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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de Junho de 2018

  • 13/03/2018
  • 08:12
  • Atualização: 09:45

Rússia é inocente e está disposta a cooperar, diz ministro sobre ex-espião envenenado

País foi acusado de responsabilidade por autoridades britânicas

País foi acusado de responsabilidade por autoridades britânicas | Foto: Alexey Nikolsky / Sputinik / AFP / CP

País foi acusado de responsabilidade por autoridades britânicas | Foto: Alexey Nikolsky / Sputinik / AFP / CP

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A Rússia é "inocente" e está disposta a "cooperar" com as autoridades britânicas na investigação do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Grã-Bretanha, afirmou nesta terça-feira o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

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"A Rússia é inocente e está disposta a cooperar na investigação se a Grã-Bretanha cumprir suas obrigações internacionais", afirmou em uma entrevista coletiva em Moscou, um dia depois das acusações da primeira-ministra britânica Theresa May sobre a responsabilidade russa no caso.

Lavrov também exigiu acesso à substância química que provocou o envenenamento de Skripal. "Exigimos com uma nota oficial acesso a esta substância e a todos os fatos da investigação porque uma das vítimas é a cidadã russa Yulia Skripal", filha do ex-espião, disse o chanceler.

Londres prepara medidas contra Moscou 

O governo britânico deve decidir nesta terça-feira quais medidas tomar contra a Rússia, caso Moscou não explique, antes da conclusão do ultimato dado até a meia-noite, como se deu uma tentativa de assassinato de um ex-espião russo em solo britânico.

Fortalecido pelo apoio dos Estados Unidos, da França, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE), que expressou sua "inquebrantável solidariedade para com o Reino Unido", o governo de Theresa May realizou pela manhã sua habitual reunião semanal, desta vez dominada pela questão do quase assassinato do ex-coronel russo Serguei Skripal e de sua filha, Yulia, em Salisbury (sudoeste).

Em seguida, May participou de um encontro mais restrito com seu gabinete de segurança, o Cobra. "É importante que as pessoas entendam a gravidade do ocorrido", afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson. "É a primeira vez que usam gases neurotóxicos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", acrescentou. Uma resposta russa insatisfatória "abrirá um leque de contramedidas econômicas, financeiras, diplomáticas e, em seguida, obviamente, se fala muito das sanções Magnitsky", disse à rádio BBC o ministro da Habitação, Dominic Raab.

Por sanções "Magnitsky", Raab se refere à lei homônima dos Estados Unidos, sem equivalente britânico, que pune funcionários estrangeiros envolvidos em abusos contra os direitos humanos e que foi aprovada para castigar os autores da morte do contador russo Serguei Magnitsky em uma prisão de Moscou, quando ele investigava a corrupção no Kremlin. Citando uma fonte não identificada do governo, o jornal "The Times" também falou da possibilidade de Londres lançar um ciberataque, como disseminar um vírus nos sistemas informáticos estratégicos russos.

A retirada da equipe da Inglaterra do Mundial da Rússia 2018 também foi aventada, mas, no momento, o governo apenas mencionou a possibilidade de as autoridades não comparecerem ao evento esportivo.

Gás torturante

Na véspera, May declarou ao Parlamento ser muito provável que a Rússia esteja por trás da tentativa de assassinato de um ex-espião russo e deu a Moscou até esta terça-feira para que apresente explicações. Moscou rejeitou imediatamente as acusações, chamando de "espetáculo circense no Parlamento britânico". Segundo May, o gás neurotóxico utilizado é de tipo militar e fabricado na Rússia.

A chefe de Estado ressaltou que a arma usada contra Skriptal, um ex-coronel russo de 66 anos que foi condenado em seu país por alta traição, e sua filha "é um agente neurotóxico de uso militar de um tipo desenvolvido pela Rússia", conhecido como "Novichok". A primeira-ministra citou o histórico da Rússia "de cometer assassinatos organizados pelo Estado" e o fato de ver "alguns desertores como alvos legítimos" para apontar a culpa muito provável do país presidido por Vladimir Putin.

Já Boris Johnson pediu ao embaixador russo em Londres que "forneça imediatamente informações completas sobre o programa Novichok à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq)", de acordo com May, dando-lhe um prazo-limite de até terça-feira. A embaixada russa aconselhou o governo britânico, por sua vez, a não fazer um "jogo perigoso" que coloque as relações bilaterais em risco.

"Isto é um espetáculo circense no Parlamento britânico e uma provocação", afirmou a porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zakharova. O Ministério russo das Relações Exteriores acrescentou que as acusações de May tentam "desacreditar a Rússia" antes da Copa do Mundo de futebol, que acontecerá em junho e julho.