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Porto Alegre, domingo, 23 de Setembro de 2018

  • 24/07/2018
  • 14:50
  • Atualização: 15:11

Abrigo da EPTC oferece sete cavalos para doação

Local recupera animais vítimas de maus tratos e doa para "responsáveis" interessados

Local recupera animais vítimas de maus tratos e doa para interessados, que ficam responsáveis pelo equino | Foto: Guilherme Testa

Local recupera animais vítimas de maus tratos e doa para interessados, que ficam responsáveis pelo equino | Foto: Guilherme Testa

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  • Henrique Massaro

Um abrigo na Estrada Chapéu do Sol, zona Sul de Porto Alegre, tem sido o lar de 22 cavalos que foram recolhidos pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Retirados da via pública de situações ilegais como na tração de carroças na cidade, muitos deles chegam ao local em situação de maus tratos e até mesmo perto da morte. No espaço, eles recebem tratamento veterinário e, depois de terem sua saúde normalizada, podem ter um novo futuro. Atualmente, sete desses animais estão aptos a serem adotados.

O chefe da Equipe Veículos de Tração Animal (EVTA) da EPTC, Gilberto Machado Fonseca, explica que os equinos precisam de, pelo menos, um período de 15 dias para que o processo de adoção comece. Esse período é referente ao tratamento necessário para os animais. Em alguns casos, esse processo pode ser mais complexo devido ao estado em que eles são resgatados. Muitos, por exemplos, precisam ser recolhidos de caminhão, já que sequer conseguem parar sobre as quatro patas.

Um dos cavalos que chegou em condições graves foi resgatado do Arroio Dilúvio. Cego, o animal tem em um dos olhos uma mancha branca, provavelmente causada devido a batidas. Onde deveria estar o outro olho, a situação chama ainda mais atenção pela falta do globo ocular. De acordo com Fonseca, este equino chegou ao abrigo com uma infecção no local e em um estado físico de maneira geral bastante debilitado. Depois de receber tratamento com antibióticos e teve a saúde reestabelecida. Devido as suas condições tão particulares, o animal até hoje tem um tratamento diferenciado, sem poder ir para o campo aberto com os outros cavalos.

O responsável pelo abrigo, Carlos Augusto Machado, explica que, felizmente, ele conseguiu se adaptar e consegue se alimentar e se recolher à cocheira sem o auxílio de ninguém. Conforme o chefe da EVTA, o equino se tornou uma espécie de mascote do abrigo e, em função das suas particularidades, sequer é colocado no processo de adoção e deve permanecer com a EPTC até o fim da vida.

Na maioria dos casos, porém, as condições dos cavalos são reestabelecidas e eles podem ter um novo destino. Pessoas interessadas em adotar esses animais precisam manifestar interesse e aguardar um processo legal. O formulário e a documentação necessária para a adoção estão disponíveis no site da EPTC.

O novo dono do cavalo se torna depositário fiel do equino junto ao Ministério Público (MP), ou seja, vira responsável por ele. Para se ter um controle, todos os equinos que passam pela EPTC recebem um chip. Dessa forma, é possível saber se um animal recolhido já passou pelo abrigo. Caso um animal já adotado seja encontrado novamente e o dono não tiver registrado nenhuma ocorrência de furto ou roubo, por exemplo, o MP é comunicado para tomar as medidas necessárias.

O recolhimento dos equinos, segundo Fonseca, é feito duas vezes por semana através de blitz itinerantes pela cidade com o apoio da Guarda Municipal. Também ocorrem por meio de denúncias de animais mal tratados, abandonados ou acidentados em via pública, e em abordagens que podem ser feitas por qualquer fiscal da EPTC que identificar o uso de cavalos em carroças - cujo tráfego é proibido pela lei municipal 10.531 – ou em condições como lesões, sobrecarga e falta de ferradura.

“Quando configurado maus tratos, esse animal não retorna pro dono, nem que reclame a propriedade dele”, afirma o chefe da EVTA.


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