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Porto Alegre, terça-feira, 22 de Agosto de 2017

  • 11/08/2017
  • 09:50
  • Atualização: 11:53

Trump volta a citar opção militar contra a Coreia do Norte

Presidente afirmou que EUA possui opções militares posicionadas caso Coreia "atue sem sabedoria"

Presidente afirmou que EUA possui opções militares posicionadas caso Coreia

Presidente afirmou que EUA possui opções militares posicionadas caso Coreia "atue sem sabedoria" | Foto: Timothy A. Clary / AFP / CP Memória

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O presidente Donald Trump voltou a utilizar uma retórica beligerante nesta sexta-feira ao mencionar a Coreia do Norte e afirmou que os Estados Unidos têm "preparadas" as opções militares."As soluções militares estão posicionadas, travadas e carregadas, caso a Coreia do Norte atue sem sabedoria. Esperamos que Kim Jong Un encontre outro caminho!", tuitou Trump, utilizando termos militares.

Em função disso, os governos de China, Alemanha e Rússia advertiram contra a intensificação da escalada belicosa entre os dois países. Enquanto Pequim pediu a ambos que sejam "prudentes" e "contribuam mais" para apaziguar "uma situação tensa", Berlim disse se opor a qualquer "solução militar" na Coreia do Norte, denunciando a atual "escalada" verbal entre Washington e Pyongyang. Já Moscou manifestou sua preocupação com os riscos "muito elevados" do quadro.

"A situação atual na península coreana é altamente complicada e delicada. Fazemos um apelo a todas as partes relevantes para que sejam prudentes em suas palavras e em suas ações e contribuam mais para aliviar as tensões", declarou o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, em um comunicado. O porta-voz afirmou ainda que ambos devem se esforçar para "aumentar sua confiança mútua" em vez de "recorrer, alternadamente, a velhas receitas de demonstrações de força e de contínua escalada da situação".

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, opôs-se a qualquer "solução militar" na Coreia do Norte e denunciou a atual "escalada" verbal dos dois atores."Não vejo uma solução militar para esse conflito", disse Merkel à imprensa em Berlim, após ser questionada sobre o mais recente tuíte de Trump sobre as opções militares dos Estados Unidos. "A Alemanha participará intensamente das opções de resolução não militares, mas considero que a escalada verbal é uma resposta ruim", frisou.

Também nesta sexta, a Rússia manifestou sua forte preocupação com a possibilidade de um conflito. "Os riscos são muito elevados, sobretudo, levando-se em conta a retórica usada. Há ameaças diretas de usar a força", declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em um encontro com jovens transmitido pela televisão. "É por isso, claro, que estamos muito preocupados", apontou, acrescentando que cabe "ao mais forte e mais inteligente" dar "um passo para se afastar da linha perigosa", em uma clara referência aos EUA.

Soluções militares à mesa

Ao longo da semana, Trump endureceu o discurso contra Pyongyang. Nessa terça-feira ameaçou com "fogo e fúria" se o regime isolado prosseguisse com as ameaças e a corrida armamentista, mas na quinta-feira disse que talvez a advertência "não tenha sido dura o bastante". O secretário da Defesa, Jim Mattis, mostrou-se mais prudente do que seu presidente, insistindo em que "o esforço americano é conduzido pela diplomacia". Mattis alertou contra o cenário "catastrófico" de um conflito armado.

Horas antes, Pyongyang havia apresentado seu plano de lançar quatro mísseis contra a ilha de Guam, um bastião estratégico dos Estados Unidos na região. A ação teria sido "uma

advertência" a Trump. Essa guerra retórica sobre os programas balístico e nuclear de Pyongyang alimenta o temor de um erro de cálculo com consequências dramáticas para a península coreana e mesmo além dessa região.Em julho, a Coreia do Norte fez bem-sucedidos testes com mísseis balísticos intercontinentais (ICBM, na sigla em inglês), que teriam capacidade de alcançar território americano.

Pequim pode fazer muito mais

Ao ser questionado esta semana sobre eventuais ataques preventivos, Trump desconversou, recorrendo à sua imprecisão habitual."Nos preparamos para muitos cenários diferentes", declarou.

O professor John Delury, da Universidade Yonsei, de Seul, cogitou a possibilidade de haver uma "uma minicrise dos mísseis cubana" na região, em alusão ao ano de 1962, quando a instalação

de mísseis soviéticos em Cuba alimentou temores de uma guerra nuclear mundial. Segundo analistas, um ataque norte-coreano a Guam poria Washington em uma posição difícil: se não tentar interceptá-lo, sua credibilidade se veria afetada, e Pyongyang se sentiria confiante para fazer um teste de ICBM de maior envergadura.

Em relação à China, principal sócio econômico da Coreia do Norte, Trump considerou que "pode fazer muito" para pressionar o regime de Kim Jong-un. No último sábado, Pequim já havia se unido aos demais membros do Conselho de Segurança da ONU em sua decisão de adotar novas sanções contra Pyongyang. Ainda assim, os chineses defendem uma solução "negociada" do caso norte-coreano, sem dar razão a nenhum dos lados. Em diferentes ocasiões, a China propôs que a Coreia do Norte encerre seus testes nucleares e balísticos, ao mesmo tempo em que Coreia do Sul e Estados Unidos põem fim a seus exercícios militares conjuntos.

Nesta sexta-feira, o jornal oficial chinês "Global Times" reforçou a posição de que Pequim não deveria intervir. O governo deve "deixar claro que, se a Coreia do Norte enviar primeiro mísseis que ameacem o solo americano e se os Estados Unidos reagirem, a China permanecerá neutra", defende o veículo em um editorial. O comandante das forças balísticas da Coreia do Norte, general Kim Rak-Gyom, considerou "absurdas" as advertências de Trump.

"Um diálogo sensato é impossível com um indivíduo que não pensa, e com ele funciona apenas a força absoluta", afirmou, citado pela agência oficial de notícias KCNA. De acordo com o general, em meados de agosto deve estar pronto o plano de ataque a Guam, que consiste em lançar quatro mísseis que sobrevoariam as cidades japonesas de Shimane, Hiroshima e Koichi. O projeto ainda deve ser apresentado para a aprovação do líder Kim Jong-un.

A remota e paradisíaca ilha de Guam, a cerca de 3.500 quilômetros da Coreia do Norte, conta com duas bases militares americanas com bombardeiros pesados de longo alcance, caças e submarinos. Participa regularmente das demonstrações de força dos Estados Unidos próximo à península coreana.