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  • 03/08/2018
  • 14:30
  • Atualização: 14:55

Especialistas discutem uso de sangue do cordão umbilical em transplante de medula óssea

Médica norte-americana defende que alternativa terá papel importante no prazo de dez anos

Médica norte-americana defende que alternativa terá papel importante no prazo de dez anos | Foto: Alina Souza

Médica norte-americana defende que alternativa terá papel importante no prazo de dez anos | Foto: Alina Souza

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  • Cláudio Isaías

O sangue do cordão umbilical no futuro continuará sendo uma opção para o transplante de medula óssea para crianças e adultos e também para os casos de doenças hematológicas. Em termos de medicina regenerativa, o sangue do cordão umbilical terá um papel importante no prazo de cinco a dez anos. A avaliação foi feita pela médica norte-americana Joanne Kurtzberg, especialista em onco-hematologia pediátrica, que nesta sexta-feira realizou a conferência “Trinta anos de coleta e uso de sangue de cordão umbilical - O que evoluiu?”, durante o XXI Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece no Plaza São Rafael, em Porto Alegre.

Pela primeira vez no Rio Grande do Sul, Joanne Kurtzberg falou para uma plateia formada por gineco-obstetras e hematologistas sobre o primeiro transplante de sangue de cordão umbilical da história, em 1988, realizado em um paciente seu - o menino Matthew, diagnosticado com anemia de Fanconi e insuficiência da medula óssea. O sangue de cordão utilizado no transplante foi coletado no nascimento da irmã caçula e armazenado nos Estados Unidos. O transplante ocorreu no Hospital Saint-Louis, em Paris, sob coordenação da médica Eliane Gluckman. O menino foi curado e leva uma vida normal e saudável.

Em 2010, a médica norte-americana que criou o Programa Robertson de Terapia Celular Clínica e Translacional na Universidade Duke, nos Estados Unidos. Ela se dedica ao estudo e desenvolvimento de novas terapias derivadas do sangue de cordão e do tecido de cordão, para o tratamento de doenças não-hematológicas. Durante a palestra, a especialista também apresentou os resultados das pesquisas sobre o uso das células do cordão umbilical em crianças com paralisia cerebral, autismo, lesão cerebral por traumatismo, e, até mesmo, acidente vascular cerebral (AVC) em adultos.

Em três décadas, já foram realizados mais de 40 mil transplantes de sangue de cordão em todo o mundo, e mais de quatro milhões de unidades foram armazenadas em bancos de cordão umbilical. No Brasil, o primeiro transplante de sangue de cordão foi um transplante alogênico – quando o paciente recebe células de outra pessoa – realizado em 1997, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Dois anos depois, a mesma instituição foi pioneira ao realizar o primeiro transplante de sangue de cordão autólogo – quando o paciente recebe suas próprias células – do mundo.

O tratamento foi realizado em uma menina de quatro anos com neuroblastoma, um tumor sólido originário do sistema nervoso. O presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul (Socirgs), Breno Acauan Filho, disse que durante os três dias do evento estão sendo discutidos temas como o rastreamento de lesões, hipertensão gestacional, câncer ginecológico, eclâmpsia, endometriose, ovários policísticos e novos critérios para diagnóstico em medicina fetal.

O professor de Obstetrícia e Ginecologia da University of New Mexico School of Medicine, Alan Waxman, de Albuquerque, Estados Unidos, realizou a palestra sobre prevenção e rastreamento do câncer cervical, HPV e Colposcopia. A palestra para orientar as mulheres sobre a prevenção do câncer de mama foi realizada pela mastologista do Centro de Mama da Pucrs, Betina Vollbrecht, que abordou os “10 mitos e verdade sobre câncer de mama” e esclareceu dúvidas como fatores de risco, histórico familiar, tratamentos e mastectomia profilática.