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Porto Alegre, quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

  • 02/01/2018
  • 17:34
  • Atualização: 17:42

Operação Golfinho completa 20 dias sem registro de mortes no Litoral gaúcho

Número de salvamentos diminuiu de 236 para 70, segundo informou Corpo de Bombeiros

Operação Golfinho completa 20 dias sem registro de mortes no Litoral gaúcho | Foto: Fabiano do Amaral

Operação Golfinho completa 20 dias sem registro de mortes no Litoral gaúcho | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Marco Aurélio Ruas

A 48ª Operação Golfinho completa 20 dias nesta terça com bons motivos para celebração. Enquanto três pessoas perderam suas vidas no mar do Litoral Norte, no mesmo período do ano passado, a edição atual ainda não registrou óbitos na região. Além disso, a redução drástica no número de salvamentos mostra que o acréscimo das ações preventivas está auxiliando nos resultados.

De acordo com o comandante do 9º Batalhão do Corpo de Bombeiros e responsável pela operação no Litoral Norte, major Jeferson Ecco, a redução do número de salvamentos na região atingiu mais de 70%. “Foi uma redução de 236 salvamentos para 70, no mesmo período”, afirmou. O feriadão do Réveillon se manteve como o principal responsável pelo aumento das intervenções dos guarda-vidas. Ao todo, foram 30 salvamentos no Litoral Norte durante os quatro dias. No ano passado, foram 123 salvamentos.

“O resultado se atribui a vários fatores. É a conduta mais ofensiva na prevenção, com os guarda-vidas interagindo mais, apitando mais, entrando na água para chamar atenção, e a atitude mais prudente do veranista. Há intensidade maior dos dois lados”, argumentou o comandante. Ecco também afirmou que a condição do mar não foi a mesma. “No ano passado, o mar estava mais convidativo. Neste, o mar se manteve em condição de banho, sem grande alteração de correntes, mas a aparência do ‘chocolatão’ e a água fria também afastaram os banhistas”, disse.

Águas internas

Por outro lado, as águas internas continuam sendo um problema. Pelo menos seis pessoas morreram afogadas no feriadão de Ano Novo no Rio Grande do Sul. Dois casos foram particularmente dramáticos. Em São Marcos, Ana Flávia Popsin, 36, morreu nas águas do rio São Marcos, na tarde de domingo. O marido da vítima, Pedro Paulo dos Santos, 39, acabou cometendo suicídio após retornar para a residência do casal, em Caxias do Sul. Ele postou uma despedida nas redes sociais, indicando o local do afogamento, manifestando o amor pela companheira com quem estava junto há 16 anos, além de pedir desculpa para um filho por seu gesto.

Em Ipiranga do Sul, Guilherme da Silva, 12, morreu após ter desaparecido no rio Teixeira, na localidade de Butiá Grande, também na tarde de domingo. Testemunhas relataram que uma cobra de mais de oito metros teria atacado o adolescente. Ele nadava com um irmão, de 15 anos, que foi resgatado por quem estava no local. O corpo da criança foi localizado na manhã de ontem pelos bombeiros. Em Caçapava do Sul, o adolescente Hérick Gomes França, 17 anos, morreu afogado no rio Camaquã, perto da BR 153, na manhã de domingo. Em São Francisco de Paula, o jovem Matheus Oliveira Flores, 19 anos, perdeu a vida em uma cachoeira na localidade de Passo do Inferno, na tarde de domingo.

“Água no umbigo, sinal de perigo é em qualquer lugar”, ressaltou Ecco. Segundo ele, o banho em águas internas é um problema histórico. “A pessoa precisa conhecer o lugar. Se tem serviço de vigilância e salvamento, o banhista deve buscar se informar”, explicou o comandante. Outro fator salientado por Ecco são os agravantes que não são considerados pelas pessoas como, por exemplo, o conhecimento sobre o quão fundo é determinado local. “As pessoas acabam fazendo brincadeiras sem conhecer o fundo, como se atirar de ponta, e corre o risco de sofrer um trauma pelo impacto. As pessoas devem ser prudentes”, concluiu.