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  • 17/04/2018
  • 10:31
  • Atualização: 11:56

Equipe de investigadores da OPAQ chega à região de suposto ataque químico

Estados Unidos e França acusaram governo sírio e Rússia de tentar obstruir trabalho do grupo

Especialistas da OPAQ chegam a Duma | Foto: Handout / Cnes 2018, Distribution Airbus DS / AFP / CP

Especialistas da OPAQ chegam a Duma | Foto: Handout / Cnes 2018, Distribution Airbus DS / AFP / CP

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  • AFP

Uma equipe da Organização Internacional para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) chegou à cidade síria de Duma, nesta terça-feira para investigar os ataques químicos que teriam sido lançados contra essa localidade. Dez dias após o suposto ataque, a agência oficial de notícias Sana anunciou a chegada de "especialistas da Comissão de Armas Químicas" a Duma, onde mais de 40 pessoas teriam morrido sob efeito de gases tóxicos em 7 de abril. Nessa data, a cidade ainda estava nas mãos dos rebeldes.

Em 14 de abril, Estados Unidos, França e Reino Unido lançaram ataques à Síria, em represália ao governo, o qual acusam de estar por trás da ofensiva de uma semana antes. O governo Bashar al-Assad e a Rússia negaram qualquer envolvimento, acusando os rebeldes de "encenação", e reivindicaram uma missão da OPAQ para investigar essas "alegações".

Os especialistas da OPAQ começaram sua missão no domingo, dez dias após o ocorrido, fazendo reuniões com autoridades locais na capital síria. Ainda não tinham visitado Duma.

"Problemas de segurança"

Em um contexto diplomático já sensível pelos ataques de sábado, os países ocidentais mantêm suas dúvidas quanto à possibilidade de se encontrar provas. "Os russos podem ter visitado o local do ataque. Tememos que eles o tenham alterado na intenção de frustrar os esforços da missão da OPAQ para fazer uma investigação eficaz", declarou o embaixador americano na OPAQ, Ken Ward, na segunda-feira. "Isso ressalta sérias questões sobre a capacidade da missão de investigação de fazer seu trabalho", estimou.

Hoje, em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, a França também considerou "muito provável que provas e elementos essenciais tenham desaparecido". Já o Reino Unido exortou a OPAQ a "pedir uma prestação de contas aos autores do ataque", ainda que os inspetores tenham recebido a missão de investigar o uso de armas químicas, mas não de identificar seus responsáveis.

Para os franceses, a prioridade é o desmantelamento total do programa químico sírio. "A Síria conservou um programa químico clandestino desde 2013", garantiu ontem o embaixador francês em Haia, Philippe Lalliot. Em 2013, após um ataque de gás sarin na Guta Oriental, onde fica Duma, que já havia deixado centenas de mortos segundo os ocidentais, o governo Assad acabou aderindo à OPAQ, sob pressão internacional, e assumiu o compromisso formal de declarar todas as suas reservas e não usar mais armas químicas.

Em 2014, a OPAQ afirmou que a Síria havia se livrado de suas armas químicas. Em 2017, porém, uma missão conjunta com a ONU concluiu que Damasco usou gás sarin contra a cidade de Khan Sheikhun (noroeste).

Pelo menos 80 pessoas morreram nesse episódio. Foi nesse contexto de alta tensão que a imprensa síria anunciou, na madrugada de hoje, uma "agressão", afirmando que mísseis foram abatidos. Retratou-se pela manhã. "Um falso alerta referente a uma violação do espaço aéreo durante a noite levou à deflagração das sirenes de defesa aérea", reconheceu a agência Sana, citando uma fonte militar.