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  • 28/08/2018
  • 16:45
  • Atualização: 21:34

Físicos finalmente observam desintegração do bóson de Higgs

Explicações para o evento podem contrariar modelos físicos atuais

Desintegração observada no Large Hadron Collider, segundo laboratório de física europeu | Foto: Richard Juilliart / AFP / CP Memória

Desintegração observada no Large Hadron Collider, segundo laboratório de física europeu | Foto: Richard Juilliart / AFP / CP Memória

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  • AFP

Seis anos depois de rastrearem o bóson de Higgs, a partícula subatômica que confere massa à matéria, físicos disseram nesta terça-feira que "finalmente" testemunharam sua desintegração em partículas chamadas "quarks bottom". A desintegração prevista foi observada no Large Hadron Collider (LHC), anunciou o laboratório de física europeu CERN. "Havia dúvidas sobre se essa observação poderia ser alcançada", disse a colaboração científica ATLAS sobre a "interação elusiva", agora documentada no maciço acelerador de partículas.

Como os próprios bósons de Higgs são difíceis de encontrar, e outras partículas também se dividem em quarks bottom, é difícil rastrear aqueles atribuídos especificamente à desintegração do Higgs. Pesquisadores dizem que a aguardada observação serve como verificação adicional do Modelo Padrão da física - a teoria dominante das partículas fundamentais que compõem o Universo e as forças que as governam. Sob esse modelo, desenvolvido no início dos anos 1970, quarks e léptons são os blocos de construção mais básicos da matéria. Existem seis tipos de quarks, dos quais os quarks bottom estão entre os mais pesados.

O Modelo Padrão previu que a desintegração de Higgs produziria pares de quarks bottom em aproximadamente 60% das vezes. Mas a busca por esses quarks está "entre as análises mais exigentes já realizadas pelo ATLAS", disse a equipe em um comunicado. Cientistas que investigam a natureza e o funcionamento do Higgs e de outras partículas estão à procura de qualquer coisa que não se encaixe nas previsões do Modelo Padrão. Isso se deve a que o modelo não explica a matéria escura ou a energia escura, e parece ser incompatível com a teoria da gravidade.

Algum outro modelo de "nova física" é necessário para explicar isso. As alternativas propostas incluem a existência de dimensões extras, ou a "supersimetria", que postula a existência de um irmão de massa igual para cada partícula conhecida do Modelo Padrão, mas nenhuma evidência foi encontrada até agora. A última observação também foi "consistente com" o Modelo Padrão, disse a equipe do detector de partículas CMS, que trabalhou com o ATLAS no projeto. Mas "ainda deixa espaço para contribuições da nova física". Embora tenha sido um importante avanço científico, a observação também foi "uma decepção (para os físicos) porque o Modelo Padrão ainda não foi refutado".