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  • 16/05/2018
  • 10:31
  • Atualização: 10:44

Após EUA, Guatemala inaugura embaixada em Jerusalém

Liderança palestina acusou governo guatemalteco de se colocar ao lado de Israel

Após EUA, Guatemala inaugura embaixada em Jerusalém | Foto: Ronen Zvulun / POOL / AFP / CP

Após EUA, Guatemala inaugura embaixada em Jerusalém | Foto: Ronen Zvulun / POOL / AFP / CP

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  • AFP

A Guatemala inaugurou nesta quarta-feira em Jerusalém sua nova embaixada em Israel, seguindo o passo dos Estados Unidos em um processo de ruptura diplomática que ulcera os palestinos. Desta forma, a Guatemala tornou-se o segundo país a transferir sua representação diplomática para Jerusalém. Seu presidente Jimmy Morales e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, inauguraram a nova embaixada em uma torre moderna e excêntrica do sul de Jerusalém.

A liderança palestina acusou o governo guatemalteco de se colocar ao lado dos "crimes de guerra israelenses". Menos de 48 horas após a controversa abertura da embaixada dos Estados Unidos, que coincidiu com um verdadeiro banho de sangue na Faixa de Gaza, o país centro-americano de cerca de 16 milhões de pessoas, cuja embaixada se encontrava em Herzliya, perto de Tel Aviv, também rompeu com décadas de consenso internacional.

A cerimônia, no terceiro andar do edifício, não contou com o mesmo esquema de segurança daquele mobilizado na segunda. A dezenas de quilômetros de distância, a Faixa de Gaza estava calma após a violência na segunda com o Exército israelense ao longo da fronteira, que deixou quase 60 palestinos mortos.

"Israel, uma chama"

"Não é uma coincidência que a Guatemala esteja entre os primeiros a abrir sua embaixada em Jerusalém - vocês sempre estiveram entre os primeiros", especialmente para reconhecer Israel em 1948, declarou Netanyahu. Jerusalém e muitas cidades em Israel têm uma rua chamada Guatemala "porque não nos esquecemos quem são os nossos amigos, e a Guatemala é nossa amiga, hoje como ontem", proclamou David Friedman.

Morales observou que a inauguração coincidia com o 70º aniversário da proclamação do Estado de Israel em 14 de maio de 1948. "Há 70 anos, decidimos apoiar e ser amigos de Israel, e estamos demonstrando isso de novo hoje", ressaltou. Ele expressou sua admiração por Israel, "uma chama de esperança para países ao redor do mundo", e exaltou o vínculo entre seu país, Israel e os Estados Unidos, "três amigos que demonstram sua amizade, coragem e lealdade".

A decisão de Morales é criticada em seu país como uma promessa aos Estados Unidos. Também é interpretada como relacionada à religião do presidente, um evangélico protestante. Os evangélicos, como o vice-presidente americano Mike Pence, teriam influenciado fortemente a decisão polêmica do presidente Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, o que resultou na transferência da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. Os evangélicos apoiam Israel fervorosamente porque querem ver os judeus reconstruírem seu templo em Jerusalém, o que deveria facilitar o retorno de Cristo de acordo com suas crenças.

Antes do Paraguai

O governo guatemalteco "se posiciona ao lado de Israel e de seus crimes de guerra em desprezo do direito internacional, e apoia a ocupação militar e a anexação ilegal de Jerusalém", reagiu a líder palestina Hanane Achraui. A inauguração da embaixada americana coincidiu com manifestações violentas na Faixa de Gaza, um território palestino onde dezenas de milhares de pessoas protestaram contra a iniciativa unilateral dos Estados Unidos, contra o bloqueio imposto por Israel ao enclave e pelo "direito de retorno" dos refugiados palestinos.

Neste contexto, a direção palestina com base na Cisjordânia ocupada anunciou nesta quarta-feira que convocou para consultas seus embaixadores em quatro países da União Europeia que enviaram representantes à cerimônia israelense por ocasião da abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. Os quatro países são Áustria, Hungria, República Tcheca e Romênia, informou o ministério palestino das Relações Exteriores.

Quase 60 palestinos foram mortos neste dia, o mais mortífero do conflito entre israelenses e palestinos desde a guerra em Gaza em 2014. Em Israel, muitos veem a decisão americana como reconhecimento de uma realidade histórica de 3.000 anos para o povo judeu. Para os palestinos, por outro lado, representa o ápice da postura pró-israelense adotada por Trump.

Também enxergam nessa atitude a negação de suas reivindicações sobre Jerusalém Oriental, futura capital do Estado ao qual aspiram. Israel tomou o Jerusalém Oriental em 1967 e anexou esta parte da cidade a seu território. Mas para a comunidade internacional, Jerusalém Oriental é um território ocupado e as embaixadas não devem se estabelecer na cidade até que seu status seja resolvido por meio de negociações entre as duas partes.

A transferência da embaixada americana ainda não provocou o efeito cascata esperado por Israel. Somente a Guatemala e o Paraguai estão firmemente comprometidos em mudar sua missão diplomática.