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Porto Alegre, terça-feira, 13 de Novembro de 2018

  • 30/08/2018
  • 20:00
  • Atualização: 20:10

Consórcio prevê reativação completa de composições do Trensurb em dezembro

Ministério Público prepara ação contra empresas contratadas para renovação da frota

Ministério Público prepara ação contra empresas contratadas para renovação da frota | Foto: Gustavo Nardon / Trensurb / Divulgação CP

Ministério Público prepara ação contra empresas contratadas para renovação da frota | Foto: Gustavo Nardon / Trensurb / Divulgação CP

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  • Ananda Muller / Rádio Guaíba

Com atraso de quase um ano em relação ao último cronograma apresentado, a empresa responsável por fornecer e garantir a manutenção dos 15 trens novos, adquiridos em 2012 pela Trensurb, promete para este sábado mais um carro em circulação. A estimativa da FrotaPoa é de colocar o oitavo trem em circulação até o dia 1º, o nono ainda na primeira quinzena de setembro, e assim sucessivamente – um trem a cada quinze dias – até totalizar os reparos, em fim de dezembro.

A FrotaPoa, formada pela francesa Alstom e pela espanhola Caf, juntamente com órgãos administrativos da Trensurb, estão na mira do Ministério Público Federal (MPF), que deve entrar com ação até o fim do ano por perdas e danos na contratação das composições. A história é antiga. Em 2012, a FrotaPoa venceu o processo licitatório para fornecer 15 trens para a Trensurb, por cerca de R$ 243,7 milhões. Desde que entraram em circulação, já em 2014, as composições passaram a apresentar problemas, posteriormente identificados como sendo nas caixas de rolamento. Em 2016, todas foram tiradas de circulação, encaminhadas para reparos e devolvidas paulatinamente, totalizando apenas sete em agosto de 2018.

Os 15 trens, da chamada Série 200, nunca estiveram circulando ao mesmo tempo na linha. Conforme o procurador do MPF no Rio Grande do Sul, Celso Antônio Três, “a FrotaPoa já fez pelo menos cinco promessas de devolver os carros à circulação, mas não cumpriu nenhuma”. Ele ainda ressaltou que pretende ingressar com ação na Justiça Federal até o fim do ano pedindo ressarcimento e multa às empresas integrantes do consórcio FrotaPoa, independente do retorno ou não das composições: “Isso vai apenas abrandar – ou não – a questão; o prejuízo à população e aos cofres públicos já está feito, basta saber se vai ser ainda maior”, relatou.

O procurador reiterou que considera escusa a negociação para o contrato com a FrotaPoa: “Por que as empresas responsáveis pelos trens antigos (Nippon Shario Seiko Kaisha, Hitachi LTDA, e Kawasaki Heavy Indrustries LTDA) não foram convidadas a participar, por exemplo? Há indícios de favorecimento econômico das empresas envolvidas, e isso precisa ser esclarecido”, afirmou. Três reforçou que há críticas entre os maquinistas que dirigem os trens da Série 200, e disse não acreditar que eles retornem à operação integral. “Os trens são frágeis, há coisas bizarras no contrato, se eles não voltarem a operar normalmente, terão de restituir tudo”, reforçou.

A Trensurb opera com cerca de 24 carros ao mesmo tempo nos horários de pico do sistema, pela manhã e no fim da tarde. Em fevereiro, a empresa informou que já havia multado o consórcio em 3% sobre o valor total do contrato. Cerca de 90% dos valores já foram pagos, mas os repasses foram congelados em abril de 2016, devido aos defeitos nas composições.

Atualmente, a Trensurb atende a seis cidades da região Metropolitana e Vale do Sinos, em 22 estações. A extensão total do sistema é de 43,8 quilômetros, o que permite a circulação de 20 composições por hora, em cada sentido. A estatal opera com 25 trens Série 100 (antigos) e sete da Série 200 (novos).