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  • 03/02/2012
  • 10:27
  • Atualização: 13:10

Expedição chega à cidade mais ao Sul do planeta

Puerto Williams tem apenas 2,3 mil habitantes, a maioria oficiais da Marinha

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  • Danton Júnior / Correio do Povo

À primeira vista, Puerto Williams parece uma cidade-fantasma. Nas ruas quase não se vê movimento, enquanto na beira do Canal Beagle pequenas embarcações abandonadas formam um cenário assustador. São apenas 2,3 mil habitantes - mais da metade, oficiais da Marinha -, sendo que, durante o inverno, muitos vão embora devido à falta de oportunidades. Conhecer esses moradores, no entanto, é uma chance de desfrutar da hospitalidade chilena em plena cidade considerada por eles a mais austral (ao sul) do mundo.

Acompanhe a expedição à Patagônoa no site do Correio do Povo

Distante dois mil quilômetros de Santiago, a cidade sofre com a falta de acesso a alguns serviços públicos e com os preços altos. Morador mais antigo de Puerto Williams, onde vive há 50 anos, Alejandro Nielsen, de 77 anos, acompanhou boa parte da evolução do pequeno povoado.

Embora reconheça que muitos problemas persistem, ele diz que nunca pensou em sair. "Minha mulher quer voltar para Punta Arenas porque é de lá, mas eu não vou", garante o morador, que durante boa parte da vida trabalhou com criação de gado bovino.

Ir para Santiago, só se for para ver o Colo-Colo, seu time do coração. Foi assim em 1986, quando, a convite do próprio clube, visitou a capital chilena pela primeira e única vez. "Vieram da televisão nacional perguntar o que ele mais queria, já que morava tantos anos aqui. Levaram-no a Santiago e o presidente do Colo-Colo mandou as passagens para ele", conta a filha Molena. De tão fanático, nomeou a ovelha de estimação de Suazo, mesmo nome de um ex-jogador do time.

Descendente de noruegueses, Nielsen viveu uma época que hoje só existe nas lembranças - como o convívio com índios yamanás, em vias de extinção. "Morava em uma fazenda com meus pais e todos os índios passavam com as canoas, na Ilha Hoste. Era um convívio normal. Os índios eram bons. Agora quase já não há índios, os que tem são mestiços", explicou ele, ao receber jornalistas brasileiros em sua casa em uma tarde fria de verão.

Hoje, o que Nielsen mais gosta de fazer é sentar em frente a sua casa e conversar com os turistas. E, com a experiência de quem viu crescer a cidade mais austral do mundo, ele destaca a necessidade de evolução. "A recomendação que eu faço às pessoas daqui é que atendam bem aos turistas, porque eles sempre nos saúdam", destacou.

Atrativos

O Museu Martín Guide, que conta em detalhes a história dos índios que habitaram a região, é uma das atrações da pequena cidade. Um atrativo histórico, a dois quilômetros da cidade, é a Vila Ukika, onde encontram-se remanescentes dos índios yamanás.

Já o circuito Dientes de Navarino de trekking, que atrai esportistas de todos os continentes, é considerado um dos melhores do planeta. A vida noturna da "última cidade do mundo", embora não seja agitada, pode reservar surpresas. A teoria de isolamento cultural cai por terra quando se ouve jovens chilenos cantando músicas de Michel Teló. Com ambiente de inspirado nos pubs, mas reforçado por uma lareira, o bar Arbol é um dos pontos de encontro da cidade, onde o repertório inclui rock, música tradicional e também brasileira.

Nem todos consideram Puerto Williams a cidade mais ao sul do mundo. Para os argentinos, esta denominação cabe a Ushuaia, situada no país vizinho. O guia de navegação chileno Martin Draxler diz que a Argentina não vê Puerto Williams como uma cidade devido ao seu pequeno tamanho - Ushuaia tem 65 mil habitantes. "Nós vivemos mais ao sul, mas eles têm o título de cidade mais austral do mundo", afirma. "Mas não temos rivalidade com ninguém, eles é que têm rivalidade conosco", brinca.

O Correio do Povo participa de uma viagem à Patagônia Chilena e à Terra do Fogo a convite do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur). O percurso a bordo do cruzeiro de expedição Stella Australis encerrou na terça-feira, no Cabo Horn (ou Cabo de Hornos). A visita à região, porém, continua por terra até o Parque Nacional Torres del Paine.

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