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Porto Alegre, segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

  • 15/05/2018
  • 17:44
  • Atualização: 18:14

Reunião sobre futuro do Hospital Beneficência é adiada

Ministro da Saúde não pôde comparecer ao encontro desta terça para definir sobre aluguel do local

Hospital Beneficência Portuguesa agoniza sem pagar funcionários e mantendo o funcionamento para apenas dois pacientes | Foto: Alina Souza

Hospital Beneficência Portuguesa agoniza sem pagar funcionários e mantendo o funcionamento para apenas dois pacientes | Foto: Alina Souza

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  • Henrique Massaro

A possibilidade de o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) alugar o Hospital Beneficência Portuguesa, um dos mais antigos de Porto Alegre e que agoniza sem pagar funcionários e mantendo o funcionamento para apenas dois pacientes, pode ter sido descartada por razões políticas.

Através de uma articulação de deputados da bancada gaúcha, representantes das duas instituições deveriam se reunir com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, na manhã desta terça-feira para falar sobre o possível aluguel, mas o encontro acabou desmarcado por intervenções nos bastidores de Brasília. Oficialmente, no entanto, os dois hospitais afirmam que a reunião foi apenas adiada, já que o ministro ainda não havia recebido o relatório do Hospital Sírio-Libanês, que tinha até essa segunda-feira para terminar uma consultoria no Beneficência.

O objetivo do encontro de hoje, que havia sido marcado na semana passada após uma reunião em Porto Alegre, seria tratar a possibilidade de aluguel durante obras de expansão que o GHC tem interesse de fazer no Hospital Conceição. Para isso que elas aconteçam, no entanto, é necessária uma negociação como o Ministério, já que a instituição teve aproximadamente R$ 25 milhões contingenciados pelo governo federal e, por isso, precisou priorizar a construção do Centro de Hematologia e Oncologia, que já estava em andamento.

Para o presidente do Beneficência, Augusto Veit Júnior, o motivo da suspensão da reunião é somente dar tempo para que o ministro possa analisar o estudo feito pelo Sírio-Libanês, que analisou a gestão do hospital gaúcho através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Ele, que não sabia o conteúdo da análise da instituição paulista, considera adequado se adiar o encontro e apenas aguarda uma nova data. Por meio de sua assessoria de comunicação, o hospital de São Paulo não informou nenhum conteúdo relativo ao estudo feito na instituição de Porto Alegre.

Articulador da primeira reunião no Estado e da que ocorreria hoje em Brasília, o deputado Jerônimo Goergen (PP), disse que uma interferência política impossibilitou qualquer possibilidade de o GHC vir a alugar o espaço. Segundo ele, um deputado ligado a indicações de cargos no Grupo acabou intervindo e a reunião acabou tendo que ser cancelada. Ele, que não quis citar o nome do parlamentar, ainda assim se reuniria com o ministro Occhi no final da tarde de hoje para falar sobre o Beneficência. Na pauta, no entanto, estaria apenas os resultados da consultoria do Sírio-Libanês.

Diretor técnico do GHC, Mauro Sparta confirmou que, de fato, ocorreu um imbróglio por parte de um deputado que teria desmotivado uma nova articulação junto ao ministro. Apesar disso, disse que uma nova reunião ainda poderá ocorrer depois da análise do relatório do Sírio-Libanês. Caso haja liberação de verbas por parte do Ministério, o interesse do GHC pelo Beneficência viria da necessidade de alugar algum espaço em Porto Alegre para utilizar enquanto realizasse suas obras internas, como, por exemplo, em seu bloco cirúrgico.

A escolha pelo local, no entanto, dependeria da adequação da estrutura interna, que passaria por uma análise. No primeiro encontro entre as duas entidades, na semana passada, o diretor técnico administrativo e financeiro do Conceição, José Ricardo Agliardi Silveira, disse que o posicionamento depende exclusivamente da decisão vinda de Brasília.

Com a maior parte de seus serviços fechados, o Beneficência tem uma folha salarial de R$ 300 mil que não tem sido paga. A isso, soma-se um passivo trabalhista entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões. Recentemente, ocorreram dois assaltos e uma tentativa no prédio que abriga equipamentos novos adquiridos através de verbas parlamentares e que não têm sido utilizados.