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Porto Alegre, quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

  • 06/06/2018
  • 10:38
  • Atualização: 11:05

Irã se prepara para eventual fracasso do acordo nuclear

Embaixador iraniano confirmou notificação de retomada de produção de gás UF6

Embaixador iraniano confirmou notificação de retomada de produção de gás UF6 | Foto: Behrouz Mehri / AFP Files / CP

Embaixador iraniano confirmou notificação de retomada de produção de gás UF6 | Foto: Behrouz Mehri / AFP Files / CP

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  • AFP

O Irã confirmou nesta quarta-feira em Viena que realiza "trabalhos preparatórios" com o objetivo de reativar seu programa nuclear em caso de fracasso do acordo de 2015 com as grandes potências após a retirada de Washington em maio. Teerã começa "trabalhos preparatórios no caso do JCPOA (abreviatura oficial do acordo) fracassar, para que assim o Irã possa reviver as suas atividades sem restrições ligadas ao JCPOA", declarou seu embaixador à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Najafi. O diplomata confirmou que o seu país notificou a agência que pretendia retomar a produção de gás UF6, utilizado para o enriquecimento de urânio.

O vice-presidente iraniano, Ali Akbar Salehi, anunciou na última terça-feira que a República Islâmica também desejava fabricar novas centrífugas para aumentar sua capacidade de enriquecimento. O representante iraniano na AIEA convidou os signatários do acordo, especialmente os europeus, a encontrar "muito rapidamente" uma solução para "compensar" os efeitos econômicos da retirada dos Estados Unidos. Se não, o Irã "não aceitará continuar respeitando seus compromissos", acrescentou.

Em um discurso na última segunda-feira, o guia supremo iraniano Ali Khamenei afirmou que seu país tinha "o dever de se preparar rapidamente" para aumentar a capacidade de enriquecimento de urânio. O enriquecimento de urânio permite produzir combustíveis para usinas nucleares que produzem eletricidade atômica ou outras aplicações civis, particularmente na medicina. Mas o urânio altamente enriquecido e em quantidade suficiente permite a fabricação de uma bomba atômica.

Os Estados Unidos e Israel acusam o Irã de querer fabricar uma bomba atômica, mas o Irã rejeita essas acusações dizendo que seu programa tem um objetivo pacífico e civil. O acordo sobre o programa nuclear do Irã, assinado entre Teerã e o Grupo 5+1 (China, EUA, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha), permitiu o retorno do Irã à comunidade internacional após anos de isolamento e uma levantamento das sanções internacionais em troca de uma drástica redução em suas capacidades atômicas.