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Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

  • 10/08/2018
  • 23:28
  • Atualização: 23:29

Monsanto é condenada a pagar US$ 290 milhões por herbicida cancerígeno

Agricultor com câncer incurável abriu espaço para mais ações contra a companhia

Agricultor com câncer incurável abriu espaço para mais ações contra a companhia | Foto: Josh Edelson / AFP / CP

Agricultor com câncer incurável abriu espaço para mais ações contra a companhia | Foto: Josh Edelson / AFP / CP

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  • AFP

Um júri de São Francisco ordenou, nesta sexta-feira, que a gigante agroquímica Monsanto pague a uma vítima de câncer em fase terminal quase 290 milhões de dólares em danos por não alertar que o glifosato contido em seus herbicidas era cancerígeno. O grupo considerou que a companhia agiu com "malícia" e que seu herbicida Roundup, assim como sua versão profissional RagenrPro, contribuíram "substancialmente" para a doença terminal do jardineiro californiano Dewayne Johnson.

A Monsanto afirmou que vai recorrer da decisão. "Sentimos empatia com o senhor Johnson e sua família, mas defenderemos vigorosamente este produto com 40 anos de história e que continua sendo vital, efetivo e seguro para agricultores e outros", declarou porta-voz. "O juri entendeu tudo errado", disse aos jornalistas o vice-presidente, Scott Partridge.

Após oito semanas nos tribunais, o júri ordenou à companhia pagar 250 milhões em danos punitivos com danos compensatórios e outros custos, levando o total a quase 290 milhões de dólares.

Johnson, de 46 anos, sofre de um linfoma não Hodgkin incurável, que ele atribui ao fato de ter utilizado repetidamente RoundUp e RangerPro durante seu trabalho em uma escola entre 2012 e 2014. É a primeira vez que a Monsanto, adquirida pela alemã Bayer, se encontra no banco dos réus pelos potenciais efeitos cancerígenos destes produtos que contêm glifosato, uma substância controversa.

O advogado Brent Wisner, que defendeu Johnson, declarou que o resultado é uma "esmagadora evidência" de que o produto é perigoso. "Quando se está certo é mais fácil ganhar". Wisner avaliou que esta será a "ponta de lança" de outras ações.

Especialistas coincidem em que o veredito pode abrir a porta para centenas de novos processos. Robert F. Kennedy Jr. - advogado ambientalista, filho do finado senador dos EUA e membro da equipe legal de Johnson - também "acredita que o veredicto desencadeará uma enxurrada de novos casos". "O juri enviou uma mensagem à direção da Monsanto para que mude a forma como faz negócios".