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  • 05/12/2018
  • 15:50
  • Atualização: 15:51

Macron pede "calma", enquanto protestos se espalham na França

Governo francês tenta evitar que manifestações violentas se repitam na cidade

Várias escolas de Ensino Médio foram fechadas para terceiro dia consecutivo de mobilização | Foto: Abdulmonam Eassa / AFP / CP Memória

Várias escolas de Ensino Médio foram fechadas para terceiro dia consecutivo de mobilização | Foto: Abdulmonam Eassa / AFP / CP Memória

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  • AFP

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu às forças políticas e sindicais nesta quarta-feira para lançarem um "apelo à calma" com o objetivo de desmobilizar os protestos contra o governo que varrem o país. O governo quer evitar a todo custo que se repitam as cenas de caos do fim de semana passado, quando milhares de manifestantes tomaram o Arco do Triunfo, montaram barricadas no coração de Paris e atearam fogo em veículos, diante do olhar incrédulo de moradores e turistas.

"O momento que vivemos já não é o da oposição política", disse o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, citando Macron, no fechamento de uma reunião de gabinete no Palácio do Eliseu. "O presidente pediu às forças políticas, sindicais e patronais que lancem um chamado claro e explícito à calma", acrescentou o porta-voz.

Há três semanas, a França vive protestos convocados pelo movimento popular "coletes amarelos", que começou com um protesto contra a alta do imposto sobre combustíveis e, agora, reflete uma insatisfação social mais ampla. Os protestos começam a se estender para outras categorias.

Vários colégios de Ensino Médio estavam bloqueados nesta quarta, pelo terceiro dia consecutivo, em uma mobilização contra a reforma educacional do governo. Além disso, os sindicatos estudantis convocaram a intensificação das greves na quinta-feira. Os agricultores se somaram ao movimento, e o principal sindicato do setor anunciou uma série de paralisações para a próxima semana em todo país.

"Se algo não funcionar, mudaremos"

No dia anterior, o Executivo anunciou a suspensão de uma alta dos combustíveis, assim como o congelamento dos preços do gás e da energia elétrica para evitar novos confrontos. É a primeira vez que Macron recua em seu ambicioso plano de reformas, diante da pressão das ruas.

Estas medidas parecem insuficientes, porém, para a maioria dos manifestantes. Éric Drouet, um porta-voz dos "coletes amarelos", convocou os franceses a se reunirem no sábado "perto dos lugares de poder: Champs-Élysées, Arco do Triunfo, ou Place de la Concorde", em frente à Assembleia Nacional. Hoje, o Executivo parecia disposto a ceder ainda mais.

Griveaux entreabriu a porta para um possível restabelecimento do Imposto sobre Fortuna (ISF), uma das reivindicações mais frequentes dos manifestantes. "Se algo não funciona, não somos idiotas, mudaremos", declarou Griveaux em entrevista à rádio RTL. Este imposto foi reduzido pelo presidente no ano passado para evitar que as grandes fortunas deixassem o país e serviu para a oposição rotular Macron de "presidente dos ricos".

Macron afunda nas pesquisas

Na terça, o ministro do Interior, Christophe Castaner, pediu aos manifestantes "responsáveis" para não se reunirem em Paris no sábado. Líderes da oposição, incluindo Laurent Wauquiez, do partido conservador Os Republicanos, pediram ao governo que imponha estado de emergência e envie unidades do Exército para apoiar a Polícia.

Como sinal da tensão latente, Macron foi vaiado e xingado na terça à noite durante uma visita surpresa a uma delegacia de polícia em Puy-en-Velay, no centro do país. O local foi parcialmente incendiado no último fim de semana. Passados 18 meses de sua eleição, a popularidade de Macron despencou seis pontos. Agora, apenas 23% dos franceses aprovam sua gestão, seu nível mais baixo.

As críticas contra o presidente francês também se fizeram ouvir do outro lado do Atlântico. Seu colega americano, Donald Trump, com quem mantém relações de altos e baixos, ironizou ontem as concessões feitas por Macron. Para Trump, tudo isso mostra que o Acordo de Paris sobre o Clima é "equivocado".