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  • 02/10/2016
  • 19:34
  • Atualização: 22:03

Colômbia rejeita acordo de paz com as Farc

Votação foi bastante apertada e “Não” venceu com menos de 1% de vantagem

Colômbia rejeitou acordo de paz com as Farc | Foto: Luis Robayo / AFP / CP

Colômbia rejeitou acordo de paz com as Farc | Foto: Luis Robayo / AFP / CP

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  • Correio do Povo

Contra todos os prognósticos, a Colômbia optou pelo "Não", neste domingo, rejeitando o pacto de paz que buscava pôr fim a 52 anos de um sangrento conflito com a guerrilha Farc - de acordo com número oficial divulgado após a apuração de 99,74% dos votos. Com 50,23%, o "Não" liderava a disputa contra o "Sim" (49,76%), pouco mais de uma hora depois do término dessa histórica votação. O nível de participação chegou a 37,28%.

Embora pelo menos 6.346.055 pessoas tenham votado no "Sim", superando o mínimo de 4,5 milhões de votos exigidos para se aprovar o acordo, 6.408.350 colombianos disseram "Não".

Na sede da campanha pelo "Sim", no emblemático hotel Tequendama, no centro de Bogotá, o clima era de luto.

Depois de reconhecer a derrota, o presidente Juan Manuel Santos garantiu que continuará buscando superar mais de meio século de guerra com a guerrilha marxista. "Não me renderei e continuarei buscando a paz até o último dia do meu mandato, porque esse é o caminho para deixar um país melhor para os nossos filhos", declarou Santos, em

pronunciamento transmitido em rede nacional da sede presidencial, a Casa de Nariño, cercado por sua equipe negociadora nos diálogos de Havana.

Já as Farc disseram que "lamentam profundamente que o poder destrutivo dos que semeiam ódio e rancor tenha influenciado a opinião da população colombiana", afirmou Timoleón Jiménez.

Cerca de 34,9 milhões de colombianos foram convocados para se pronunciar sobre o pacto firmado em 26 de setembro passado entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo de Juan Manuel Santos, em um dia que transcorreu com tranquilidade.

Momentos depois do anúncio da vitória do "Não", o Exército de Libertação Nacional (ELN) defendeu, em sua conta no Twitter, que "apesar dos resultados" é preciso "continuar lutando pela paz". "Convocamos a sociedade colombiana a continuar buscando saída negociada para o conflito armado", tuitou o ELN. "Apesar dos resultados adversos para os acordos de Havana, os colombianos devem continuar lutando pela paz com transformações", acrescentou o grupo rebelde, que estava nas conversas iniciais para percorrer o mesmo caminho das Farc em negociação com o governo Santos.

Os colombianos se dizem cansados da guerra, mas muitos resistem a fazer concessões às Farc. A guerrilha marcou a história recente do país com massacres, sequestros, extorsões e desaparecimentos forçados.

As últimas pesquisas apontavam a vitória do "Sim", com 20% das adesões frente ao "Não", firmemente apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010). "A paz é ilusória. Os textos de Havana são decepcionantes", criticou o senador e ex-presidente. "Não entreguemos a Colômbia", repetiu Uribe, para quem o acordo concede impunidade aos rebeldes e encaminha o país para o "castrochavismo" de Cuba e Venezuela.

Ódio venceu

"O ódio venceu, venceu o ódio contra as Farc", disse à AFP o diretor do centro de análise Cerac, Jorge Restrepo.

"Ficamos mergulhados em uma profunda crise política e com consequências econômicas muito negativas", acrescentou. Agora, são as Farc que "vão decidir se continuam com o desarmamento, com a reintegração e com o cessar-fogo bilateral", disse Restrepo, referindo-se ao processo iniciado sob a supervisão das Nações Unidas, no cumprimento do estabelecido no âmbito do acordo já selado.

O pacto de 297 páginas com as Farc tem como objetivo acabar com o principal e mais antigo conflito armado nas Américas, um complexo emaranhado de violência entre guerrilhas, paramilitares e agentes do Estado, com balanço de 260.000 mortos e 6,9 milhões de deslocados. O acordo previa o ingresso das Farc na vida política de forma legal. Seus 5.765 combatentes - segundo números da guerrilha - iriam se concentrar em 27 lugares para seu desarmamento e posterior reinserção à vida civil. Agora, porém, o que reina é a incerteza absoluta.