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  • 26/08/2018
  • 17:00
  • Atualização: 17:02

Passeios ciclísticos defendem inclusão social em Porto Alegre

Um dos eventos foi organizado pela Associação de Cegos do Rio Grande do Sul

Passeios ciclísticos defendem inclusão social em Porto Alegre  | Foto: Alina Souza

Passeios ciclísticos defendem inclusão social em Porto Alegre | Foto: Alina Souza

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Dois passeios ciclísticos em prol da inclusão social, conscientização e confraternização, com participação sobretudo de portadores de problemas de visão e de esclerose múltipla, encontraram-se na manhã deste domingo na Redenção, em Porto Alegre. A união de ambos foi marcada pela emoção e comemoração em frente do Monumento ao Expedicionário. Depois, dezenas de participantes com muita animação seguiram até a orla do Guaíba antes de retornarem ao parque. O percurso somou cerca de 15 quilômetros, incluindo por exemplo as avenidas João Pessoa, Mauá e Ipiranga. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) prestou apoio durante todo o trajeto.

Um dos passeios foi organizado pela Associação de Cegos do Rio Grande do Sul dentro da programação da 21ª Semana da Pessoa com Deficiência. A concentração do Pedal Acergs foi junto do próprio Monumento ao Expedicionário. O evento teve a participação pessoas cegas e com baixa visão que usaram bicicletas de dois assentos conduzidas conjuntamente por não deficientes que são chamados de pedaleiros.

As bikes especiais, conhecidas como tandens, são adquiridas através da campanha de tampinhas plásticas que também voltada para a obtenção de bengalas. “A gente pode pedalar. É tirar o mito de que a pessoa com deficiência não pode tal coisa”, garantiu o coordenador do Pedal Acergs Rafael Martins dos Santos. “O grupo vem cada vem mais aumentando e com mais parceiros para estarem conosco. A atividade é maravilhosa e ficou muito legal e a gente vai aprendendo o que existe na cidade por que as pessoas descrevem para nós”, destacou. “A ideia é trabalhar a diversidade. Se a gente conseguir aprender um com o outro, reconhecendo nossos limites, já facilita bastante”, acrescentou Rafael Martins dos Santos. Idealizadora do Pedal Acergs que ocorre mensalmente há dois anos e meio, Bianka da Silva Rauber ressaltou que a bicicleta une “a questão sustentabilidade, exercício físico e lazer, fazendo uma inclusão diferente”.

A integrante do grupo de ciclismo da Acergs, Mariana Baierle, apontou que o ponto alto foi a passagem pelo Túnel da Conceição. “É um frisson por que todos gritam e fazem festa”, recordou, referindo-se ao eco no interior do mesmo. “É sentir a cidade diferente”, resumiu.

Já o segundo passeio ciclístico partiu do Parque Marinha do Brasil, ao lado do Velódromo, na avenida Ipiranga, antes de chegar na Redenção. A Pedalada do Bem foi coordenada pela entidade AME-Amigos pela Esclerose Múltipla, ocorrendo ainda em outras oito cidades brasileiras. Bicicletas normais ou adaptadas para duas pessoas foram empregadas.

“Agosto é o mês de conscientização da esclerose múltipla. É o Agosto Laranja”, disse a vice-presidente Bruna Rocha Silveira, citando que a próxima quinta-feira é o dia nacional de mobilização. “A esclerose múltipla é uma doença do sistema autoimune e que atinge o sistema nervoso central. Ela pode ser diversos sintomas, atinge mais o jovem adulto e mais incapacita para o trabalho. Os sintomas mais recorrentes são perda motora, deficiência de sensibilidade, fadiga e perda visual”, enumerou, defendendo o diagnóstico precoce como forma de controlar o avanço da doença degenerativa que ainda não cura. “Não sabemos ainda a causa”, reconheceu. “Com bom tratamento temos qualidade de vida”, garantiu.

A Pedalada do Bem teve apoio pela segunda vez do pessoal do Pedal da Inclusão. “Ele consiste em trazer a possibilidade de pedalar às pessoas com deficiência física ou intelectual. A gente vê a felicidade delas”, disse Carlos Buchs, um dos coordenadores do projeto. A campanha das tampinhas plásticas do Pedal da Inclusão também visa a aquisição das bicicletas adaptáveis para duas pessoas, inclusive para cadeirantes”, complementou.