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Porto Alegre, terça-feira, 24 de Outubro de 2017

  • 10/07/2017
  • 20:42
  • Atualização: 16:21

Imperadores do Samba luta pela permanência na Avenida Padre Cacique

Escola teve quadra interditada e teme o cancelamento do termo de uso do espaço pela prefeitura

Escola venceu o Carnaval com enredo sobre Frida Kahlo | Foto: Guilherme Testa / CP Memória

Escola venceu o Carnaval com enredo sobre Frida Kahlo | Foto: Guilherme Testa / CP Memória

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  • Fernanda da Costa

Campeã do Carnaval de Porto Alegre neste ano, a Imperadores do Samba luta pela permanência da quadra da escola na Avenida Padre Cacique. O local está interditado desde o início do mês por causa de uma ação movida pelo Ministério Público do Estado (MP), que também teria pedido que a prefeitura cancele o termo de uso do espaço, cedido há cerca de 30 anos para agremiação.

Em busca de apoio dos moradores da Capital, a escola lançou na sexta-feira uma petição online pela permanência no local, que já reuniu mais de mil assinaturas. “Estamos sofrendo com um processo crescente de intolerância com a cultura popular”, alega o diretor de Carnaval da Escola, Érico Leotti.

Já a promotora de Meio Ambiente do MP, Josiane Camejo, afirma que o pedido de interdição ocorreu por causa do descumprimento de um dos itens previstos em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a escola por causa das reclamações de barulho na quadra, que o órgão recebeu de moradores das proximidades. “O TAC determinava que a escola realizasse no local apenas eventos relacionados ao Carnaval, o que não aconteceu”, afirmou a promotora.

“Achamos que esse descumprimento é dúbio, porque todos os eventos realizados na quadra acabam sendo relacionados com o Carnaval, por ajudarem a arrecadar recursos para o desfile”, afirma o presidente da Imperadores, Rodrigo Costa. “O MP não está sendo justo, comprou a briga dos moradores e esqueceu o que a gente faz pela cultura”, completou Leotti.

Ainda segundo a diretoria da escola, o TAC teria sido assinado em 2013, depois que a prefeitura prometeu construir uma nova quadra para a agremiação, com isolamento acústico, o que não aconteceu. “Em vez disso, o espaço para a nossa escola só diminuiu, por causa das obras de mobilidade. Com o corte de verbas da prefeitura ao Carnaval, realizar eventos na quadra é a forma que temos de viabilizar o desfile”, reclama Costa. Nesta terça-feira, integrantes da Imperadores devem se reunir com o MP, prefeitura e vereadores na Câmara de Vereadores para tratar do tema.

Caso o contrato de uso do espaço seja mesmo cancelado, a escola afirma que será o “terceiro despejo” em 60 anos de história. Antes de ocupar o espaço na Padre Cacique, a Imperadores possuía uma quadra no bairro Menino Deus, de onde saiu por causa de reclamações de barulho feitas por moradores das proximidades. A agremiação estava no local há cerca de cinco anos, depois de ser tirada de um terreno próximo ao Colégio Estadual Protásio Alves, também por causa de vizinhos que alegavam a perturbação do sossego.