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  • 09/01/2018
  • 14:25
  • Atualização: 14:50

Tradicional colônia de férias do Banrisul, Banrimar fecha as portas

Local virou um dos símbolos de Rainha do Mar e de todo Litoral Norte

Conhecida colônia de férias do Banrisul funcionou até o último veraneio  | Foto: Fabiano do Amaral

Conhecida colônia de férias do Banrisul funcionou até o último veraneio | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Marco Aurélio Ruas

O Litoral Norte está perdendo seus símbolos históricos. Ao longo dos anos, os veranistas já testemunharam o fim de diversos estabelecimentos como, por exemplo, o Baronda em Capão da Canoa. O empreendimento foi construído na década de 60 e destruído em 2010. Assim como ele, empreendimentos hoteleiros por onde passaram diversas gerações de famílias gaúchas também estão condenados ao fim.

Dois casos ilustrativos deste veraneio é o da demolição do Hotel Siri, em Tramandaí, e o fechamento do Banrimar, em Rainha do Mar. O primeiro foi construído na década de 40, sendo uma referência para inúmeros veranistas. A área do hotel está limpa e, em breve, deverá ser ocupada por duas torres residenciais.

No caso do Banrimar, a conhecida colônia de férias do Banrisul estava arrendada há quase 20 anos, e funcionou até o último veraneio. Entretanto, o banco não teve interesse em renovar o contrato com a empresa que estava administrando o local. Com isso, o Banrimar passará o veraneio de portas fechadas.

“Nosso contrato encerrou e não tiveram interesse em renovar. Fiz uma proposta onde iria padronizar os quartos e realizar outras reformas, mas queria um contrato de longo prazo, de oito anos. O banco não aceitou”, ressaltou o advogado Alessandro Oliveira, 45, que geriu o estabelecimento nos últimos anos, em entrevista concedida na quinta-feira da semana passada.

A colônia de férias dos servidores do Banrisul foi construída há quase 50 anos e, desde o início dos anos 2000, estava cedida a uma empresa que se comprometeu a administrar o local e deixá-lo em boas condições. “Meu pai esteve no hotel por uns 14 anos. Ele operou um contrato de comodato. Pegou o Banrimar sucateado e reformou, arrumou e começou a fazer o trabalho. Em troca, ele também dava desconto para os funcionários do banco”, contou Oliveira. Ele assumiu a gestão do da colônia de férias nas últimas três temporadas. “Há três anos o pai disse que não queria mais. Eu assumi e comecei a explorar o restaurante. Fiz uma reforma e melhorei a comida. Em uma temporada, chegou a sair 25 mil almoços. O restaurante era o carro chefe. Vinha gente de todo o litoral”, relatou.

De acordo com Oliveira, as dificuldades começaram a aparecer com a maior preocupação do poder público em relação à segurança e manutenção predial após o caso da boate Kiss e demonstração de interesse do banco em fechar o Banrimar. “Nos três anos em que fiquei com a gestão, o Banrisul sempre teve interesse em fechar. No último ano, colocaram encerramento pra março de 2017 e não renovaram mais”, disse Oliveira.

Ele ainda afirmou que, durante sua experiência no local, testemunhou a história de amor do Banrimar com os moradores e veranistas de Rainha do Mar e de outras praias. “A gente fazia aquilo com muito amor. É a história de muita gente. O hotel é antigo. Foi gente com os pais, que depois foi com os filhos e até com os netos. É uma tristeza não poder mais estar ali”, disse. Conforme o advogado, praticamente todos os hóspedes do hotel eram funcionários do banco. “Cerca de 70% eram do Interior, que passavam um mês e até toda a temporada no hotel”, relatou.

Veranista de Rainha do Mar há 40 anos e com casa na frente da colônia de férias, a caxiense Marlene Baraseeti, 73, lamentou a deterioração do prédio. “É um pecado. Tinha jogos de futebol, shows com bandas ao vivo, as famílias buscavam o almoço com eles. Torço para que volte de novo”, disse.

Assim como ela, há outras pessoas que sentiram falta do movimento que o Banrimar proporcionava na região. “As vendas caíram de 30% a 40%. No ano novo, sempre ficava um monte de gente na beira da praia. Neste, não tinha quase ninguém”, afirmou o comerciante Luiz Carlos Ribeiro, 61, que administra um quiosque na beira da praia e que fica em frente ao hotel.

A Caixa de Assistência dos Empregados do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Cabergs) administrava o contrato de arrendamento do Banrimar junto à empresa. Segundo a instituição, a administração da colônia de férias foi repassado ao Banrisul com o término do contrato. A Cabergs ainda recebeu uma nota do banco sobre a situação do patrimônio. “Em razão do término do contrato com a empresa que operava no local, o Banrisul está reavaliando o projeto Banrimar, motivo pelo qual não funcionará pela próxima temporada”, diz a nota.


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