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  • 03/01/2018
  • 09:00
  • Atualização: 09:18

Milhares de pessoas se manifestam a favor do regime no Irã

Manifestantes condenaram protestos ocorridos nos últimos dias contra situação econômica do governo

Manifestantes condenaram protestos ocorridos nos últimos dias contra situação econômica do governo | Foto: Mohammad Ali Marizad / AFP / CP

Manifestantes condenaram protestos ocorridos nos últimos dias contra situação econômica do governo | Foto: Mohammad Ali Marizad / AFP / CP

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  • AFP

Milhares de pessoas saíram às ruas nesta quarta-feira em várias cidades do Irã para se manifestar a favor do regime e condenar os protestos ocorridos nos últimos dias, segundo imagens difundidas ao vivo pela televisão estatal iraniana. Os manifestantes exibiam cartazes contra os "agitadores" e gritavam slogans a favor do Guia Supremo, o aiatolá Ali Khameni. Também pediam "morte aos Estados Unidos", "morte a Israel" e "morte a Monefagh", termo que designa a opositora Organização dos Mudjahedines do Povo do Irã.

A TV mostrou imagens de multidões se manifestando nas cidades de Ahvaz, Arak, Ilam, Gorgan e Kermanshah, entre outras. "Oferecemos a nosso Guia o sangue que corre em nossas veias", gritavam os manifestantes, que também ondeavam bandeiras iranianas. Essas manifestações acontecem após uma noite sem incidentes na capital Teerã, depois que desde 28 de dezembro começaram os protestos em vários pontos do país contra a situação econômica e o governo.

As manifestações deixaram até agora 21 mortos, em sua maioria manifestantes, e centenas de pessoas foram pressas.

Os Estados Unidos voltaram a criticar na véspera as autoridades iranianas, depois que o presidente Donald Trump apoiou, em várias ocasiões, as manifestações contra o governo.

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, pediu reuniões de urgência no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, e no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, para falar da liberdade reclamada pelos iranianos. Por sua parte, o presidente iraniano Hassan Rohani assegurou que os manifestantes são uma pequena minoria e que o povo dará uma resposta a eles.

Também garantiu que, se for necessário, as autoridades mobilizarão milhões de pessoas para por fim às violências.

O principal grupo reformista, liderado pelo ex-presidente Mohamad Khatami, condenou a violência e o "profundo engano" dos Estados Unidos.

Pobres sob pressão

Nas ruas da capital, muitos habitantes asseguram compreender os motivos dos protestos, os mais importantes desde 2009, em um país com uma taxa de desemprego que atinge 40% entre os jovens. Mas, ao mesmo tempo, condenam as violências.

"A parte mais pobre da sociedade está realmente sob pressão, mas não creio que as manifestações vão continuar", afirmou a farmacêutica Sakineh Eidi, de 37 anos. "Inclusive, os que vandalizaram e incendiaram bens públicos sabem que a insegurança no país não interessa a ninguém", acrescentou.

Outros iranianos rejeitam o discurso oficial segundo o qual os protestos são obra de potências estrangeiras. "Não estou de acordo, as pessoas chegaram a um ponto em que não podem tolerar a pressão das autoridades, e agora estão nas ruas", diz Soraya Saadaat, de 54 anos, que está desempregada. A madrugada desta quarta foi relativamente calma em Teerã, onde nas últimas três noites foram registradas pequenas manifestações. 

Em Teerã, as autoridades prenderam 450 pessoas desde sábado, segundo números oficiais, e várias centenas nas cidades da província. Na terça, o aiatolá Ali Khameni acusou os inimigos do Irã de atacar o regime, sem especificar nominalmente quais seriam esses inimigos. As autoridades acusam também os Mudjahedines do Povo do Irã, uma organização no exílio, de alimentar a violência e de terem vínculos com a Arábia Saudita, o grande rival regional do Irã.

O presidente iraniano, em uma entrevista por telefone com seu colega francês Emmanuel Macron, pediu a Paris que tome medidas contra este "grupo terrorista", que tem sede na França, e que, segundo ele, está envolvido nas manifestações. Neste contexto, o chanceler francês Jean-Yves Le Drian decidiu adiar uma visita prevista ao país.