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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

  • 10/08/2018
  • 11:30
  • Atualização: 16:42

Pelo menos duas mil pessoas participam do Dia Nacional do Basta em Porto Alegre

Caminhada bloqueou ruas da região central da cidade

Grupo se concentrou em frente à Fecomércio e segue em caminhada até o Tribunal Regional do Trabalho | Foto: Alina Souza

Grupo se concentrou em frente à Fecomércio e segue em caminhada até o Tribunal Regional do Trabalho | Foto: Alina Souza

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  • Cláudio Isaías

Pelo menos duas mil pessoas ligadas a centrais sindicais, professores, estudantes e servidores públicos municipais participaram do Dia Nacional do Basta. Os manifestantes realizaram um caminhada pelas ruas da região central de Porto Alegre. Os sindicalistas se concentraram na frente da sede da Fecomércio/RS, na avenida Alberto Bins, onde permaneceram por cerca de uma hora protestando contra o desemprego, a retirada de direitos trabalhistas, as privatizações, o aumento dos combustíveis e a prisão ao ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva, que está desde abril na sede da Polícia Federal, em Curitiba.

O presidente em exercício da Central Única dos Trabalhadores (CUT/RS), Marizar de Melo, afirmou que a reforma trabalhista aprovada pelo governo do presidente da República, Michel Temer, retirou direitos históricos dos trabalhadores e acabou por dificultar o acesso à Justiça do Trabalho e até a sua própria existência. Segundo Melo, o Brasil possui hoje 13,2 milhões desempregados, mais que o dobro registrado em 2014.

"Quando os empregos surgem, são contratos intermitentes e jornadas parciais. O tempo gasto para conseguir um novo emprego aumentou de cinco meses para 11 meses", explicou. De acordo com a CUT/RS, o ato ocorreu em mais de 11 cidades gaúchas e em diversas capitais do país.

Manifestantes realizaram um caminhada pelas ruas da região central de Porto Alegre | Foto: Alina Souza

O presidente da Força Sindical, Cláudio Corrêa, disse que o protesto foi contra o desemprego, a recessão e as reformas da Previdência e da Trabalhista. " A Reforma Trabalhista somente tirou direitos dos trabalhadores e não gerou emprego. Pelo contrário, a reforma fragilizou os trabalhadores e o financiamento dos sindicatos. Essa foi a encomenda feita por entidades empresariais. Eles precisavam fragilizar para poder explorar a classe trabalhadora com a redução de salários", destacou.

Já Érico Corrêa, diretor da Central Sindical Popular (CSP) Conlutas, afirmou que a "horrorosa" Reforma Trabalhista atacou direitos históricos dos trabalhadores brasileiros. "Existe hoje uma situação de terceirizações, desemprego e salários reduzidos", acrescentou. O dirigente da CSP Conlutas afirmou que independentemente do resultado da eleição para presidente os trabalhadores estarão nas ruas a partir de janeiro de 2019 para defender os seus direitos. "Nada se conquista nos palácios e nos gabinetes.

A nossa luta é nas ruas e faremos isso em todo o Brasil", ressaltou. O presidente da Central dos Trabalhdores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/RS), Guiomar Vidor, disse que os trabalhadores construíram o movimento Basta para protestar contra o desemprego, contra a recessão e a retirada de direitos. "O governo Temer tem se caracterizado por atitudes como o congelamento por 20 anos de investimentos nas áreas da saúde e educação que atingem diretamente a população que precisa dos serviços do estado", acrescentou.

Logo após o protesto na frente da sede da Fecomércio/RS, os trabalhadores seguiram em caminhada até o Palácio Piratini. A manifestação na avenida Alberto Bins, ocupou duas faixas da via no sentido bairro/Centro, deixou o trânsito lento e congestionado na rua Doutor Flores, nas avenidas Salgado Filho e Borges de Medeiros e na rua Jerônimo Coelho. O protesto dos sindicalistas na área central da cidade foi acompanhado por agentes da EPTC e por três viaturas da Brigada Militar.

Protesto no Palácio Piratini

Centrais sindicais organizaram manifestação em frente ao Palácio Piratini | Foto: Alina Souza

Por volta das 10h, os manifestantes chegaram até a Praça da Matriz para protestar contra os governos de José Ivo Sartori e do prefeito Nelson Marchezan Júnior. No carro de som, estacionado na frente do Palácio Piratini, integrantes do Sindicato dos Muncipários de Porto Alegre (Simpa) voltaram a criticar o autoritarismo do chefe do Executivo municipal e pediram a abertura das negociações com a categoria. Já a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, afirmou que é preciso dar um basta a tortura psicológica de 32 meses com atrasos de salários realizados pelo governo Sartori. "No Brasil e no Rio Grande do Sul, precisamos de um estado indutor que fomente o desenvolvimento social e econômico, distribua renda e invista os impostos em educação, saúde e segurança", explicou. Segundo a presidente do Cpers, desde 2015, os educadores estão sem reposição salarial.

"Considerando a infalção do perído, areposição atual é necessa´ria é de 23,29%. Com reajuste zero, professores e funcionários de escola recebem apenas 51,3% do Piso Salarial Nacional do Magistério (R$ 2.445,35)", acrescentou. Depois de quase meia-hora na frente do Palácio Piratini, e acompanhados pela Brigada Militar que reforçou a segurança no local, os sindicalistas, professores e estudantes seguiram em caminhada até a sede do Foro Trabalhista de Porto Alegre, na avenida Praia de Belas. Durante o percurso, algumas ruas da região Central chegaram a ficar bloqueadas, prejudicando o trânsito como foi o caso das ruas Espírito Santo e Demétrio Ribeiro, avenida Borges de Medeiros até a Praia de Belas, no sentido Centro/bairro.

Protesto na Justiça do Trabalho

Grupo terminou caminhada em frente ao Tribunal Regional do Trabalho | Foto: Alina Souza

Um ato público em defesa da Justiça do Trabalho e dos Direitos Sociais realizado na sede do Foro Trabalhista de Porto Alegre, na avenida Praia de Belas, encerrou ontem pela manhã o Dia do Basta. As centrais sindicais, estudantes, servidores públicos e professores partciparam do ato que reuniu magistrados, advogados, procuradores, peritos e servidores administrativos.

A presidente da Associação dos magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV), juíza Carolina Hostyn Gralha, disse que a Justiça do Trabalho e os juízes do Trabalho não podem ser humilhados e desacreditados . "A Justiça do Trabalho é alvo de perseguições pelo que faz de melhor, ou seja, é a Justiça mais rápida e produtiva que atua em segmentos sensíveis de um país como o trabalho infantil, o trabalho escravo e a precarização das relações e o trabalho seguro. "Cortes orçamentários mais uma vez ameaçam o funcionamento da Justiça que busca reduzir as mazelas do povo brasileiro", ressaltou.

A presidente do TRT/RS, desembargadora Vania Cunha Mattos, que participou do ato, disse que a Justiça do Trabalho presta relevantes serviços, há mais de sete décadas, na pacificação entre o capital e o trabalho, e, ao longo de todos estes anos, provou e comprovou que é a Justiça mais célere e com destino próprio na defesa dos direitos sociais e direitos mínimos dos trabalhadores.

"Mais de 60% das ações se destinam ao pagamento de parcelas rescisórias, o que considero como o direito mínimo e fundamental do empregado despedido sem justa causa", ressaltou. Segundo ela, o papel do Judiciário Trabalhista é fundamental na solução das controvérsias submetidas à sua competência constitucional e o trabalho é o fator central de desenvolvimento de qualquer sociedade. O Dia do Basta terminou com uma caminhada até a sede do Tribunal Regional do Tabalho da 4ª Região (TRT/RS), na avenida Praia de Belas.