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Porto Alegre, segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

  • 16/05/2018
  • 14:22
  • Atualização: 14:33

Reunião com Ministério da Saúde pode definir futuro do Beneficência Portuguesa

Possibilidade de aluguel por parte do GCH está praticamente descartada

Futuro do Beneficência Portuguesa ainda está indefinido | Foto: Fabiano do Amaral

Futuro do Beneficência Portuguesa ainda está indefinido | Foto: Fabiano do Amaral

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  • Henrique Massaro

Com a possibilidade de o Grupo Hospitalar Conceição (GCH) vir a alugar o Hospital Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre, já dada como descartada, a situação da centenária instituição pode ter novos encaminhamentos na próxima semana. Na segunda-feira, devem se reunir na Capital representantes do Ministério da Saúde e das secretarias estadual e municipal da área para analisar o relatório feito pelo Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Nessa terça-feira foi concluída uma consultoria no local através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

“Segunda-feira vai ser um momento decisivo”, afirmou o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), que se reuniu com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, no final da tarde de terça para falar sobre a situação do Beneficência. De acordo com o parlamentar, no entanto, o Ministério recebeu, por enquanto, apenas uma prévia do estudo feito pelo Sírio-Libanês e enviará representante para analisar o relatório final em Porto Alegre. Ainda segundo Goergen, o governo já cogita o aluguel através de um outro hospital e ainda não trabalha com a possibilidade de uma intervenção federal, como já chegou a ser falado.

O deputado gaúcho era quem vinha articulando para que as instalações do Beneficência pudessem ser alugadas pelo GHC, que teria interesse no espaço se conseguisse a liberação de verbas contingenciadas pelo governo federal e pudesse realizar reformas de ampliação de sua estrutura. A negociação final, junto ao ministro, contudo, sequer chegou a acontecer. O motivo, conforme Goergen, foi a interferência de um deputado ligado a indicações de cargos no Conceição.

O interesse no aluguel, segundo Goergen, ainda existe por parte área técnica do Grupo, mas a possibilidade é dada como descartada por ele. Diretor técnico do GHC, Mauro Sparta também desconsidera a alternativa, pois não acredita que se consiga a liberação de recursos no Ministério. Com R$ 25 milhões contingenciados pelo governo federal, a entidade precisa priorizar a construção do Centro de Hematologia e Oncologia – em andamento – e deixar de lado outras obras que planejava fazer, como do bloco cirúrgico.

Ainda sem a divulgação do nome do hospital cogitado pelo Ministério da Saúde para alugar a Beneficência, a entidade, uma das mais antigas na área da Saúde de Porto Alegre e que vive grave crise financeira, tem poucas opções para garantir seu futuro. Uma delas é através da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que chegou a oficializar o interesse no final do ano passado. O assunto não chegou a ter andamento, mas a possibilidade, de acordo com o professor Paulo Roberto Fontes, ainda existe. Ainda segundo ele, a Universidade cogita fazer um hospital-escola ou até mesmo um Hospital Universitário, que serviriam como expansão da residência médica dos alunos e também para garantir que os 201 leitos do Beneficência - atualmente com apenas dois pacientes - não sejam fechados.

Para o presidente do Hospital, Augusto Veit Júnior, qualquer auxílio que for cogitado pode vir a ser estudado. Ele disse, no entanto, que a análise não compete ao Beneficência, mas ao governo federal, assim como o possível aluguel por parte do GHC. Apesar dos últimos encaminhamentos a respeito dessa possibilidade, Veit afirmou que ainda não a descarta, pois sente interesse por parte do Grupo em vir a alugar o espaço.