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Porto Alegre, terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

  • 07/12/2017
  • 17:34
  • Atualização: 17:40

Moradores do bairro São José de Porto Alegre sofrem com transtornos após temporal

Chuva atingiu Capital entre madrugada e manhã desta sexta-feira

Moradores da rua da Represa sofreram com os transtornos do temporal ocorrido entre a madrugada e a manhã desta quinta | Foto: Mauro Schaefer

Moradores da rua da Represa sofreram com os transtornos do temporal ocorrido entre a madrugada e a manhã desta quinta | Foto: Mauro Schaefer

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  • Jessica Hübler

Seis meses após a tragédia que vitimou Karine Gonçalves, 32 anos, que foi levada pela força da chuva, os moradores da rua da Represa, bairro São José, zona Leste de Porto Alegre, sofreram com os transtornos do temporal ocorrido entre a madrugada e a manhã desta quinta-feira. Uma das vizinhas de Karine, Jussara Ortiz, 53 anos, disse que a cena da mulher com as mãos para cima sendo levada pela enxurrada nunca mais saiu de sua cabeça.

“Foi um trauma para todos nós. Toda vez que começa a chover, lembramos daquele junho triste. Tenho medo que aconteça a mesma coisa comigo, com meu filho ou com algum vizinho”, relatou ela, diante da água que corria, semelhante ao dia do fato. Jussara disse que, desde o ocorrido, os moradores da região se uniram e continuamente abrem protocolos junto ao DEP e à Smov, mas nada foi feito até então. A construção de uma galeria pluvial, conforme ela, poderia resolver o problema que vem se agravando há seis meses. “Foi prometido, mas não veio”, contou.

“Eles vêm aqui, tiram fotos, colocam cavaletes e não arrumam nada. Tem um valão que passa no meio da rua e a gente já tirou todo o lixo, mas tem tanta areia que, sempre que chove, alaga”, contou. O riacho que passa na ponta da rua da Represa também é um problema. Segundo Jussara, muitos acidentes ocorrem na região quando chove, porque além da água, existem muitos buracos na rua.

“Muito motoqueiro já caiu e também os carros acabam virando ou colidindo. A situação está cada vez pior e já virou rotina, toda vez que chove, temos estes problemas. Estamos abandonados”, destacou. Próximo à rua da Represa, funciona a escola Travassos Alves que, sempre que chove, precisa cancelar as aulas, pois as crianças não conseguem chegar à instituição de ensino. “E essa água ainda é suja, passa esgoto por aqui, imagina quantas doenças podemos pegar”, lembrou Jussara.

O comerciante Marcio Corrêa, 42 anos, alugou uma sala comercial, bem na beira do arroio e disse que a cratera está cada vez maior. “O temporal de junho abriu muito a borda do riacho e, cada vez que chove, fica maior. Não adianta colocar cavalete, eles sempre acabam sendo levados pelas águas e ninguém respeita os bloqueios”, afirmou.

O proprietário da sala alugada por Corrêa chegou a construir uma mureta para proteger o terreno do riacho mas, com a força das chuvas de ontem, a estrutura não foi suficiente. “Tive que passar a manhã inteira limpando, entrou muita água e lama aqui dentro. Perdi equipamentos de clientes, vou ter muito prejuízo”, lamentou Corrêa.

Relembre a tragédia

Karine desapareceu após um deslizamento de terra que atingiu sua casa na rua da Represa, durante temporal ocorrido 8 de junho deste ano. O corpo dela foi localizado, seis dias depois, por um pescador nas águas do Guaíba e trazido até as proximidades do Anfiteatro Pôr do Sol, no arroio Dilúvio.

O pescador da Ilha da Pintada, Paulo Ricardo Ribeiro avistou o corpo de Karine boiando no Guaíba. Ele, então, impediu que as águas levassem o corpo e o conduziu até próximo às margens do Parque Marinha do Brasil, a cerca de 8 quilômetros do local de onde ocorreu o acidente.