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  • 26/12/2018
  • 20:21
  • Atualização: 20:32

Fui salvo pelas ondas do rádio, conta vizinho sobre explosão

Homem foi ouvir notícia da Rádio Guaíba e isso evitou de estar sobre cômodo que explodiu em Farroupilha

Explosão deixou 14 feridos em Farroupilha | Foto: Guilherme Almeida

Explosão deixou 14 feridos em Farroupilha | Foto: Guilherme Almeida

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  • Jessica Hübler

“Salvo pelas ondas do rádio.” Essa foi a afirmação do advogado Roberto Bernardi, 63 anos, que reside no apartamento 402, acima do imóvel onde ocorreu a explosão. “Estava ouvindo a Rádio Guaíba, me interessei pela notícia que era comentada e resolvi adiar o banho. Se o rádio estivesse desligado, eu estaria embaixo do chuveiro no momento do estouro”, contou. Bernardi estava no quarto junto com a esposa, a aposentada Eliane Bernardi, 59 anos. “Graças ao rádio ainda estou aqui”, destacou ele. Na ocorrência, 14 pessoas se feriram.

Após ouvir a explosão, Roberto e Eliane se perguntaram o que estaria acontecendo. “Achei que fosse um relâmpago, mas olhei pela janela e tinha sol. De repente reparei que a parede do meu quarto de vestir (closet) estava rachada. Na sequência sentimos cheiro de queimado e percebemos o que estava acontecendo”, detalhou. Quando o casal notou que o “olho do furacão” estava sob o chão do apartamento, o primeiro pensamento foi: vamos sair daqui. “Coloquei uma bermuda, um chinelo e chamei minha esposa para descer. Tivemos sorte, foi bem no começo. Alguns vizinhos precisaram de auxílio para sair do apartamento por causa da fumaça”, comentou.

Roberto já está procurando um novo apartamento. O closet e o banheiro foram totalmente atingidos pela explosão, desabando no apartamento de baixo. O restante do imóvel também ficou danificado por conta da quantidade de fumaça. “Imaginamos que levará uns sete meses para reformar totalmente, por enquanto vamos ficar em um hotel e queremos encontrar outro apartamento para este período”, assinalou.

O entorno da Praça da Matriz ficou completamente afetado pela ocorrência. Quem passava pelo local ao longo desta quarta-feira aproveitava para fazer fotos e vídeos do incidente. “Que terrível, podia ter sido uma tragédia ainda maior. Estou impressionada, não sei como não teve morte”, disse a publicitária Rosane Alves, 33 anos.

IGP retoma trabalhos nesta quinta-feira

Horas após a explosão, a edificação foi liberada parcialmente no turno da manhã para que os moradores retirassem seus pertences e, a partir disso, permanece interditada até que o Corpo de Bombeiros tenha acesso aos laudos técnicos necessários: um deles do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que deve apontar a causa da explosão e o outro da equipe de engenheiros da Prefeitura, que indicará propostas de escoramento da estrutura.

“Pela ocorrência de vulto que foi, nós podemos afirmar que houve mais do que sorte, foi um momento em que as pessoas que ali estavam não sofreram nenhum mal maior. Houve um grande risco à vida de todos que ocupavam o edifício, mas felizmente não tivemos nenhuma vítima fatal", ressaltou o comandante do 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, tenente-coronel Julimar Fortes Pinheiro.

Peritos do IGP estiveram no local pela manhã e devem retornar nesta quinta. Não há previsão para que os laudos sejam finalizados e entregues ao Corpo de Bombeiros, que providenciará a liberação do edifício. Os estabelecimentos localizados no térreo do prédio – uma lancheria e uma loja de instrumentos musicais – permaneceram fechadas durante a quarta-feira e também ficarão interditadas, pois ainda não há confirmação sobre a segurança da estrutura.