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Porto Alegre, domingo, 23 de Setembro de 2018

  • 22/03/2018
  • 11:33
  • Atualização: 11:55

Guerras e desastres naturais deixam 124 milhões em quadro de fome aguda

Relatório das Nações Unidas demonstrou grave aumento em relação a 2016, com 108 milhões em 48 países

Relatório das Nações Unidas demonstrou grave aumento em relação a 2016, com 108 milhões em 48 países | Foto: Str / AFP / CP

Relatório das Nações Unidas demonstrou grave aumento em relação a 2016, com 108 milhões em 48 países | Foto: Str / AFP / CP

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  • AFP

As guerras e os desastres naturais provocaram o aumento dos níveis de "fome aguda" no mundo, onde 124 milhões de pessoas em 51 países precisam de ajuda urgente para não morrer - alerta um relatório elaborado pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por outras organizações. Trata-se de um grave aumento em relação a 2016 (com 108 milhões em 48 países), segundo o último Informe Mundial sobre crises alimentares.

O estudo adverte que a situação tende a se agravar, sobretudo, pelos conflitos em Mianmar, na Nigéria, no Iêmen e no Sudão do Sul, além da seca que castiga boa parte do continente africano. Elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pela União Europeia e por outras organizações internacionais especializadas, o relatório define "a insegurança alimentar aguda como fome de uma severidade tal que represente uma ameaça imediata para a vida das pessoas".

A análise considera que as crises alimentares estão cada vez mais determinadas por causas complexas como são os conflitos, os fenômenos meteorológicos extremos e os elevados preços dos alimentos básicos - fatores estes que, com frequência, coincidem. Assim, o documento faz um apelo aos países e organizações para que ajam "de forma simultânea para salvar vidas, meios de subsistência e abordar ao mesmo tempo as causas profundas das crises alimentares".

Conflitos e mudança climática

Para os especialistas das Nações Unidas, os conflitos continuam sendo a causa principal da fome que castiga 18 países - 15 deles na África, ou no Oriente Médio -, afetando 74 milhões de pessoas. Os desastres climáticos, em particular a seca, causaram crises alimentares em 23 países, dois terços deles da África, acrescenta o informe. "Trata-se de crises complexas que têm consequências devastadoras e duradouras", reforça a FAO em uma nota.

De mais de 200 páginas, o informe calcula que cerca de três milhões de latino-americanos sofrem de insegurança alimentar. A maioria reside em países como Haiti, Honduras, Nicarágua, El Salvador e algumas regiões da Venezuela. Crianças e mulheres são os mais afetados pela falta de alimentos, e é necessário "encontrar soluções permanentes para reverter a tendência", reconhece a FAO, cuja sede central se encontra em Roma.

Coordenação global

Com o objetivo de conseguir uma maior coordenação na luta contra a fome e os conflitos, as agências das Nações Unidas, assim como a União Europeia, consideram fundamental ajuda humanitária urgente e que se estabeleçam antecipadamente "iniciativas para o desenvolvimento". Para isso, em 2016, foi criada a "Rede Mundial contra as Crises Alimentares" com o apoio da União Europeia, da FAO e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

"Frente aos desastres naturais e àqueles provocados pelo homem, deveríamos dar uma resposta global mais robusta e estratégica às crises alimentares", reconheceu o comissário europeu de Ajuda Humanitária e Gestão de Crise, Christos Stylianides.

"Devemos reconhecer e abordar o vínculo entre a fome e os conflitos, se quisermos alcançar a fome zero. Investir em segurança alimentar e meios de subsistência em situações de conflito salva vidas, fortalece a resiliência e também pode contribuir para a manutenção da paz", afirmou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

"O informe mundial sobre crises alimentares revela a magnitude das crises atuais, mas também nos mostra que, se juntarmos a vontade política e a tecnologia de hoje em dia, podemos alcançar um mundo mais pacífico e estável e onde a fome se torne algo do passado", comentou o diretor-executivo do PMA, David Beasley.