navegar em um local chamado Terra do Fogo."

Partindo de Punta Arenas pelo Estreito de Magalhães, em direção ao Sul, o cruzeiro Stella Australis chegou no segundo dia de viagem ao Glaciar Marinelli, localizado na Baía Ainsworth, à beira do fiorde Almirantazgo. Com paredões de gelo que chegam a quase 40 metros de altura, essa é a maior geleira da região. Ela integra a Cordilheira Darwin, um dos principais atrativos da Terra do Fogo. Trata-se de uma cadeia que se estende por campos de gelo que descongelam nas montanhas em direção aos rios e canais, propiciando um espetáculo bonito de ser observado. Com o auxílio de botes Zodiac, é possível chegar muito próximo do Glaciar Marinelli, após subir uma pequena trilha. Devido ao difícil acesso, é recomendado aos turistas utilizar botas impermeáveis.

Seguindo pelo braço oeste do Canal Beagle, a Avenida dos Glaciais oferece uma paisagem formada por cinco grandes geleiras em sequência: Romanche, Alemanha, França, Itália e Holanda.

                                       Cruzeiro possibilita contato com fauna patagônica / Foto: Danton Júnior / Especial / CP

População indígena desapareceu

A fogueira era uma forma de os indígenas se protegerem do frio da região, uma vez que usavam poucas roupas. Mesmo canoas utilizadas para a pesca continham chamas para aquecer os seus ocupantes. Entre as principais tribos havia os yaghanes (ou yamanás), que ocuparam a região do Canal Beagle há 6,5 mil anos, e os selk'nams (ou onas), "descobertos" por Magalhães e presentes na Ilha Grande Terra do Fogo a partir de 8 mil anos atrás.

Apesar da ligação histórica com os indígenas, hoje não é mais possível avistar os antigos nativos da região. Após a chegada dos colonizadores brancos, já no século XIX, as tribos foram sendo sistematicamente eliminadas. "Eles desapareceram por muitas causas, principalmente as doenças, que chegaram pelos pioneiros. Também houve um genocídio ativo por parte dos grandes estancieiros, além do álcool, que entrou de maneira muito fácil nas tribos", conta Seoane. Esse processo ocorreu de forma tão rápida que entre 1850 e 1924 a população indígena na Terra do Fogo caiu de 10 mil para apenas 273. Entre os yamanás, apenas uma descendente, hoje com 83 anos, está viva.

Cruzeiro possibilita contato com fauna patagônica

Além da paisagem natural, fazer um cruzeiro pela Patagônia e Terra do Fogo propicia contato com uma fauna de características únicas. Uma das principais atrações, que se tornou um símbolo da região, é o pinguim magalhânico. Simpático, o animal costuma "posar" para fotos de turistas que o visitam em locais como as Ilhotas Tucker, onde uma colônia da espécie chega a cada primavera para reproduzir-se. Transportados por um bote, os visitantes podem chegar a poucos metros dos locais de maior concentração do pinguim.

A espécie foi mencionada pela primeira vez em 1520, durante a expedição de Fernão de Magalhães. O pinguim magalhânico pode ser encontrado desde a Terra do Fogo até o Brasil, pelo Oceano Atlântico, e Peru, pelo Oceano Pacífico. Os destinos são alcançados em migração por águas mornas de mais de 6 mil quilômetros.

Além do seu principal mascote, a fauna da Patagônia é formada por 198 espécies de aves. Segundo o guia Marcos Cordenas, o condor e o pica-pau magalhânico estão entre as principais atrações. "Recebemos visitas de ornitólogos que vêm para cá atrás de aves específicas", explica. Símbolo nacional refletido no escudo do Chile, o condor é o mais famoso entre os abutres. "É a maior ave que se encontra no continente, com envergadura de até três metros."

As muralhas das Ilhotas Tucker servem de abrigo para uma espécie bastante peculiar: o cormorão das rochas, que, como o nome indica, constrói os seus ninhos nestes locais. Trata-se de uma ave costeira e excelente mergulhadora, que alimenta-se preferencialmente de peixes. A presença do elefante marinho na Baía Ainsworth, por sua vez, chama a atenção pelo grande porte do animal. Seu peso pode passar de um tonelada. E, apesar de aparentar preguiça, pode se movimentar com rapidez. Tanto que, para evitar perigo, não é permitido que os turistas cheguem perto do animal.

O Correio do Povo participa de uma viagem à Patagônia Chilena e à Terra do Fogo a convite do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur). O percurso a bordo do cruzeiro de expedição Stella Australis encerra-se nesta terça-feira, no Cabo Horn (ou Cabo de Hornos). A visita à região, porém, continua por terra até o Parque Nacional Torres del Paine.

Acompanhe a expedição à Patagônoa no site do Correio do Povo

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