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  • 27/08/2016
  • 10:19
  • Atualização: 10:59

Gaúchos procuram oportunidades pelo Brasil e pelo mundo

Busca por melhores condições de vida é um dos motivos que estimula emigração no RS

Busca por melhores condições de vida é um dos motivos que estimula emigração no RS | Foto: Alina Souza

Busca por melhores condições de vida é um dos motivos que estimula emigração no RS | Foto: Alina Souza

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  • Felipe Dorneles

Aparentemente pode ser ruim, mas há outros olhares para esta perda de população. Sérgio Alebrandt, professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Desenvolvimento da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - Unijuí, diz que não é um cenário apenas negativo. “Pode-se viver bem, talvez até melhor, em uma cidade com menos habitantes do que se tinha há alguns anos. É preciso avaliar quais são as alternativas positivas para o futuro.” Segundo ele, quem fica deve verificar os motivos que levaram as pessoas a sair de sua terra natal e criar estratégias para resolver estes problemas. “Com os problemas resolvidos, os emigrantes podem se tornar imigrantes nas estatísticas, voltando às suas origens.”

• Melhores condições de vida levam gaúchos a deixar o RS

E, diante deste cenário, o que as regiões estão fazendo? Alebrandt comandou durante anos a Consulta Popular na região Noroeste Colonial. Ele lembra que o programa estadual não resolve o problema, mas gera discussões nas comunidades. “A população precisa pensar suas regiões”, ressalta. Ele entende que muito mais importante que a população votar nas prioridades, levando em conta que a população se mobiliza e o governo não executa, é a população participar dos planos estratégicos de desenvolvimento das regiões. O objetivo é gerar um impacto positivo nos problemas e nas causas que levam as pessoas a sair de suas cidades.

Estudo comprova hipóteses

O pesquisador Dr. Airton Adelar Mueller, da mesma universidade, diz que a migração pode ser justificada pela busca de oportunidades de desenvolvimento. Ele estuda as teorias de Amartya Sen acerca do desenvolvimento e entende que a capacidade de ação das populações locais está limitada.

Na década de 1950, antes da chegada das multinacionais ao Estado, as possibilidades de associação eram maiores, assim como as possibilidades de empreender. “Com uma estrutura produtiva externa, os players acabam gerando disparidade de poder o que reduz o controle social de desenvolvimento.” Mueller busca entender como as pessoas podem controlar o desenvolvimento a partir seu poder de agência, que é a capacidade de as pessoas interferirem no mundo. “Como as pessoas não conseguem agir localmente, elas acabam buscando outros lugares para pôr em prática seu poder de agência.”

O pesquisador destaca que esta é uma das possibilidades para explicar a migração. Amartya Sen relaciona o poder de agência com a capacidade dos indivíduos criarem oportunidades de desenvolvimento. Mueller analisou indicadores de desenvolvimento dos municípios e dados relativos à participação na Consulta Popular. Buscou demonstrar que o principal aspecto subjacente ao fenômeno migratório é a carência de oportunidades reais nos municípios perdedores de população. Os piores indicadores de desenvolvimento são, em média, aqueles do grupo que perdeu população. Isto significa que baixos indicadores de emprego/renda são acompanhados de altos índices de perda populacional.

A participação na Consulta Popular se deu de maneira mais intensa justamente nos municípios que perdem população. Diante disso, àquela parcela da população não absorvida pelas estruturas produtivas não resta outra alternativa senão buscar oportunidades longe de sua comunidade.