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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de Novembro de 2018

  • 28/08/2018
  • 14:16
  • Atualização: 14:27

Anvisa proíbe remédio para tratar infarto por substância cancerígena

Componente indicado para hipertensão arterial é usado para criar tumores em ratos

Nos Estados Unidos a substância já e considerada altamente tóxica | Foto: USP Imagens / CP Memória

Nos Estados Unidos a substância já e considerada altamente tóxica | Foto: USP Imagens / CP Memória

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  • R7

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a importação, distribuição, comercialização e uso de uma substância chamada valsartana, usada no tratamento da hipertensão arterial e insuficiência cardíaca. De acordo com a bula, o medicamento é capaz de “melhorar a sobrevida após infarto do miocárdio em pacientes clinicamente estáveis”.

A resolução foi publicada na última sexta-feira e já está em vigor. A decisão foi tomada depois de um comunicado expedido pela Direção Europeia da Qualidade dos Medicamentos e Cuidados de Saúde (EDQM) — a agência responsável pela regulação e fiscalização de medicamentos na Europa. De acordo com a EDQM, foi encontrada uma substância tóxica no medicamento, produzido por duas indústrias, uma chinesa e outra indiana.

A substância é a N-nitrosodimetilamina, um composto químico cancerígeno, que, de acordo com a Anvisa, possui “elevado risco sanitário para a saúde pública”. Nos Estados Unidos esta substância já é considerada altamente tóxica, principalmente pela capacidade de levar ao surgimento de tumores no fígado. A N-nitrosodimetilamina é comumente usada para desenvolver tumores cancerígenos em ratos usados para pesquisas.

As empresas responsáveis pela fabricação da valsartana são a Zhejiang Tianyu Pharmaceutical Co. Ltd, localizada em Taizou, província Zhejiang, República Popular da China; e a Hetero Labs Limited, que possui unidades nas cidades de Gaddapotharam Village e Narasapuram Village, na Índia. A reportagem do R7 não conseguiu contato com as empresas.