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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

  • 24/07/2018
  • 20:23
  • Atualização: 20:28

Setcergs critica indefinição sobre freeway e malha rodoviária precária no RS

Discussões sobre EGR assumir rodovia seguem ocorrendo entre Piratini e governo federal

Discussões sobre EGR assumir rodovia seguem ocorrendo entre Piratini e governo federal | Foto: Cristiano Estrela / CP Memória

Discussões sobre EGR assumir rodovia seguem ocorrendo entre Piratini e governo federal | Foto: Cristiano Estrela / CP Memória

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  • Heron Vidal e Jessica Hübler

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas (Setcergs), Afrânio Rogério Kieling, comentou nesta terça-feira que "nada explica" a freeway, uma das estradas mais importantes do Rio Grande do Sul, estar abandonada se há 20 anos era conhecido quando sua concessão terminaria. "Em qualquer país sério os responsáveis estariam presos", afirmou.

"É menos pior ter a Empresa Gaúcha de Rodovias, a EGR, do que não ter gestão da freeway, onde circularam milhares de veículos e vidas diariamente", avaliou o presidente do Setcergs. Não é apenas a situação da freeway que preocupa. "Estamos apavorados com a precariedade da malha rodoviária estadual e federal. O que não era bom, ficou pior", lamentou.

No caso da freeway o certo, conforme Kieling, seria a licitação ter sido preparada cinco anos anos antes. E o vencedor deveria estar definido antes da data de encerramento do contrato da concessionária Triunfo Concepa. Se ficar sem nenhuma administração, a freeway, prevê o empresário, vai se deteriorar e o custo será pago pela sociedade, em impostos e vidas.

Indefinição

Sete dias após o primeiro indicativo de que a EGR poderia assumir de forma emergencial a operação, a questão segue sem definição. O diretor-presidente da EGR, Nelson Lidio Nunes e o governador José Ivo Sartori estiveram reunidos no Palácio Piratini, em Porto Alegre, para tratar do assunto. Conforme o governo, a pauta do encontro foi a reunião ocorrida em Brasília na segunda-feira, entre diretores e técnicos da EGR e o Dnit.

Nunes levou informações ao governador sobre os temas tratados no Distrito Federal e afirmou que aguarda pelo Dnit, que ficou encarregado de repassar um documento à EGR, contendo informações detalhadas sobre o padrão de qualidade a ser adotado na gestão da rodovia. Enquanto o documento não for enviado pelo Dnit, não haverá definição.

Custo

Por "falhas sistemáticas ao longo da história", diz Kieling, o RS é estado com um dos maiores custos logísticos no Brasil. "Aqui a logística pesa de 24% a 26% do nosso PIB. Em São Paulo, onde as estradas e a infraestrutura são muito melhores, a relação é de 14% a 16% do PIB. No Brasil o índice médio é de 18% do PIB", compara. Entre países desenvolvidos, acrescenta, o índice é de 5% do PIB.

No começo do mês a Associação Brasileira dos Usuários de Rodovias previu o "caos" na infraestrutura rodoviária se o Dnit RS não receber suplementação orçamentária. Para este ano a verba é de R$ 300 milhões ao Estado, dos quais R$ 200 milhões já foram gastos na manutenção de estradas como as BRs 386, 116, 101 e 448. À freeway seriam necessários R$ 40 milhões, dos R$ 100 milhões restantes caso o Dnit fique com essa conta até fevereiro de 2019.

Em 2017, como lembrou o presidente da Associação, Gerri Machado, o Dnit RS teve orçamento maior em relação a este ano - foram R$ 350 milhões. Por isso a entidade também está apreensiva com os riscos aos usuários diante do quadro de chuvas, escassez de recursos e baixas manutenção e conservação.