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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

  • 09/03/2018
  • 23:43
  • Atualização: 23:48

Estudantes mantêm vigília na reitoria da Ufrgs após mandado de reintegração

Protesto contra mudança nas cotas raciais afirma que reitor não aceita diálogo com grupo

Protesto contra mudança nas cotas raciais afirma que reitor não aceita diálogo com grupo | Foto: Fabiano do Amaral

Protesto contra mudança nas cotas raciais afirma que reitor não aceita diálogo com grupo | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Felipe Samuel

Estudantes e integrantes dos movimentos negros decidiram fazer vigília nesta sexta-feira, na Ufrgs, após a decisão da Reitoria de ingressar com pedido de reintegração de posse do prédio. A posição dos manifestantes ocorreu depois que um oficial de justiça entregou um mandado de reintegração a um representante do grupo. Em nota, a universidade afirma que a medida é imprescindível para restabelecer a normalidade e dar sequência às atividades administrativas e acadêmicas.

Integrantes da Comissão de Comunicação do Movimento Balanta, Júlia Fernandes de Araújo, explica que o principal impasse envolve as mudanças no sistema de cotas raciais da instituição federal. "Vamos permanecer em vigília, continuar ocupando o prédio da reitoria. O que a gente está pedindo agora é uma audiência de reconciliação com a reitoria da Ufrgs, mas o reitor (Rui Vicente Oppermann) se nega a dialogar com os alunos que estão ocupando o prédio", observa.

Uma portaria publicada pela universidade determina que a instituição não vai avaliar mais somente o fenótipo para ingresso via cotas raciais. A medida causa apreensão entre estudantes. "Sou negra, mas se fosse branca e tivesse uma avô negro ou pai negro, eu estaria apta para usar as cotas raciais. Isso abriu uma brecha muito grande para fraudes. É isso que a gente está reivindicando, que não deve ser avaliado ancestralidade, mas sim fenotipia. Com isso, qualquer pessoa branca pode entrar na Ufrgs usando as cotas raciais", reclama.

O grupo rechaçou ainda as acusações da reitoria de que estariam depredando patrimônio público. "Não estamos usando nenhum tipo de fita nas paredes, pois onde estamos é um prédio administrativo. Não estamos impedindo ninguém de assistir aula", destaca Júlia. O Movimento Balanta, em nota, também garante que "as formaturas que estão ocorrendo ao lado da reitoria não estão sendo prejudicadas" e "que os processos para entregar documentos referentes à matrícula é feito online".

Em nota, a direção da Ufrgs afirma que realizou duas reuniões, nos dias 5 e 7 de março, cujos objetivos eram avaliar, identificar divergências e buscar caminhos que pudessem avançar nos procedimentos da Comissão de Recursos de Verificação das Autodeclarações de candidatos do Vestibular e do SISU. As conversas, no entanto, não prosperaram e resultaram no fim do diálogo entre a Reitoria e representantes dos movimentos.

A universidade alega que 500 servidores foram impedidos de acessar o prédio da Reitoria, o que teria prejudicado os serviços realizados no local, incluindo o julgamento de recursos relativos ao procedimento de matrícula do Vestibular 2018. A nota ressalta que o "saguão do prédio abriga uma exposição com obras raras", que fazem parte do acervo e têm valor intangível.