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Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

  • 21/05/2018
  • 17:34
  • Atualização: 17:48

EUA reforçam sanções contra a Venezuela após "farsa" eleitoral

Trump assinou decreto impedindo americanos de comprar ações empresas do país

Desde 2015 os EUA veem a Venezuela como uma

Desde 2015 os EUA veem a Venezuela como uma "ameaça à segurança nacional" | Foto: Saul Loeb / AFP / CP

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  • AFP

Os Estados Unidos aumentaram, nesta segunda-feira, a pressão financeira sobre a Venezuela, dificultando a venda de ativos estatais, como os da petroleira PDVSA, após a reeleição do presidente Nicolás Maduro em uma votação descrita como "farsa" por Washington. O presidente Donald Trump assinou nesta um decreto que proíbe os americanos de comprar títulos da dívida venezuelana, entre eles o da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), crucial para a economia do país sul-americano.

A ordem-executiva publicada pelo Departamento do Tesouro abarca todas as transações de dívida com o governo venezuelano ou empresas estatais, inclusive notas conhecidas como "contas a cobrar". Funcionários de alto escalão do governo americano disseram que esses instrumentos tinha sido utilizados por Caracas para obter receitas, diante da necessidade de dinheiro. O senador republicano Marco Rubio, crítico aberto de Maduro, comemorou a decisão de Trump. O presidente "acaba de impor novas sanções que restringem a capacidade do regime de ganhar comissões através da venda de ativos do Estado e que proíbem comprar qualquer dívida com o governo da Venezuela", disse no Twitter.

Segundo a especialista em assuntos latino-americanos Andrea Saldarriaga, "ao enfrentar o tema da dívida e os efeitos colaterais da mesma, os Estados Unidos buscam reduzir a liquidez tanto do governo da Venezuela, quanto das pessoas que são donas de algum tipo de dívida deste país".

"Assim, reduzem a marcha de manobra do governo e de seus seguidores ou aliados no mercado dos Estados Unidos e, consequentemente, nos mercados internacionais", explicou à AFP. O governo de Trump tinha prometido mais cedo "medidas econômicas e diplomáticas rápidas" para contribuir para o retorno da democracia na Venezuela, após classificar como "farsa" a votação do domingo. "Os Estados Unidos não vão ficar de braços cruzados enquanto a Venezuela desmorona e a miséria de seu povo valente continua", disse o vice-presidente Mike Pence.

De acordo com as autoridades eleitorais, Maduro venceu com 68% dos votos, superando seu rival mais próximo, Henri Falcón, que obteve 21%. A taxa de abstenção foi de 52%, um máximo histórico. Quatorze países americanos do chamado Grupo de Lima decidiram nesta segunda-feira convocar seus embaixadores na Venezuela para consultas e agir para bloquear fundos internacionais destinados a Caracas.

Os Estados Unidos, que desde março 2015 veem a Venezuela como uma "ameaça à segurança nacional", já aplicaram uma série de medidas contra dezenas de funcionários e ex-funcionários venezuelanos, inclusive Maduro e outras autoridades, acusando-os de corrupção e tráfico de drogas.