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  • 22/04/2018
  • 15:35

Social-democratas alemãs elegem primeira mulher à frente do partido

Andrea Nahles, de 47 anos, se une à chanceler Angela Merkel no topo da política alemã

Andrea Nahles, de 47 anos, se une à chanceler Angela Merkel no topo da política alemã | Foto: Daniel Roland / AFP / CP

Andrea Nahles, de 47 anos, se une à chanceler Angela Merkel no topo da política alemã | Foto: Daniel Roland / AFP / CP

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  • AFP

O Partido Social-Democrata Alemão (SPD) elegeu neste domingo Andrea Nahles, combativa ex-ministra de Trabalho, como primeira mulher à frente da formação, que atravessa uma crise após 155 anos de história. Filiada ao SPD há décadas e conhecida por seus discursos, a mãe solo de 47 anos se une à chanceler Angela Merkel no topo da política alemã.

"Hoje, neste Congresso, estamos quebrando o teto de vidro do SPD", disse Nahles na cidade de Wiesbaden. "E o teto vai continuar aberto", acrescentou. Bem relacionada dentro do partido, Nahles, ex-líder dos Jusos, a juventude da formação, ganhou com 66% dos votos, derrotando Simone Lange, de 41, ex-policial e prefeita de Flensburgo.

O resultado mostrou o ressentimento persistente dentro do partido pela decisão, promovida fortemente por Nahles, de voltar ao governo como sócios menores dos conservadores de Merkel. A eleições de Nahles acentua uma tendência nacional de colocar mulheres à frente dos partidos. Pela primeira vez, dois dos grandes partidos do país são dirigidos por mulheres, com Merkel como líder dos conservadores.

Outras formações, como a esquerda radical, os ecologistas e a extrema direita, também têm mulheres em cargos-chave. Andrea Nahles substituirá Martin Schulz, eleito líder em março de 2017, para levar seu partido a sua pior derrota eleitoral no pós-guerra. Ele foi convidado pelos colegas a se afastar.

A nova dirigente deverá juntar os pedaços de uma formação muito dividida, que relutantemente participou da "grande coalizão" liderada pela chanceler Angela Merkel. "Acho que posso" fazer isso, disse Nahles na sexta-feira. Contudo, uma pesquisa realizada pela emissora pública ARD mostrou que a maioria dos questionados acredita no contrário.

“Plausível”

"Como representante da ordem estabelecida, Andrea Nahles não é necessariamente a mais bem situada para lançar uma renovação" que o SDP precisa, disse à AFP Matthias Micus, analista do Instituto de Pesquisa sobre Democracia de Göttingen. A política está há duas décadas em cargos de direção no partido, que é a formação política mais antiga do país. Mas, se o objetivo é reposicioná-lo à esquerda, essa mãe de uma menina de 7 anos, conhecida por estar próxima do povo, é alguém plausível, disse o especialista.

Atualmente, ela é presidente do grupo parlamentar do SPD no Bundestag. No governo anterior, foi ministra do Trabalho. Na pasta, lutou para estabelecer o salário mínimo, algo revolucionário na Alemanha. Ela também conseguiu criar uma nova legislação previdenciária - inclusive com um item muito criticado que permite a algumas pessoas receberem sua aposentadoria aos 63 anos, em vez dos 67.

“Meu pai chegou aos 73 anos de idade, com os ombros, as costas e os joelhos quebrados, então quando ouço vagabundos falarem sobre aposentadoria aos 70 anos, isso me deixa realmente furiosa", disse, em alerta aos críticos de sua reforma.

Nahles incorporou o espírito de luta do SPD contra Merkel quando ela prometeu aos conservadores que ela iria "batê-los" nas eleições. Fiel ao seu estilo intenso, não é raro para ela terminar os discursos sem voz. "Tenho um temperamento que pode ser um pouco sulfúrico", confessou em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung neste sábado.

Divorciada, com uma deficiência parcial no quadril depois de um acidente, ela viaja regularmente entre Berlim e sua cidade-natal, Weiler, no oeste do país, para estar com a filha, que fica com a avó materna. Em um livro autobiográfico publicado em 2009, ela tentou mostrar um perfil mais complexo do que sua faceta política. Nahles se apresentou como uma mulher provinciana, católica fervorosa e alguém para quem a família é a coisa mais importante. Essa dicotomia não é nova. Quando se formou em 1989, ela escreveu no livro da turma que a carreira dos seus sonhos era "dona de casa, ou chanceler"