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  • 16/12/2017
  • 11:10
  • Atualização: 11:41

Obras para duplicação da ERS 118 seguem sem previsão de término

Constantes promessas na rodovia perpassam governos, mas não saem do papel

Obras para duplicação da ERS 118 seguem sem previsão de término | Foto: Alina Souza

Obras para duplicação da ERS 118 seguem sem previsão de término | Foto: Alina Souza

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  • Luciamen Winck e Mauren Xavier

Entra governo, sai governo, as promessas se repetem, mas a duplicação da ERS 118 no trecho entre Sapucaia do Sul e Gravataí não sai do papel. E o desafio de trafegar pela rodovia vai além deste trecho, com dificuldades que se estendem até Viamão

Iniciadas em 2006, as obras de duplicação do pior trecho da ERS 118, entre Sapucaia do Sul e Gravataí, já completaram mais de uma década. E não há qualquer indício de que sejam finalizadas nos próximos meses. Por conta disso, está cada vez mais difícil trafegar pela 118, ou a rodovia Mário Quintana, que liga a BR 116, em Sapucaia do Sul, ao distrito de Itapuã, em Viamão, cruzando pela BR 290 e pelas ERS 020, 030 e 040, estradas que ligam a Porto Alegre ao Litoral Norte. A bem da verdade, é um grande desafio cruzar por trechos com intervenções intermináveis, recheados de crateras e rachaduras.

A estrada, com pouco mais de 80 quilômetros de extensão, oferece riscos a condutores e pedestres. São tantos solavancos, desníveis e desvios que é difícil percorrê-la de ponta a ponta em menos de 4 horas. Para se ter uma ideia, precisa-se de 3 horas e 41 minutos no deslocamento de 289 quilômetros que separam Porto Alegre de Passo Fundo, a uma velocidade média de 78,5 km/h. A demora deve-se à necessidade de atenção redobrada ao volante. Afinal, além dos buracos, a sinalização é precária e o pavimento termina no trecho entre Viamão e Itapuã.

Isso sem falar que quem trafega no sentido Sapucaia do Sul-Viamão fica completamente perdido quando chega ao cruzamento com a ERS 040. No local não há nenhum indicativo de continuidade da ERS 118 e é preciso procurá-la. O condutor deve ingressar à esquerda na 040 e trafegar 100 metros em direção ao Litoral até reencontrá-la, à direita. É justamente neste trecho que o poeta sai de cena. O nome da rodovia muda de acordo com os quilômetros percorridos. É chamada de rodovia Coronel Acrísio Martins Prates, rua Arthur José Gatino, estrada Cantagalo.

Crise de Identidade 

A crise de identidade não é o único problema. Até o traçado da ERS 118 mudou por conta da Copa do Mundo, já que um hotel da região abrigou a seleção do Equador. Foi então que a rodovia foi pavimentada até poucos metros adiante do hotel, para facilitar o acesso da equipe. Faltou, no entanto, a quem decidiu mudar o traçado, cravar uma placa de sinalização em uma bifurcação, indicando aos motoristas que a estrada da esquerda não é mais a ERS 118, mas a da direita.

Praticamente não existe diferença entre elas. Ambas são de chão batido, com muita poeira em dia de sol e excesso de lama quando chove. No meio dessa confusão, eis que surge o Cantinho da Esperança. Este é o nome carinhoso da propriedade do aposentado José Danilo Pires da Silva, 65, e de sua esposa, Celita Telles Pires da Silva, 67. O lugar seria perfeito não fosse o acesso de terra vermelha. “Antes eu morava na ERS 118, também conhecida como Rodovia Coronel Acrísio Martins Prates. Há uns três anos apareceu um engenheiro do Daer informando que a estrada tinha mudado de rota”, recorda. “O mais irônico é que, para o governo federal, a rodovia está pavimentada”, completa.

A vida do casal é uma tormenta. Como desavisados seguem usando a rodovia acreditando estarem trafegando pela ERS 118, o movimento segue intenso. E nos meses do verão a situação deve se agravar por conta da Praia de Itapuã. “A poeira é nossa eterna companheira. Só dá para limpar a casa quando chove, apesar da lama. Quanto a terra está molhada, ficamos livres do pó”, comenta Celita. Sempre que lava as roupas necessita estendê-las em área coberta nos fundos do terreno. “Do contrário, ficam vermelhas de tanta poeira. É uma tristeza”, revela.

Enquanto não consegue mudar a rotina estressante de conviver com o pó e o barro, o casal segue sonhando com a chegada das máquinas e a pavimentação. Afinal, foram muitos os governadores que prometeram melhorias para a ERS 118. Se isso acontecer, não mais precisarão lembrar do poema “Eles passarão, eu passarinho”, também conhecido como “Poeminho do Contra”, do poeta Mário Quintana. Para os moradores, “eles” são os governantes e “eu”, a ERS 118.