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Porto Alegre, quinta-feira, 26 de Abril de 2018

  • 02/01/2018
  • 23:56
  • Atualização: 23:57

Guia supremo acusa inimigos do Irã de fomentarem distúrbios no país

Pelo menos 21 pessoas já morreram desde o início dos protestos, na semana passada

Onda de protestos no Irã já deixou pelo menos 21 mortos | Foto: AFP / CP

Onda de protestos no Irã já deixou pelo menos 21 mortos | Foto: AFP / CP

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  • AFP

O guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rompeu nesta terça-feira seu silêncio sobre a onda de protestos e afirmou que os distúrbios são orquestrados pelos “inimigos” do país. Desde o início das manifestações, na quinta-feira passada, 21 pessoas morreram, incluindo 16 manifestantes, em todo país por eventos relacionados aos protestos, que começaram em Machhad, espalhando-se rapidamente. Nove pessoas morreram durante a noite de segunda no centro do país, onde os manifestante tentaram invadir um posto policial.

A capital Teerã tem sido menos afetada que as pequenas e médias cidades, mas 450 pessoas foram detidas desde sábado, segundo as autoridades locais. As autoridades mobilizaram agentes adicionais para fazer frente aos protestos, que não parecem estruturados.

Em sua primeira declaração desde o início da crise, o aiatolá Khamenei assegurou que, “nos acontecimentos dos últimos dias, os inimigos se uniram e estão usando de todos seus meios, seu dinheiro, suas armas, suas políticas e seus serviços de segurança para criar problemas para o regime islâmico. Esperam apenas uma chance para se infiltrar e atacar o povo iraniano”, afirmou, sem especificar os "inimigos".

“O que pode impedir o inimigo de agir é o espírito de coragem, de sacrifício e a fé do povo, dos quais vocês são testemunhas”, acrescentou, dirigindo-se às famílias dos soldados mortos em guerra.

As autoridades acusam os grupos de oposição “contrarrevolucionários” baseados no exterior - nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, por exemplo - de tentarem se aproveitar da insatisfação da população para criar problemas no país.

Bate-boca diplomático

O presidente americano Donald Trump, que fez do Irã um dos seus principais alvos, reagiu várias vezes às manifestações, considerando que mostravam que o "tempo da mudança" chegou no país. Nesta terça-feira, Trump elogiou os manifestantes iranianos por denunciar o regime brutal e corrupto de Teerã. "O povo do Irã está finalmente agindo contra o brutal e corrupto regime iraniano", tuitou.

Em resposta, um porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghassemi, afirmou que "ao invés de perder seu tempo enviando tuítes inúteis e insultantes contra outros povos, (Trump) deveria se ocupar dos problemas internos de seu país, principalmente o assassinato diário de dezenas de pessoas e milhões de desabrigados e famintos".

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, declarou nesta terça-feira que Washington pedirá uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre os protestos no Irã. "A ONU deve se manifestar nos próximos dias. Convocaremos uma sessão de emergência", disse Haley.

O presidente iraniano, Hasan Rohani, pediu ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que adote medidas contra um "grupo terrorista" iraniano baseado na França e que estaria envolvido nos protestos. Em conversa por telefone com Rohani, o presidente francês se disse "preocupado" com o "número de vítimas nas manifestações" e pediu "prudência e calma" ao governo iraniano. Os dois líderes decidiram adiar a visita que o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, faria a Teerã neste final de semana.


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