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Porto Alegre, terça-feira, 20 de Novembro de 2018

  • 02/03/2018
  • 14:38
  • Atualização: 14:54

Itália encerra campanha com grandes atos em Roma, Florença e Milão

Candidatos aproveitam para convocar eleitores às urnas

Manifestantes protestam contra declarações facistas | Foto: Alessandro Fucarini / AFP / CP

Manifestantes protestam contra declarações facistas | Foto: Alessandro Fucarini / AFP / CP

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  • AFP

A Itália termina, nesta sexta-feira, sua campanha para as eleições legislativas de domingo com grandes manifestações em Roma, Florença e Milão, assim como uma maratona de entrevistas na televisão dos principais líderes e com um Silvio Berlusconi "redimido" disposto a se empenhar pela direita. Uma verdadeira caçada pelo voto do indeciso marcou uma das eleições mais incertas da história recente, com três grandes forças políticas na disputa. Há duas semanas, a direita aparece com vantagem, mas sem a maioria necessária para compor um governo.

Antes do tradicional "silêncio eleitoral" do sábado, os candidatos aproveitaram o dia para convocar às urnas os cerca de 50 milhões de eleitores. Deste universo, 10 milhões dizem continuar indecisos. Depois de sua única reunião pública conjunta, realizada na quinta-feira em um cinema em Roma, os líderes da heterogênea coalizão de direita, formada por Silvio Berlusconi (Forza Italia, centro direita), pelo xenófobo Matteo Salvini (da Liga Norte) e por Giorgia Meloni (Irmãos da Itália), decidiram convocar seus correligionários em separado.

Enquanto o magnata empregará todo seu talento comunicativo em um popular programa de televisão do canal público, o ultranacionalista Salvini se dirigirá para seu reduto eleitoral em Milão, ao qual prometeu, todas as vezes, expulsar os imigrantes ilegais. O tema é carro-chefe de sua campanha, durante a qual não poupou palavras para dizer que "negro é sinônimo de criminalidade". Meloni escolheu a emblemática Latina, ao sul de Roma, localidade fundada pelo ditador Benito Mussolini, para reiterar - com uma linguagem mais suave - seu incômodo com a imigração e insistir no lema "os italianos, primeiro".

Um líder da UE para a Itália

A apenas dois dias da votação, o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, aceitou oficialmente ser o candidato de Silvio Berlusconi para liderar o país e, de algum modo, substituir o magnata. Até 2019, o empresário é inelegível para cargos políticos. Um gesto de agradecimento a seu mentor, com o objetivo de tranquilizar os mercados e os demais países da Europa, preocupados com a possível vitória de uma direita xenófoba e antieuropeísta na Itália. O homem que tem boas relações com todo o mundo, que se move com um peixe dentro d'água nas instituições europeias, é a carta vencedora do ex-premiê, de 81 anos.

O atípico Movimento 5 Estrelas (M5E), que apresentou na véspera seu governo composto de especialistas, será o único a encerrar a campanha com um grande comício no coração de Roma. "Será um dia histórico. Seremos muitos", prometeu Luigi Di Maio, o jovem candidato a primeiro-ministro desse movimento antissistema fundado pelo comediante Beppe Grillo, que se afastou discretamente da campanha.

Ainda não se sabe se participará da manifestação. Sem ideologia e disposta a quebrar a tradicional bipolaridade entre direita e esquerda, segundo as pesquisas, o M5E pode se confirmar como o maior partido do país neste pleito, aparecendo com 27,8% das intenções de voto.

O líder do governista Partido Democrático (PD), Matteo Renzi, que teria 22%, percorreu toda Itália para ilustrar as conquistas de seu governo e pedir que a coalizão de centro esquerda liderada por seu partido não seja punida com o voto de domingo, como muitos preveem. Acusado de ser o responsável por esse desastre, Renzi encerra a campanha em Florença, sua cidade, onde ainda goza de popularidade. Popularidade que lhe foi "roubada" pelo atual chefe de governo em final de mandato, Paolo Gentiloni, também do PD, com um índice de 44%. Essa alta popularidade foi acumulada em um ano de vários êxitos, graças a melhores resultados econômicos e a seu estilo moderado e discreto.

Pela primeira vez em 30 anos, a violência se fez presente na campanha eleitoral com confrontos entre policiais e militantes da extrema esquerda, como na década de 1980. Os ativistas saíram às ruas em várias cidades da península para protestar contra a participação eleitoral da extrema direita neofascista, o movimento CasaPound. Em um único mês, foram registrados mais de 70 confrontos políticos violentos no país.