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Porto Alegre, terça-feira, 20 de Novembro de 2018

  • 24/08/2018
  • 16:55
  • Atualização: 17:42

Primeiros venezuelanos chegam ao Rio Grande do Sul dia 6 de setembro

Esteio acolherá 221 e receberá R$ 530, 4 mil; Canoas abrigará 425 e terá R$ 1,02 milhão do governo federal

Esteio acolherá 221 imigrantes | Foto: Alina Souza

Esteio acolherá 221 imigrantes | Foto: Alina Souza

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  • Henrique Massaro

No dia 6 de setembro, os primeiros venezuelanos que estão no estado de Roraima começarão a chegar ao Rio Grande do Sul. Ao final do processo de interiorização, eles se dividirão em grupos de 221 e 425 pessoas em Esteio e Canoas, municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre. As prefeituras vão receber, respectivamente, R$ 530,4 mil e R$ 1,02 milhão do governo federal para manter os imigrantes e refugiados por um período de seis meses. Os recursos de hospedagem serão destinados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Nesta sexta-feira, os ministros do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, e o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha visitaram os abrigos que irão receber os imigrantes. A visita dos ministros começou por um alojamento da rua Senador Salgado Filho, em Esteio. No local, de 20 apartamentos, a capacidade é para 140 pessoas. O município ainda tem uma pousada de 27 apartamentos na rua Liberato Salzano Vieira para dar conta dos 221 venezuelanos. A distribuição nos espaços vai variar de acordo com a composição familiar, mas, neste primeiro abrigo, era possível perceber que o prédio de cinco andares, contando com o terraço, tinha ares-condicionados e várias camas nos quartos, chegando a ter, pelo menos, sete em algumas peças.

Em Canoas, o local visitado foi o Apart Hotel Argentina, na rua de mesmo nome. Neste espaço, composto por 75 apartamentos, chamava a atenção a qualidade dos dormitórios. Com camas de solteiro tipo box, os quartos tinham televisão, ar-condicionado split e frigobar. No município, outros dois abrigos vão ser disponibilizados, um alojamento também na rua Argentina e um apart-hotel na avenida Farroupilha.

A vinda dos venezuelanos, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, deve estar finalizado até o dia 15 de setembro. Mas o ministro Beltrame já adiantou que, no dia 6, os primeiros 125 venezuelanos devem chegar aos municípios.

De acordo com ele, os recursos vão ser adiantados antes mesmo da chegada, para que as prefeituras já possam se preparar. Explicou também que o período de seis meses poderá ser renovado, mas que o governo federal estima que o tempo seja até mesmo inferior a isso, porque os 820 imigrantes e refugiados que já foram interiorizados no país até aqui levaram apenas de dois a três meses para deixar os abrigos.

“O Brasil tem sido para eles uma esperança e um paraíso até mesmo, porque diante das dificuldades que eles têm enfrentado lá, o governo o povo brasileiro tem acolhido-os de uma forma muito calorosa e gentil, buscando sempre a integração com essas pessoas através da cultura, da língua”, disse o ministro. De acordo com Beltrame, várias empresas já se colocaram à disposição para empregar os estrangeiros e diversas pessoas se voluntariaram para ensinar a língua portuguesa aos imigrantes e refugiados.

“O Rio Grande do Sul é especialista nisso. Nós somos um caldeirão de etnias, culturas diferentes e todos formamos, aqui, esse estado que é o resultado dessa mescla. Com certeza, os venezuelanos contribuirão na construção dessa nossa cultura, do nosso progresso”, destacou. Ainda não se sabe de quanto será a verba para manter as hospedagens nos municípios, explicou a representante do Acnur, Isabel Marques. Afirmou apenas que os recursos estão sendo negociados e se chegará a um acordo.

Segundo ela, será providenciado não somente o aluguel, mas também complementos para as necessidades das prefeituras. Destacou também o trabalho da Associação Antônio Vieira (Asav), que trabalha com o Alto Comissariado há 15 anos e será responsável pelo acompanhamento dos venezuelanos. 

Prefeituras garantem ter estrutura para absorver venezuelanos

Durante a visita aos abrigos, os prefeitos disseram que foram comunicados da possibilidade somente dois e um dia antes da vinda dos ministros ao Estado. Apesar disso, garantem que tem a estrutura necessária nos serviços públicos para conseguir atender os grupos que chegarão nas próximas semanas.

O prefeito de Esteio, Leonardo Pascoal, disse que, de maneira nenhuma, os 221 venezuelanos que chegarão ao município sobrecarregarão qualquer um dos serviços essenciais. De acordo com ele, nesse priemirp momento, existe uma necessidade de esforço para promover o acolhimento. Será preciso, por exemplo, identificar o nível de estudo de cada criança, a situação de saúde e uma adaptação ao idioma para todos. "Mas não exige que tenha que fazer uma super ampliação da nossa estrutura dentro dessas áreas", disse.

Na atual oferta de serviços do município, conforme o prefeito, já foram identificadas diversas formas de atendimento aos venezuelanos. Há, por exemplo, um programa chamado Conta Comigo, através do qual mais de 400 pessoas cadastrados dão oficinas de língua portuguesa para idosos analfabetos e que já manifestaram interesse em ensinar o idioma para os estrangeiros que chegarem nas próximas semanas. Os recursos vindos do Alto Comissariado das Naçções Unidas para Refugiados, ainda segundo Pascoal, devem ser direcionados para contratações de novos oficineiros dessa área e também de recreação e lazer, para que as crianças possam ser atendidas.

Outro aspecto importante identificado foi a localização de escolas próximas aos abrigos. Já as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ainda serão referenciadas e a assistência social funcionará de forma itinerante, diretamente nos alojamentos.

Para o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, a possibilidade chegou de repente, mas também sem ir além da capacidade do município. De acordo com ele, a cidade conta com um programa chamado Gerações, que emprega pessoas com mais de 60 anos que estão aposentadas. Vamos fazer um chamamento, através do programa, de professores de Português, assistentes sociais que hoje estão em casa e não têm uma oportunidade. Fazer do limão, uma limonada", disse. Há, ainda, um banco de oportunidades semelhante ao Sine, que poderá oferecer vagas de empregos aos venezuelanos. A oficialização da vinda também foi repentina para o governo do Estado, que, na quarta-feira passada, ainda não sabia como a interiorização funcionaria no Rio Grande do Sul.

De acordo com a secretária do Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos, Maria Helena Sartori, o aviso da vinda dos ministros foi feito somente na quinta-feira. Explicou, porém, que o Executivo estadual disponibilizará a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e o Sine, mas que o acolhimento fica a cargo dos municípios. O ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, disse que o Rio Grande do Sul tem poucos abrigos e, em função disso, começaram ser verificados imóveis desalugados e desocupados. Os espaços foram encontrados em Esteio e Canoas, onde, de acordo com ele, houve inclusive uma mobilização por parte de empresários locais. Ainda segundo o ministro, outros locais, não só no Estado, mas em todo o país, estão sendo buscados para dar continuidade ao processo de interiorização.