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Porto Alegre, sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

  • 06/12/2017
  • 08:50
  • Atualização: 13:47

BM cumpre reintegração de posse em residências do Minha Casa, Minha Vida

Mais de 390 famílias vivem em área invadida no Porto Seco

Cerca de 450 policiais militares cumprem reintegração de posse no Porto Seco | Foto: Guilherme Almeida

Cerca de 450 policiais militares cumprem reintegração de posse no Porto Seco | Foto: Guilherme Almeida

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  • Correio do Povo

A Brigada Militar cumpre, desde as 6h desta quarta-feira, a reintegração de posse de residências do Minha Casa, Minha Vida na região do Porto Seco, zona Norte de Porto Alegre. São 394 famílias que vivem há mais de um ano na área invadida.

A desocupação das casas - que pertencem ao programa da Caixa Econômica Federal - está sendo negociada desde que o grupo invadiu o local. Há pelo menos um mês, a BM e a Caixa já haviam combinado a data da operação. "Fizemos o planejamento da operação e chamamos a comunidade, pedindo que o pessoal saísse das casas sem nenhum transtorno e assim está sendo feito", explicou o major Glademir Otero, comandante do 20º Batalhão de Polícia Militar.

Até as 8h50min, a saída das famílias foi pacífica e não houve registros de confrontos. A operação conta com 450 policiais militares e está sendo apoiada ainda pela Polícia Federal, oficiais de Justiça federais e Conselho Tutelar.  "A ação foi tranquila e não teve resistência. Efetuamos um planejamento para não ter chance de reação", disse o comandante do GPI da Polícia federal, Haroldo Monteiro de Castro.

Morando há um ano na Ocupação Jenny, Iara de Souza, 51 anos, conta que assim que iniciaram as ordens judiciais, pedindo que as famílias saíssem do local, um advogado voluntário tratava a questão com a Caixa. Eles queriam pagar o valor das residências para poder  permanecer no local.

Sem o acerto entre moradores e o banco, Iara deixa hoje a casa com o marido e os filhos, de 9 e 11. Eles vão para a residência da sogra dela, no bairro Jardim Carvalho. "Minha preocupação é com a escola das crianças. Eles estudam aqui perto e agora precisarão de transporte para vir até o colégio", conta Iara, que está desempregada, assim como o marido.

Outra moradora que preferiu não se idenitificar acredita que tirar as famílias do local não vai adiantar nada. Para ela, com as casas vazias, é bem possível que criminosos ocupem o local.

Os pertences das famílias estão sendo transportados em 90 caminhões disponibilizados pela Caixa. Segundo a BM, os móveis e pertences dos moradores serão levados para os locais indicados pelas famílias. "A maioria das pessoas tem pra onde ir e estamos levando os pertences delas pra lá", diz o major.

A expectativa é de que a área esteja liberada por volta das 20h de hoje. Por meio de nota, a Caixa disse que, após desocupação, será feita vistoria nas unidades habitacionais. "Caso seja detectada alguma necessidade de reparo, o banco acionará a construtora responsável para recuperação das moradias.", explicou.

Confira a íntegra da nota da Caixa

"A Caixa Econômica Federal informa que adotou medidas cabíveis para reintegração de posse do empreendimento.

A CAIXA esclarece que a responsabilidade pelo cumprimento da decisão é do oficial de justiça e das forças de segurança pública.

A reintegração de posse tem objetivo de garantir o direito as famílias que se enquadrem dentro das regras, de acordo com os critérios estabelecidos pelo programa Minha Casa Minha Vida, para os quais os imóveis serão devidamente destinados.

Após a desocupação do empreendimento será feita vistoria nas unidades habitacionais pela CAIXA. Caso seja detectada alguma necessidade de reparo, o banco acionará a construtora responsável para recuperação das moradias.

Os imóveis serão entregues em plenas condições de habitabilidade."