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Porto Alegre, quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

  • 18/05/2018
  • 15:06
  • Atualização: 15:21

República Democrática do Congo se mobiliza ante surto de ebola

OMS aponta que 45 casos tenham sido confirmados e 25 mortes pela doença

Comitê de Emergência da OMS se reuniu na tarde desta sexta-feira em Genebra | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP

Comitê de Emergência da OMS se reuniu na tarde desta sexta-feira em Genebra | Foto: Fabrice Coffrini / AFP / CP

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  • AFP

A República Democrática do Congo (RDC) estava mobilizada nesta sexta-feira com países vizinhos e agências de ajuda internacionais para enfrentar a epidemia de ebola que foi declarada no noroeste do país e cujo balanço de vítimas aumentou. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que o número de mortos pelo surto de ebola chegava a 25 pessoas, de um total de 45 casos confirmados ou de suspeita.

O Comitê de Emergência da OMS, reunido nesta sexta-feira à tarde na sede desta organização da ONU em Genebra, anunciou que na RDC "as condições de uma emergência de saúde pública de preocupação internacional não foram preenchidas no momento". "O risco de disseminação internacional é particularmente alto", mas há fortes razões para acreditar que "essa situação pode ser controlada", declarou o presidente do Comitê de Emergência da OMS, Robert Steffen, durante coletiva de imprensa em Genebra.

O surto apareceu no início de maio em uma área rural do noroeste da RDC, antes de se espalhar para Mbandaka, uma cidade de cerca de 1,5 milhão de habitantes localizada no rio Congo e ligada a Kinshasa por muitas conexões fluviais. Este caso "aumenta o risco de propagação na RDC e nos países vizinhos", segundo a OMS. Mais de 300 pessoas podem ter tido contato direto ou indireto com doentes de ebola em Mbandaka, capital da província de Equador, apontou uma fonte médica.

"Alerta elevado"

Ante a ameaça, países vizinhos da RDC se declararam nesta sexta-feira em estado de "alerta elevado". "Cinco dos seis Estados-membros da EAC (Comunidade da África Oriental) compartilham fronteira com a RDC, e todos mantêm intercâmbios comerciais com importantes fluxos transfronteiriços", lembrou essa organização, ressaltando que "ainda não havia sido registrado nenhum caso de ebola na região".

"Os Estados-membros implementaram uma série de medidas de segurança", entre elas um exame rápido para as pessoas procedentes da RDC, a mobilização do pessoal de saúde e campanhas de informação para os habitantes. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciou a mobilização de epidemiologistas e de médicos em Kinshasa e em 16 pontos de entrada da RDC para impedir a propagação do vírus do ebola.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) mobilizou mais de 200 voluntários na luta contra a epidemia. O Ministério da Saúde da RDC anunciou nesta sexta-feira a ativação de seu plano de "resposta" contra o vírus em Mbandaka, para onde o ministro Oly Ilunga viajou nesta sexta-feira. "Mbandaka está sob vigilância sanitária", declarou à AFP Jessica Ilunga, encarregada da comunicação do Ministério da Saúde.

A OMS enviou 7.540 doses de uma vacina experimental, das que 4.300 já chegaram a Kinshasa. O país africano enfrenta sua nona epidemia de ebola desde que o vírus foi identificado pela primeira vez em seu solo, em 1976. O último surto, em 2017, deixou quatro mortos antes de ser controlado. A epidemia de ebola mais importante da história aconteceu no oeste da África entre 2013 e 2016, com 11.300 mortos em um total de 29.000 casos, em sua grande maioria na Guiné, Libéria e Serra Leoa.