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  • 04/07/2018
  • 11:13
  • Atualização: 14:30

Funcionários da Concepa vivem dia de despedidas após término de contrato na freeway

Trabalhadores que atuavam no pedágio de Santo Antônio da Patrulha deixaram empresa

Funcionários da Concepa vivem dia de despedidas após término de contrato na freeway | Foto: Alina Souza

Funcionários da Concepa vivem dia de despedidas após término de contrato na freeway | Foto: Alina Souza

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  • Henrique Massaro

Com o fim do contrato da Triunfo Concepa no final da noite de terça-feira, a manhã de hoje foi marcada pelo desligamento de aproximadamente 400 funcionários da empresa que ao longo de 21 anos administrou afreeway. Trabalhadores das praças de pedágio da BR 290 em Gravataí, Santo Antônio da Patrulha e Eldorado do Sul, além dos responsáveis por outros serviços prestados pela concessionária, se despediram do emprego. 


O dia de assinatura do aviso prévio e da entrega de materiais de trabalho foi marcado por muita emoção entre os colegas. Com o fim do contrato enfim anunciado, o desligamento dos funcionários foi sendo comunicado pela Triunfo Concepa através de seus gestores. Aliado a isso, a empresa já fazia encaminhamento para um aconselhamento de carreira e plano de transição, com treinamentos para orientar os trabalhadores na busca por novas oportunidades. O término da relação com a concessionária, no entanto, era motivo de tristeza para a maioria dos presentes.

Na despedida, no prédio já quase vazio, colaboradores ligados à praça de pedágio de Santo Antônio se abraçavam, choravam e aplaudiam o trabalho feito até aqui. A história da Triunfo Concepa se confunde com a de Deniza Peixoto, que completaria 21 anos trabalhando junto ao posto de Santo Antônio da Patrulha, o mesmo tempo que a empresa administrou a freeway. Ela chegou começou em janeiro 1998, no ano seguinte ao início do contrato da concessionária da rodovia, e, devido ao tempo de casa, ganhou o apelido de “mãezona do P1”.

Já no ano seguinte, foi a vez do marido João Antônio Peixoto começar a trabalhar como assistente de tráfego no local e dar início à trajetória de duas décadas do casal junto ao trecho da BR 290. “O pessoal é muito unido, todo mundo sabe dos problemas de cada um, se ajuda. Não sei explicar o que a gente está sentindo hoje. Não é pelo trabalho em si, mas é pela empresa, que a gente teve ali esses anos todos”, comentou.

Apesar de se saber que o trabalho em uma concessionária chegará ao fim quando o contrato acabar, os funcionários da Concepa não deixaram de se surpreender com a notícia de que a empresa deixaria de administrar a freeway. O motivo é que, mesmo com a data de término do vínculo ser conhecida, até a manhã de segunda-feira acreditava-se que, como ocorreu em 2017, ele seria prorrogado por mais um ano em função da impossibilidade de uma nova administradora assumir agora.

O leilão que define o futuro da BR 290, assim como da 448, 386 e 101 está marcado somente para o dia 1o de novembro e, pelo menos até fevereiro de 2019, não há previsão de se começar novos trabalhos. “Quando eu entrei, há 21 anos, a gente sabia que a empresa tinha uma data para encerrar, mas nunca se pensava nesse final. Agora foi tenso, porque não tinha uma resposta definitiva. Posso dizer que estava todo mundo com muita esperança, porque a gente não consegue ver a freeway sem a Concepa, como muitos usuários também não vão conseguir ver”, comentou Deniza.

Aos 44 anos, ela, que passou de arrecadadora para controladora e, há três anos, atuava como assistente administrativa, ainda não sabe qual será seu futuro. Por enquanto, quer dedicar seu tempo à família e ao término da faculdade de processos gerenciais. “Saio de cabeça erguida, porque a gente não foi demitido. Sabia que a empresa tinha data para terminar, mas parece que a gente perdeu alguém.”

A empresa que passará a fazer o içamento do vão móvel da Ponte do Guaíba é a HHTEC. A companhia solicitou à Concepa que os operadores do serviço fossem os primeiros a serem desligados. A intenção era acelerar a contratação de sete funcionários para a nova administradora do serviço.