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  • 02/01/2018
  • 14:36
  • Atualização: 14:41

Medicamento para prevenção ao HIV começa a ser distribuído no RS nesta quarta

Truvada será entregue, inicialmente, para grupos considerados de risco para exposição ao vírus

Medicamento será distribuído pelo Sistema Único de Saúde  | Foto: Alexandre Mendez / CP Memória

Medicamento será distribuído pelo Sistema Único de Saúde | Foto: Alexandre Mendez / CP Memória

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  • Daiane Vivatti / Rádio Guaíba

O medicamento anunciado pelo Ministério da Saúde como alternativa para prevenção ao HIV vai começar a ser distribuído no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira. Inicialmente, o Truvada será disponibilizado em Porto Alegre para 86 usuários dos serviços da Secretaria Municipal de Saúde da Capital e do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Hospital Sanatório Partenon, vinculado à Secretaria Estadual da Saúde. Moradores de municípios de todas as regiões do Estado também poderão fazer o cadastro para receber a medicação.

A chamada profilaxia pré-exposição (PrEP) será oferecida para grupos considerados de risco para exposição ao vírus. O medicamento só pode ser utilizado por pessoas que não foram infectadas pelo HIV.

A médica Ana Lúcia Didonet Moro, infectologista dos hospitais Nossa Senhora da Conceição e São Lucas da Pucrs, explica que o Truvada – uma combinação do tenofovir com a entricitabina – atua bloqueando uma enzima. Com isso, interrompe o processo de reprodução do vírus dentro da célula. Até então, o medicamento era utilizado apenas como um dos remédios para tratamento de pessoas infectadas.

Ana Lúcia destaca que diversas pesquisas foram realizadas nos últimos anos comprovando a eficácia da medicação na redução do risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. “Um dos primeiros foi o teste Iprex que fez esse estudo com homens que fazem sexo com homens e em mulheres trans e viu que houve redução de 44% no risco de aquisição do HIV com o Truvada. Essa eficácia da medicação foi fortemente relacionada à adesão ao tratamento. Eles pegaram um recorte do estudo nos participantes que tinham um nível de adesão alto e viram que os níveis sanguíneos adequados reduziram a incidência do HIV em mais de 95%”, detalha.

Em 2012, a utilização do Truvada para a prevenção do HIV foi aprovada nos Estados Unidos e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o potencial da PrEP para o enfrentamento da epidemia do HIV/AIDS. No Brasil, foram realizados testes com 500 homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e mulheres transexuais com risco de adquirir a infecção pelo HIV em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em dezembro, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou a distribuição do medicamento gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A estimativa da pasta é que a estratégia no Brasil seja utilizada por cerca de 7 mil pessoas que integram as chamadas populações-chave, no primeiro ano de implantação.

Como usar

Para garantir a proteção, o medicamento deve ser tomado diariamente, no mesmo horário. A ação do Truvada começa a valer após sete dias de uso para sexo anal e após 20 dias de uso para sexo vaginal. Caso a pessoa decida parar de utilizar a medicação, deve permanecer tomando por quatro semanas após a última relação sexual para evitar a contaminação com o vírus.

Algumas pessoas sentem efeitos colaterais quando iniciam o Truvada para PrEP, no entanto, os sintomas são geralmente leves e desaparecem após o primeiro mês de uso. Podem ocorrer gases, cefaleia e um pouco de enjoo.

A orientação do Ministério da Saúde é para que, mesmo tomando o medicamento Truvada, as pessoas continuem utilizando preservativo. “O Truvada e a profilaxia pré-exposição vem como uma estratégia de prevenção combinada. Existe, claro, o uso de preservativo, o diagnóstico e o tratamento precoce de outras doenças sexualmente transmissíveis e a estratégia também da profilaxia após exposição – o uso da terapia antirretroviral após uma relação desprotegida”, explica Ana Lúcia.

A médica destaca, no entanto, que o discurso focado no uso isolado da camisinha não funcionou ou funcionou apenas parcialmente. “Vai ter uma parcela da população que não vai usar e que tem que ter direito de escolha de outra forma de se prevenir. Mas é lógico que quem fizer o PrEP vai ser aconselhado a usar de maneira combinada”, ressalta.