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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

  • 03/09/2018
  • 12:59
  • Atualização: 13:06

Programa de estudos brasileiros na Antártica arrecada R$ 18 milhões

Propostas podem ser submetidas até 8 de outubro

Pesquisa na Antártica é fundamental para entender as mudanças climáticas no planeta | Foto: Divulgação / Centro Polar e Climático / Ufrgs / CP

Pesquisa na Antártica é fundamental para entender as mudanças climáticas no planeta | Foto: Divulgação / Centro Polar e Climático / Ufrgs / CP

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  • Henrique Massaro

 As pressões da comunidade científica surtiram efeito e o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) já tem garantidos R$ 18 milhões para projetos de pesquisa. Até 8 de outubro, podem ser submetidas propostas de estudos brasileiros na Antártica. Os recursos são oriundos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Criador do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Jefferson Cardia Simões estima que a verba destinada seja suficiente para manter o Proantar pelos próximos três anos.

Em março deste ano, Simões, que é também vice-presidente do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica, e um grupo de pesquisadores assinaram uma carta enviada ao ministro Gilberto Kassab e outras autoridades manifestando a preocupação com as pesquisas. Sem edital desde 2013, a comunidade científica temia, por exemplo, que a Estação Comandante Ferraz viesse a ser inaugurada sem cientistas.

À época, o MCTIC afirmou ter conseguido disponibilizar R$ 7 milhões para o Proantar, mas a verba era considerada ínfima pelos pesquisadores. Desde então, comenta o professor da Ufrgs, pressões e negociações foram feitas pelos cientistas em espaços como a Frente Parlamentar Mista do Programa Antártico Brasileiro. Os esforços repercutiram, o valor foi sendo ampliado e chegou aos R$ 18 milhões publicados em edital no dia 22 de agosto. "Basicamente, está salvando o Proantar", comentou Simões.

O pesquisador, considerado o "pai da glaciologia brasileira", destacou que este edital conta com uma novidade, que é a participação da Capes em cerca de um terço do valor. De acordo com Simões, os R$ 18 milhões serão suficientes para que até 20 projetos de pesquisa sejam bem financiados pelos próximos anos. Ele comenta que, além da Ufrgs, no Estado devem submeter propostas pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande (Furg) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ao todo, estima que, no mínimo, dez instituições de ensino superior brasileiras devem participar.

As pesquisas em território antártico são consideradas fundamentais para, por exemplo, entender as mudanças climáticas no planeta. O Proantar ainda encontra relação direta com os estudos do clima e de eventos severos que ocorrem no Sul do Brasil. Em vários fenômenos, pesquisadores já encontraram componentes da circulação atmosférica induzida pelo continente. O temporal ocorrido em Porto Alegre no dia 29 de janeiro de 2016, por exemplo, havia o que cientistas chamam de "assinatura" da Antártica como uma região fria que tentava modular a situação atmosférica e contrastava com o calor no Rio Grande do Sul.