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  • 19/08/2013
  • 13:12
  • Atualização: 13:31

Escavação no Centro descobre alicerces de antiga cadeia de Porto Alegre

Estrutura foi localizada entre Riachuelo e Duque de Caxias, próxima à Usina do Gasômetro

Parte de alicerce encontrada pertencia à Casa de Correção  | Foto: Vinícius Roratto

Parte de alicerce encontrada pertencia à Casa de Correção | Foto: Vinícius Roratto

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  • Mauren Xavier / Correio do Povo

Junto a uma das obras mais polêmicas de Porto Alegre, o alargamento da avenida Edvaldo Pereira Paiva, nas proximidades da Usina do Gasômetro, a escavação do solo possibilitou a localização de uma parte da história da capital gaúcha. Foram encontradas duas linhas de alicerces que pertenciam à Casa de Correção, como era chamada a antiga cadeia de Porto Alegre. Ela estava localizada no final das ruas Riachuelo e Duque de Caxias, e passava quase ao lado do Gasômetro.

“Construída no século XIX, a estrutura foi demolida no início da década de 60, dando espaço para a praça Júlio Mesquita”, explicou o arqueólogo Alberto Tavares, que acompanha o trabalho da equipe de engenharia responsável pela obra, contratada pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov).

Segundo ele, a descoberta dos pilares não representou uma surpresa, uma vez que há cerca de três anos, durante uma intervenção para a construção de uma linha de transmissão, foram encontrados alguns objetos referentes à estrutura. A expectativa, de acordo com o arqueólogo, é ainda maior.

A obra avança para o entorno da praça Brigadeiro Sampaio, onde fica o Museu do Trabalho. Nesta praça, ele acredita que será possível recolher pedaços de frascos, porcelanas e objetos de décadas atrás. “Antes de ser uma praça, abrigava várias casas, além de uma área para enforcamentos”, lembrou.

A descoberta feita na praça Júlio Mesquita não deverá atrasar o andamento da obra. “Como estamos acompanhando a intervenção desde o início, não será necessário parar os trabalhos, apenas haverá um isolamento temporário daquele trecho”, destacou, recordando que a equipe arquitetônica atua em parceria com a de engenharia neste empreendimento. Isso será necessário porque, apesar de a estrutura encontrada não ser retirada, ela será catalogada, com as informações fotográficas e descritivas.

“São muito grandes para a remoção, apesar de ser um pedacinho de uma estrutura bem maior e que impacta diretamente na vida de milhares de pessoas, mesmo não tendo nenhuma ligação com ela”, justificou. Por outro lado, destacou a importância da descoberta. Lembrou que a história tem passado cada vez mais rápido, ao mesmo tempo que a memória é muito curta. “Nosso cotidiano de hoje será o futuro. E conhecendo a história, poderemos compreender melhor as nossas origens”, avaliou.

Segundo ele, com os objetos encontrados é possível recontar o desenvolvimento da Capital. “A cidade guarda nela mesma e na sua população a sua própria história”, sinalizou.

Estrutura foi localizada entre Riachuelo e Duque de Caxias, próxima à Usina do Gasômetro / Foto: Vinícius Roratto

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